sábado, 27 de setembro de 2014

O INFERNO - 16 -

Jennifer Lawrence
- 16 -
- APARIÇÕES -

Acima do horror tétrico a virgem Norma ainda falou de momentos crucias quando nem por sonho acordara. Eram verdadeiros fantasmas aqueles apavorantes seres aparecendo de um gigante vulcão cheio de lavas capaz de tragar vivas as criaturas indefesas e trôpegas em busca do infernal destino. Entre tais seres a virgem era capaz de vera figura do garoto Francisco a suplicar clemencia em proteção do seu infeliz destino. Macabras figuras plenas de odiosidade e terror sangravam as suas enigmáticas vítimas ao descer às profundezas do abismo da destruição eterna em um profundo lago de chamas.
Norma:
--- Era um passado assustador e cruel. Um horror inimaginável. Os corpos eram arrastados para o fundo abismal. Uma destruição fantástica. Um aniquilamento total. – relatou a moça cheia de temor e espanto
O jovem Sócrates estremeceu de horror com o contar do enigmático sonho da virgem. Algo de sepulcral tornava-se uma realidade diabólica. Acontecimentos cruéis e monstruosos. Algo fantástico e nebuloso. Enfim, o jovem despertou para a realidade e voltou a conversar.
Sócrates:
--- Contudo. ... E o ser que se diz ser o seu filho? – indagou preocupado.
Norma parecia dormir apesar de atormentada. Vagou pelo espaço para depois relatar.
Norma:
--- Eu sei que tive um câncer aos 20 anos. Eu fui atendida em um hospital – não sei aonde e nem por quem. E sei bem, que os médicos me deram pouca chance de vida. Eu digo isso porque em outros sonhos eu tive essa informação. Com eu era de menor, não liguei muito ao fato. Hoje estou mais alerta. Isto quer dizer que eu vivi em outra existência. E nesse tempo foi o meu aborto, com certeza. É o que suponho. – falou em lágrimas.
Sócrates:
--- O espírito do seu filho está junto agora. É por isso que a senhorita está chorando. Ele chora. Essa sua vida foi de muitas gerações anteriores. Não foi logo em sequência. Quem me fala é o meu mentor. – salientou nervoso.
Norma:
--- Entendo. Entendo. Tem uma floresta perto de onde eu morava naquele tempo. Agora eu não sei em qual lugar. Tinha uma estrada longa. Casas velhas. Névoa. Muita névoa. Eu vi isso em uma espécie de visão. Mas eu não estava mais em meu corpo. Acompanhava uma charrete usada como ambulância.  A charrete era puxada a cavalos. Seis cavalos. A minha família tinha posses. Não sei dizer. Mas era família rica. O meu pai era um Nobre. Eu me lembro de cavalos. Às vezes eu corria a cavalos. – destacou.
Sócrates:
--- Lord Thomas Connor Ryan! – respondeu uma voz.
Norma:
--- Quem falou? – perguntou sobressaltada.
Sócrates:
--- Um Mestre. Ele está falando. A senhorita estava na Inglaterra. Idade Média. A senhorita estava com 21 anos. Um câncer no útero. Problema de uma vida anterior. A senhorita era casada de poucos meses. Já chegou sem vida ao hospital. – falou o rapaz ouvindo o Mensageiro da Paz.
Norma ficou pasma com a grandiosidade do conhecedor de sua história. Quanto mais ela ouvia muito mais impressionada ela ficava. O pensamento mais forte era saber como o Mensageiro podia saber de todo o seu passado. Era a primeira vez que Norma conhecia a sua vida anterior. Então a virgem ainda quis saber:
Norma:
--- O meu pai é separado de minha mãe. E onde está vivendo esse homem agora? – dirigiu a pergunta ao Mensageiro.
Sócrates se encheu de energia para ter a possibilidade de responder a questão em um curto prazo de tempo. E com poucos instantes, respondeu.
Mensageiro:
--- O homem que tu perguntas é o teu atual pai. Ele vive como caminhoneiro. Agora, o teu pai anterior, ele está a teu lado! – respondeu o Mensageiro
A virgem se estremeceu de súbito e procurou perceber alguém que fosse o seu passado fraternal pai. Porém não avistou esse homem, outrora um Lord. Cheio de cismas voltou a querer saber:
Norma:
--- Onde? Aqui não vejo nem alma. – falou a moça com imenso susto.
Mensageiro:
--- Tu verás! Tu verás. Agora, não é possível. Mas tarde. Quando fores dormir. – declarou o Mensageiro e se evaporou de vez.
Sócrates despertou do êxtase e perguntou à virgem o que sucedera. Ele estava como sonolento e cheio de temor. A virgem relatou o ocorrido adiantando ser à noite o crucial encontro com o seu pai anterior, Lord Thomas Connor Ryan.
Norma;
--- Ele esteve aqui comigo! – relatou a moça cheia de temor.
Sócrates:
--- É assim a vida. Quem procura, acha. Eu indago agora: a senhorita não pensa ir ao Centro? – perguntou com uma cara sisuda. 
Norma:
--- Hoje? – indagou surpresa.
À noite, o Centro estava repleto de gente. Uns com aleijo, outros gritando, alguns se retorcendo todo, uma mulher a dormir. Entre outras estranhas pessoas onde nenhum mostrava sinal de sossego ou quietude. Após a dissertação do Evangelho houve uma pausa. Apagaram-se as luzes da sala e o povo caminho para receber os passes, de acordo com as suas necessidades. Uma mulher era levada por dois acompanhantes, sinal de que ela era paraplégica e utilizava inclusive uma cadeira de rodas. Um rapaz fazia convulsões com a sua cabeça, um instante para cima e para baixo. Um rapaz andava com os seus quadris no chão. Era todo o desatino dos viventes.
Logo mais tarde, quando Norma se acolheu em seus aposentos para então dormir, ela pensava em conhecer o seu antigo pai. Levou um longo tempo para a virgem conciliar o sono. Por mais que se remexesse na humilde cama, o sono era um sacrifício. Após um longo período, a virgem adormeceu. E sonho com algo lúgubre. Ferramentas diversas espalhadas pelo chão da casa onde pensava estar. Ainda, uma escada demostrando ali ser uma casa funerária. Uma energia intensa sacudiu todo o seu inanimado corpo. Por mais que se sacudisse na cama, não havia um local para, consciente, despertar de fato. Era ela como uma jovem mulher a estar em um confuso cemitério onde os cadáveres dormiam os seus eternos sonos. O mais grave de tudo: ela não tinha local para onde caminhar. Era um passado mórbido o que estava Norma a enxergar. A um certo instante, Norma avistou um cemitério com suas catacumbas semiabertas. Então era enfim tudo náusea.  Macabras figuras asquerosas passeavam sonolentas vestindo suas roupas em trapos, umas agarradas às outras nos expostos locais tumulares. Era a morte entre os vivos. E, de repente, uma voz soturna ecoou:
Defunto:
--- Norma! Eu estou aqui ao teu lado! – disse o morto coma sua pesada voz.
Norma:
--- Quem? – ela se voltou de repente para o cadáver.
Defunto:
--- Eu. Lord Thomas Connor Ryan. O teu pai. – falou tristonho o cadáver.
Norma:
--- Meu pai? – indagou plenamente assustada.
A efígie do ser apenas sorriu lhe querendo ditar ser ele um ex-Lord pois aonde estava aquele título de nada lhe servia. Suas roupas eram rotas e o ente aparentava estar em uma pobreza extrema, algo como alguém já sem nada mais a importar. Ele era apenas cansado e doente de esgotamento sem eras. A tez era sombria e os seus cabelos da cabeça eram tão ralos como uma nuvem ou uma árvore desfolhada e expirada.   

O INFERNO - 15 -

Emmanuelle Riva
15
ASSOMBRAÇÕES

No dia seguinte, pela manhã, onde não havia ainda um bom movimento, a virgem estava em sua máquina de datilografia escrevendo pedidos às firmas de outros Estados e o seu chefe concluía as remessas do dia passado. O rapaz da limpeza fazia seu serviço antes que o patrão chegasse ao escritório, caso de não demorar muito. O garoto dos jornais matutinos entregava os exemplares do dia com uma pressa tremenda e em seguida se punha ao largo para a entrega em outras repartições do mesmo edifício. A manhã era calma e de sol e se ouvia da rua gente a conversar assuntos atuais. Um veículo a passar fazia zoada irritante com o espocar do motor dando tiros a todo instante. O caso era hilário e em seguida alguém falava ao motorista para colocar gasolina na frente porque o motor estava suado até demais. Outros engraçados bagunceiros torciam risos pela razão do fato em si. Essa era a vida da rua em seu início de labor. De repente, a virgem Norma achou de indagar ao seu chefe, senhor Sócrates Fernandes.
Norma:
--- O senhor tem sonhos? – indagou curiosa.
O rapaz estava por demais distraído que não entende a questão. Então voltou a pergunta:
Sócrates:
--- O que? Sonhos? E quem não tem? Sonhos mesmo? – indagou meio descrente.
Norma:
--- Sim. Sonhos. Pesadelos. Assombrações! Tudo isso! -  fez ver a virgem.
Sócrates:
--- Eu não sei bem o que a senhorita pergunta. Mas sonhos, todo mundo tem. E, por acaso por qual motivo me questiona? – indagou meio desligado.
Norma:
--- É o seguinte: a noite passada em tive um pesadelo. Uma assombração, pelo que se diz. Eu creio que, neste mundo, o mal é uma realidade. Nas sombras mais escuras e nos lugares mais comuns pessoas inocentes são tragadas por fatos inimagináveis. Eu, ontem pela madrugada tive uma assombração além da minha razão. – tentou explicar.
O rapaz que estava ocupado com uns certos documentos, resolveu pôr tudo para um lado e se ligou a escutar. Em sua cadeira estofada, ele assim debruçou.
Sócrates:
--- Conte. Pode contar. Sou todo ouvidos. – alertou o rapaz.
Norma:
--- Foi assim: Eu já percebi ter problemas além dos cinco sentidos. Dessa vez, em profundo silêncio, algo desconhecido tentou falar comigo. Algo que me atormenta e se diz destruir o que me é mais sagrado. Entre o mundo que eu vejo e as coisas que eu temo, existem portas. E quando elas se abrem os pesadelos se tornam realidade. É uma possessão maléfica. A minha casa é uma terra de fantasma e demônios. Um médium já esteve em minha casa e a batizou de fantasma do diabo. Existem na residência apavorantes encontros sobrenaturais. São verdadeiras assombrações aterrorizantes. Tem fantasmas que não andam nem falam. Nós moramos da mesma residência cerca de cinco anos. E desde esse tempo eu vejo fantasmas. Monstros invisíveis! Certa vez, um intrigante homem surgiu em nossa casa. Seu nome era Eugênio. Ele falou que habitação tinha gente demais. Eu fiquei impressionada. Só estavam eu e minha mãe. Eu senti através do homem coisas fantásticas. Ele era um depósito de fantasma. Eu já li sobre paranormalidade e mesmo de dia em sentia espíritos. Uma atividade sobrenatural eu vi no corpo do homem – Eugênio. Algo que coisa que eu posso sentir. Entende? – falou a virgem.
Sócrates.
--- Quer dizer que a senhorita tem poderes para ver os mortos? – perguntou de forma bem cuidada.
Norma:
--- Sim. Eu tenho esses poderes. Por exemplo: eu estou “vendo” junto ao senhor um homem vestido de branco, um pouco alto, ligeiramente gordo. Não muito. E atrás desse homem outros estão sem sorrir. Apenas escutam. – falou a virgem.
Sócrates:
--- É verdade! São os meus guardiões. Todos eles. – destacou com sobriedade.
Norma:
--- Guardiões! Eu acho que não tenho esses fantasmas! – relatou com a cara feia.
Sócrates:
--- Tem. Você tem! – contradisse.
Norma:
--- E o resto? Quer ouvir? – perguntou cismada.
O homem sorriu e fez com a cabeça de “sim”.
Sócrates:
--- Prossiga! – relatou.
Norma:
--- A minha mãe achava que era uma “coisa” ruim. Ela teme ocorrer alguma coisa de risco. As vezes ela mesma já viu um garoto de cabelos louros. E ele vem para brincar com outros garotos que moram na minha casa. E eu despertei por causa desse garoto. Ele me sacolejou para que eu acordasse. Dias passados eu vi o garoto do lado de fora da casa. E era de dia. A minha mãe chamou o médium e ele levou uns artefatos. Era para indagar o que a minha queria saber. A minha mãe quis saber do nome do espírito. E ele disse se chamar “Francisco”. A sessão prosseguiu e o espírito declarou ser aquela a sua casa, porque foi ali que ele foi abortado por sua mãe. O espírito de Francisco declarou está ali por longo tempo até que a sua mãe lhe desse a oportunidade de nascer de novo. – falou com medo.
Sócrates:
--- Mãe? E quem era a sua mãe? Mãe do espirito? – indagou com espanto.
A moça calou por um instante para depois responder:
Norma:
--- Eu! Eu mesma! Em outra existência! Quer dizer: eu era a mulher que o meu filho a procurava! Isso há muito tempo. – relatou.
Sócrates:
--- Nossa! Não acredito? Como é que pode? A senhorita ser a mãe de uma criatura no passado? Eu pergunto: você frequenta algum centro? – indagou perplexo.
Norma;
--- Algumas vezes. Mas nem sempre. – disse a virgem.
Sócrates:
--- Tem alguém com a senhorita? – voltou a querer saber.
Norma:
--- Namorado? Não! Nunca tive. E nem penso em ter. – relatou melancólica.
Sócrates:
--- Bem. Se a senhoria teve coragem de me contar tal pesadelo, deve também ir ao Centro. Verdade? – indagou
Norma:
--- Eu penso demais em ir. Não sei. Espírito! –reclamou a virgem
Sócrates:
--- Bem. É só querer. Acreditas? – indagou a sorrir.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O INFERNO - 14 -

Angelina Jolie
14
O FOGO

Alguns dias se passaram. A situação não mudara para a virgem Norma Balistiero. Ela estava trabalhando. E então era a nova funcionária do gabinete do doutor Augusto Novais. O homem, para Norma, era um “esquisito” ou estranho. Vivia enfurnado em seu gabinete no outro compartimento da sala. Em outra sala, por assim definir. O escritório era dividido em salas. A de Augusto Novais parecia um grande túmulo feito somente para o chefe. A virgem não tinha o direito de poder entrar naquele faustoso espaço todo trancado de não se notar coisa alguma.  Apenas o auxiliar direto do homem, Sócrates, tinha acesso ao estranho local. Para a virgem era um mistério o que se passava dentro do lugar. Quem sabe ali era a decidida a verdadeira sorte dos mortos. Ou dos vivos. Homem baixo, gordo, voz diferente dos demais, sapatos sem saltos como se fosse sandálias, calças compridas e nunca usava paletó. Apenas uma camisa presa para dentro da calça atada por um cinturão de cor marrom. Era costume desse senhor quase sempre escarrar. Um serviçal colhia aquele vômito de quando em quando e despejava em uma latrina no fim do gabinete. O serviçal era calado como se fosse um mudo. Seu nome: Juvenal. Apelido: Manga Rosa. Sempre que era necessário o chefe o chamava:
Augusto:
--- Manga Rosa! – era a voz gasguita e alta do chefe a chamar Juvenal para algum serviço.
E o homem de quase cinquenta anos ou mais se levantava do seu acanhado canto de se sentar para ir atender ao berro do chefe. Um birô com uma gaveta em baixo de tudo cheia de papel picado, de tamanho variado. Eram os papeis de fazer cálculo.
Norma:
--- Nojentesa! – era o que pensava a moça quando um dia percebeu o monte de papéis e o cesto de escarrar do seu chefe.
Com o passar dos dias, Norma foi se habituando com esses traumas e inertes loucuras. Livros espalhados pelo chão, alguns de capas diversas e de orientações sedutoras e sofismais. Por exemplo: um livro sobre o Inferno: - O Eterno Abismo da Morte.  A virgem notou tal livro quando teve de procurar em uma pilha de velhos jornais um trazendo notícia sobre assunto qualquer do qual ela precisava para entremear matéria de outras datas. Ao remexer nas folhagens de jornais lhe caiu às mãos esse tomo de características estonteantes. Algo sobre o Eterno, o Invulgar, a Besta, o Demônio ou algo em tal sentido. De imediato Norma recolheu suas mãos temerosa como se estivesse sendo atacada por uma enorme e malévola serpente. Com cuidado, a virgem aos poucos foi revendo o volumoso e enigmático livro talvez cheio de importantes e timoratos contextos. Cruzes, ambientes sombrios, túmulos entre tenras árvores de ciprestes formando tudo isso em um ambiente lúgubre e assombroso. A luz da lua entremeada de tremenda escuridão sepulcral. Entre estonteantes vitrais, a catedral do mal. O abismo mortal. Enigmáticas figuras apareciam com suas bocas abertas a mostrar as suas malévolas presas em carcomida e hedionda máscara. Aquele era o mortal Inferno no eterno abismo de esgotamento, cheio de ruínas e iniquidades. O sepulcral inferno era o responsável pelos os maiores pavores da brutal realidade. Anjos caídos em deformadas cores era o magnifico e estonteante horror. Tortura, sofrimento e dor por seu total enigmático desconhecido. Fogo escaldante a produzir as chamas e as ameaçadoras hostis nuvens onde nenhuma alma seria capaz de escapar para outro local nem tanto desprezível e nevoento do mundo enganoso. Para alguns, o Inferno não só é real como pode ser encontrado nos seus malévolos ambientes onde habitam. Cavernas escuras com fogos ardentes no seu interior entre as inimigas florestas do mal em torpor de um enigmático termo. Esse é o Inferno, um verdadeiro lago de extremosas chamas em um deserto estonteante de lamentos inacabáveis. Local plenamente remoto como antigas entradas para o sepulcral e desmaiado ambiente infernal onde a escuridão sepulta os doentios mortos.
Há milhares de anos e em culturas diversificadas os vivos entendem ser o inferno abaixo dos seus próprios pés. Existem seis entradas para o Inferno por todo o Globo terrestre e os vivos não tem escapatória como evitar. Ele é o lugar para a punição eterna. A tentativa de se buscar as entradas de cada um dos Infernos demoníacos repletas de estranhas e malévolas figuras entre escuridão aberrante é o sonho irreal de se pôr os pés quando vivo em fantástico poder a entrar outro mundo. Essas são as entradas para o submundo sendo essas a qual não há defesa possível. Os portões do Inferno são vistos apenas nos lugares áridos como os desertos e vulcões onde nenhum ser humano poderá jamais entrar sem a permissão do Demônio. Quem chegou bem perto revelou histórias impressionantes. Esqueletos são encontrados como prova de quem vai, não volta jamais. Eles ficam sepultados em locais sóbrios e de fumo ardente. Eles, enfim, se parecem com o abismo, um corpo sem fim causando a sessão desesperadora e aterrorizante das almas dos quais um dia foram para nunca mais voltar.
Cada local e cada lenda apresenta visões assustadoras e semelhantes do sofrido e doentio portal entre elementos do submundo. Enfim, essa é a questão crucial e derradeira: o que aguarda a cada ser o ter de passar pelos portões para o Inferno. Em Xabalba, próximo a Masaya, na Nicarágua, coração do País, há o imenso abismo na Terra. É um vulcão chamado Masaya. Porém há séculos ele é conhecido por um nome mais sinistro: Boca do Inferno. A dimensão do Masaya é inacreditável. É um gigantesco abismo, uma rachadura na Terra. A imaginação é fértil: para onde esse buraco leva. Por milhares de anos o Masaya vem exalando uma fumaça assustadora e pode ser vista há quilometro de distância. Um gás tóxico que se eleva e se curva como se fosse uma criatura viva. No topo da cratera imensa há uma cruz, uma indicação da história profana de Masaya. Por séculos, histórias sombrias de mortes e sacrifícios humanos cercaram o hediondo e misterioso vulcão.
Nesse instante, a virgem Norma estremeceu de pavor. Um frio arrebatador lhe desceu pelo corpo como se fosse uma febre momentânea a lhe acudir sobremaneira. Ela ficou em êxtase por um breve período tal qual tudo o que lera se tornasse realidade. A sua cabeça rodou como um pião e ela temeu desmaiar de ânsia. O que Norma estava a ler, era como se fosse verdadeiro. Uma nuvem pairou no Céu e se dissipou de vez. Maquinas de jornal batiam como de costume e com isso ela também estremeceu. Uma porta se abriu arrebatadora e Norma voltou a tremer. Com espasmo a virgem se virou para olhar e observou a figura esguia de seu chefe de escritório. Sócrates sorriu e indagou se ela havia encontrado o jornal. Norma não sou o que falar. Tudo em sua mente era nebuloso e turvo. A virgem apenas olhava para Sócrates e nada podia raciocinar. Um tremor angustiante lhe assomou o corpo. Porém uma luz tênue e acariciante lhe agitou a mente e assim, no estertor da vida e da morte ela raciocinou aos poucos. E falou:
Norma:
--- Esse? – perguntou ainda pálida de susto.
Sócrates:
--- Esse mesmo! Mas. ...Você está bem?  - indagou surpreso.
Norma;
--- Sim. Foi apenas um susto. A porta bateu com ímpeto! – respondeu com a cara de quem faz riso.
Sócrates:
--- Ah. Sim. Essa porta faz medo mesmo. – relatou sorrindo. E viu o livro Inferno entreaberto. Mesmo assim não teceu comentários.
O Livro Inferno ficou no seu local um pouco entreaberto e a moça procurou guarda-lo de vez com todo o cuidado. Ela mesma não sabia o que fazer. Mesmo assim, procurou manter o tomo sob guarda e nada mais. A preocupação era ela voltar a ler o que começara, uma vez ter notado importância demais no opúsculo com um gosto de desgaste por seu uso. Na sequência a virgem retornou ao seu escritório onde a máquina de escrever lhe esperava, silenciosa e guardiã dos velhos sonhos de outrora. Era a máquina um ataúde mudo. Como sempre fora no passar das quimeras.
À noite ou madrugada, um sonho acudiu Norma em seu puro leito de alcova. Algo delirante e infernal e lúgubre. Uma série de cavernas de lavas escaldantes cheias de horrendos temores. A virgem suava frio pois estava a penetrar na boca da Terra. Realmente um sonho assustador. Entre os canais de lavas a virgem consegue chega a boca de um ermo e tenebroso Inferno onde cadáveres desembocam para o fundo do imenso chão. Chamas tétricas buscam alimentar os seus incestos vis. O fogo assumia proporções alarmantes e temerosas. Ondas de calor tragava os mortos-vivos com toda a fúria escaldante. Aquela era, sem dúvidas, as chamas mortais da Boca do Inferno. Há milhares de séculos aquela era a boca onde os divos funestos devoravam a carne das suas vítimas quando mortas. Aquela era a entrada sagrada para o mundo real dos fenecidos. Os apavorantes Deuses viventes das cavernas do Inferno vomitam sangue extraído das suas putrefatas e horrorosas vítimas. A virgem teve a oportunidade de ver de perto os rituais supremos da sinistra morte. Eram aqueles sacrifícios humanos dos inomináveis terráqueos onde eram jogados em baixo da cratera. Crianças, mulheres e homens eram sacrificados a um único tempo. Os que descessem jamais voltaram à vida terrena. Esse portal do inferno estava descrito nos livros sagrados do tempo tal qual um abismo sem fim e suas chamas cruéis encobriam o Sol. Era ali o próprio Inferno e algo demoníaco comandava as tristes verdades cruéis. O horror satânico brotava por todo lado do abismo monstruoso. Naquele local estava vivendo para todo o sempre a figura de Satanás. Quando a virgem olhou para o Demônio soltou um extasiante grito de horror. Nesse instante, Norma, sem que nem mais assombrada e suada despertou.
Aquele antro infernal havia sido preparado pelo Demônio e seus anjos, conforme está escrito nos livros sagrados do tempo anterior a Gilgamésh. Satanás, ao cair do Céu levou um terço dos seus Exércitos de anjos, arcanjos, querubins e serafins. E para isso o Inferno na verdade, fora cientificamente preparado. Satanás era um dos Deuses do Céu vindo da nave espacial em uma Noite Sinistra acompanhado pelos Anunnakis os Deuses da Iniciação da humanidade na Terra. Tais Divindades tem o decifrar de “aqueles de sangue real”. Foram eles os criadores da raça nesse obscuro planeta. 


domingo, 14 de setembro de 2014

O INFERNO - 13

Gene Tierney
13
ENTERRO
Na segunda-feira, pela manhã, Sócrates estava em seu trabalho, em um edifício de um andar mais o térreo, na Rua Dr. Barata quando observou de cima o estranho trajeto de um lutuoso sepultamento. O carro fúnebre seguia à frente em seu silencio sepulcral e logo após outros veículos, cada um com grinaldas para depositar junto ao morto. Isso não era tão comum naquela estreita rua onde cabiam dois carros e nada mais. Mesmo assim, Sócrates deu importância ao fausto sepultamento a transitar por aquela artéria pouco lembrada por moradores de outros bairros. Com razão o rapaz observou com bastante atenção a passagem do féretro seguido de veículos dada a importância do morto. A morte do falecido tinha sido anunciada nos jornais e a emissora de rádio da cidade. O féretro era do doutor Claudio Alcântara de Melo, homem de tradição social na cidade no Natal tendo ocupado a Presidência do Tribunal de Justiça por um longo período. Cidadão querido por toda a gente influente da província e mesmo do Estado o doutor Claudio Melo, já desembargador estava aposentado, porém todos os convivas teciam saudades por sua gestão à frente do Tribunal de Justiça por longos tempos. Homem austero e de pouca conversa, salvo com amigos mais chegados. Ele havia nascido naquela rua há longo tempo e sempre desejou quando viesse a ser sepultado ser o cortejo passar por aquela rua.  Na cúpula da Igreja do Senhor do Bom Jesus os acordes comoventes e melancólicos dos sinos repicavam a um som em compasso angustioso e lento estimando à lembrança do importante morto. Era então a hora da despedida para o magistral homem das letras. Pelo sabido de fontes acadêmicas o Doutor Claudio Alcântara de Melo tinha escrito diversos volumes, principalmente sobre a tardia seca do Estado onde ele nascera. O caso, para Sócrates, teve grande importância pelo morto ser padrinho do seu patrão Augusto Novais. E não por acaso ter Sócrates acompanhado com o seu olhar todo o féretro. As lojas de comercio fecharam suas portas como justa homenagem ao ilustre fidalgo desaparecido. O rapaz teve oportunidade de ver o auto do seu patrão a conduzir soberbo acoplado a sua esposa e as duas filhas do casal. Era o tempo de contrito rezar.
Com o passar das horas Sócrates se voltou ao seu afazer. Ele estava a cuidar dos livros do escritório e receber a moça dos seus 18 anos que chegava pela primeira vez para o seu novo emprego. Com certeza a virgem não sabia de nada e estava apenas à espera do que o rapaz dissesse o que teria de fazer, como espanar os moveis ou outra coisa qualquer. Mesmo assim não foi decerto que Sócrates se posicionou. E indagou com calma:
Sócrates:
--- Teu nome? – indagou.
Moça:
--- Norma. Norma Balistiero. É italiano. Meu pai. – decifrou a moça.
Sócrates:
--- Hum! Belo nome. Balistiero. Você já trabalhou em alguma loja ou escritório? – quis saber.
Norma:
--- Eu, nunca! Esse é o meu primeiro trabalho. Eu cuido sempre da minha casa. – fez ver.
Sócrates:
--- A senhorita saber bater máquina? – indagou com paciência.
Norma:
--- Eu fiz o curso. Sete meses. Aqui está o diploma. – lhe entregou o certificado de conclusão
Sócrates passou vistas no certificado e em seguida lhe disse:
Sócrates:
--- Bem. Já é um bom proveito. A senhorita fica naquela mesa onde está a máquina e aonde tem uns papeis para datilografar. Deixe-me os seus documentos para o registro formal. O chefe da repartição, como a senhorita deve saber, é o doutor Augusto Novais. Ele está um pouco tardio pois foi a um sepultamento. Certo? – dialogou.
Norma:
--- (Eu) compreendo. Com licença. – e se voltou para a mesa de datilografia.
Ao se postar na máquina de datilografia, Norma Balistiero notou a existência de um livro, por sinal de teor espírita, e não quis mais folhear o volume por ser do chefe ou do seu auxiliar, com certeza. No entanto Norma foi por demais astuta e embora com o volume fechado, notou algo que depressa o identificou. Muito embora soletrando o seu datilografar, observou no compêndio algo bem mais salutar. O livro tinha em seu início a palavra “Arcano”. Um profundo segredo; um mistério.  Algo de surpresa lhe sacolejou o cérebro. Muito embora o livro estivesse fechado, de modo sutil Norma indagou ao seu superior que estava no seu local de trabalho o tal enigmático e por demais desconhecido tomo.
Norma:
--- Com licença. Esse livro é do senhor? – indagou cismada.
O rapaz, com surpresa, declarou:
Sócrates:
--- Ô! É. Pode deixa-lo guardado na gaveta! – disse o homem como por descuido.
O livro focava o conhecimento misterioso às pessoas comuns. Uma essência secreta ou remédio: um elixir. E destacava o livro: “No coração de toda grande tradição mística e religiosa persiste um segredo, uma verdade universal: O Grande Arcano”. Ao longo da história foi expressamente proibido revelar os segredos do Grande Arcano ao público. Assim seus mistérios permaneceram um legado oculto velados por histórias místicas e pela herança mundial da arte e literatura para todos admirarem. Alguns imitarem, mas poucos entenderem. Escondida nas faces silenciosas dos monumentos egípcios sob o olhar dos deuses védicos entre as linhas dos antigos livros de alquimia e nos atormentando pelos mitos astecas e maias a essência da Doutrina Secreta sempre esteve presente. Durante toda a história da humanidade somente os poucos eleitos foram iniciados nos mistérios desta Grande Verdade Universal e estes poucos guiaram o resto da humanidade e deram a ela os símbolos externos desta Verdade como orientação.  Pois o Grande Arcano, o segredo dos segredos, era ferozmente protegido e oferecido apenas aos que tinham provado sua pureza moral e confiabilidade. Mas como a humanidade se degenerou em barbarismo e crueldade, o conhecimento divino foi ocultado para sobreviver em bolsos isolados ao redor do mundo. Por muitos séculos o Grande Arcano tem acenado à humanidade por detrás de histórias e mitos que o velavam. O conhecimento que ele entrega é universal e se aplica a todas as verdadeiras religiões e tradições místicas. Quer seja a serpente de Adão e Eva da tradição judaico-cristã, a serpente alada de Quetzalcoatl da tradição asteca, as serpentes escalando o caduceu do deus grego Hermes ou as serpentes das tradições hindu ou budista, todos estes símbolos contêm o mesmo ensinamento. Enfim, depois de séculos de escuridão e ignorância, chegou a hora desta doutrina secreta ser revelada.
SEXO
Todas as religiões são joias preciosas no cordão de ouro da divindade. A palavra “Religião” deriva-se da raiz latina “religare”, que significa “União”. A palavra “yoga” é derivada da raiz sânscrita “yug”, que também significa “união”. Em sua base, as diferentes tradições do oriente e ocidente descrevem a mesma meta: “União com a Divindade”. As tradições religiosas provêm o mapa que deve ser seguido para se alcançar a unificação com o Divino. Toda religião busca expressar o mesmo núcleo de conhecimento. Mas são necessárias as ferramentas certas para ler o mapa. Com as ferramentas certas e o uso adequado delas um aspirante de qualquer religião ou tradição pode entrar no conhecimento da experiência direta com o Divino. Pode ser visto, então, que existe na verdade uma única ciência, um único caminho, mas aparecendo com diferentes nomes e faces. “Porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e são poucos os que a encontram”. Em suma: “a porta é a abertura da entrada para aonde o órgão sexual masculino penetra para despejar o sêmen lá dentro e conceber o seu filho ou filha”. Em grego, o caminho estreito é chamado “Gnosis” que significa “conhecimento”. Em hebraico, o mesmo caminho estreito é chamado “Daath” que também significa “conhecimento”. Este caminho é representado pela famosa Árvore do Conhecimento - “a mulher” - no livro de Gênesis. E a pista para se entrar na experiência direta de Deus “na bíblia hebraica se registra “Deuses” pode ser encontrada através do entendimento do símbolo da Árvore do Conhecimento – o conhecimento do homem com a mulher. – o ato sexual - O Gênesis, o ensinamento judaico-cristão da criação foi escrito como um meio para se transmitir o conhecimento do Grande Arcano para aqueles que tivessem “olhos para ver e ouvidos para ouvir”. Sua origem foi influenciada por ambas as tradições oriental e ocidental a fim de prover a humanidade uma chave contida na fundação de todas as grandes religiões do mundo.
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Eram 11 horas da manhã. Por conseguinte, a hora do almoço dos funcionários. No escritório, Norma Balistiero nada falava. O chefe geral ou patrão dos funcionários, Augusto Novais, tinha chegado bem tarde e, possivelmente ainda tinha muito o que fazer. O sepultamento do seu padrinho, Claudio Alcântara de Melo atrasou bastante, com os profundos sentimentos de pesar expressados por cada qual e isso retardou densamente o féretro. Além disso houve discursos de velhos amigos, a fala do Governador do Estado, oração ao pé do tumulo pelo vigário e mais e mais. A moça esperava o sinal de saída para poder ir de vez e voltar a uma hora da tarde. Na certa alguém falaria com Norma, certamente. 

sábado, 13 de setembro de 2014

O INFERNO - 12 -

 
Sandra Bullock
12
O TIBETE
 
E o pessoal que estava na sala, gargalhou. O ancião, sem ter nunca ouvido falar em espiritismo ou mesmo assuntos da Bíblia – Livro – nada sabia do certo ou do errado. Quando Sócrates narrou o episódio de Abraão, para o ancião foi uma surpresa. O velho era casado com dona Aurea no civil e no religioso (católico). Mesmo assim pouco ou nada sabia da crença. Ele fazia o que era ditado fazer. Apenas isso. Às vezes, algumas moças a viajar no trem, entregavam-lhe os “santinhos” como propaganda de suas Igrejas ou Templos, então ele recebia aqueles pequenos papeis e assim que auferia colocava tudo do bolso de sua túnica, e nada mais. Cosme sabia ler, escrever e o que de fato ouvia era rádio de fora do Estado onde sorria a valer com as aventuras desempenhadas pelos artistas da emissora, mais da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Ao ditar “degenerado” ao Patriarca Abraão foi apenas o gatilho para todos da casa gargalhar. Na verdade, os historiadores do ensino bíblico nunca encontraram nenhuma prova da existência de Abraão apesar do Judaísmo fundar o monoteísmo por todos esses tempos. Abraão é citado no livro de Gênesis como a nona geração de Sem, o qual foi um dos filhos do patriarca de Noé que teria sobrevivido do dilúvio. Porém, entre risos e lágrimas Sócrates, também a sorrir, teve o ensejo de declarar mais outros assuntos. O Dalai Lama ou as suas escrituras:
Sócrates:
--- Vamos ter calma! (Sorrindo). Vamos ter calma! Eu tenho mais um assunto a declarar. É um caso sério. Trata-se de um dos livros mais sagrados do Mundo. A Escritura essencial do Dalai Lama. A exata descrição da experiência dos que foram declarados clinicamente mortos. Esse livro foi escrito no século VIII antes de Cristo, o tal chamado Livro Tibetano dos Mortos é um guia para quem morre, um mapa da jornada que será feita após a visa. Esse é o primeiro manual do mundo. O que esse obscuro texto capturou a imaginação de tantos em nossa cultura? Qualquer um que leia o livro aprenderá algo. Nele há uma sabedoria universal. Ele nos dá a ferramenta para, esta vida, todos nós atingirmos a verdadeira liberdade. As respostas a tais questões afetam todos nós. Se a antiga cultura tiver correta, o Livro dos Mortos é a chave da vida após a morte e a respostas às mais velhas perguntas da humanidade.
Racílva:
--- Conte logo, conte! – falou saltitando os as batendo.
Canindé:
--- Espera! Deixa ele contar! – falou bastante sério.
Sócrates sorriu e começou enfim a contar para todos com uma voz bastante grossa.
Sócrates:
--- Morte! O grande mistério da humanidade! Esse é o país desconhecido. A Terra de onde ninguém volta, disse isso Shakespeare. Todas as culturas do mundo estudam a Morte sabendo até o infalível quanto o inevitável. Nenhuma delas conseguiu desvendar seu mistério. Mas em um canto remoto do Mundo uma civilização afirma saber exatamente o que acontece após a morte. Para eles, a resposta está contida em um misterioso texto de mais de três mil e duzentos anos chamado Livro Tibetano dos Mortos. Ele pode ser entendido como um guia geral, um mapa sagrado para todos aqueles que queiram descobrir e conhecer o supremo significado da vida e da experiência após a morte. – relatou o rapaz.
Racílva:
--- Ave! Chega me dá arrepios. – falou a virgem encolhendo os braços.  
E o rapaz sorriu enquanto Canindé a mandar ter mais sossego. Racilva não se conteve e estirou a língua para o irmão lhe fazendo careta. Cosme, o seu pai, parou a discussão mandando Sócrates prosseguir com o que estava a falar.
Sócrates:
--- Está certo. O Livro Tibetano dos Mortos é o primeiro livro de diretrizes ou manual. É um livro guia para os mortos e vai orientá-los em sua viagem no mundo do além, com conselhos diários. Durante séculos esse livro foi mantido em segredo em uma terra tão isolada que era chamada de “Reino Proibido”. Mas, no alvorecer do século XX, um americano solitário saiu em pesquisa espiritual. Ele viajou sozinho pela Europa, Arábia e Índia chegando, finalmente, às fronteiras do Tibete, onde se acham os picos mais altos do planeta. E, ali, em um pequeno Mosteiro tornou-se o primeiro ocidental a descobrir o livro que desvendava os mistérios da vida após a morte. O norte americano passou três anos ajudando a traduzir o texto que publicou em inglês, em 1927. Seu nome é Walter Evans-Wentz. Hoje, esse enigmático livro pode ser adquirido em livrarias em meia dúzia de traduções. Escrito no século oitavo, o Livro Tibetano dos Mortos é uma descrição precisa do que cada indivíduo enfrentará no além. Uma experiência que os tibetanos chamam de “Bardo”. – discorreu o médium.
Canindé:
--- Eu creio que vou procurar esse livro. – respondeu cismado.
Sócrates:
--- É livro muito bom para se ler. Qualquer um, quando morre, renascerá em outro lugar.  O tempo de intervalo pode ser chamado de vida intermediária. Em tibetano chama-se “Bardo”. No budismo tibetano a maior ênfase está na morte porque, embora, considerando-se a vida terrestre importante, não será tanto quanto a vida seguinte. – relatou o homem   
Surpreendentemente as palavras do Livro Tibetano dos Mortos encaixam-se com as modernas descrições de quem morreu clinicamente na mesa de operação. A chamada experiência “quase morte”. Para todos a semelhança é de arrepiar. Quase todos falam em uma luz ofuscante e muitas vezes é chamada de “luz branca”. O Livro Tibetano dos Mortos fala dessa “luz branca”. É muito clara. Arrebatadora. O Livro descreve essa “luz” com impressionante precisão. É muito sedutora e o maior fascínio em todas essas histórias de morte. Eles – os quase mortos – querem caminhar à luz. Quer em trepidantes cidades modernas, quer em pacatas vilas tibetanas, a grande constante da humanidade é o mistério da morte. E a morte chegou a uma pequena vila rural do Tibete. Pode ter sido ontem. Pode ter sido há séculos.
No Tibete, o ritual da morte continua o mesmo há mais de seiscentos anos. Um jovem morreu na aldeia. Sua família chorou a perda e começou a preparar-se para os funerais. A mãe do jovem mandou chamar os Monges locais. Ou os Lamas. Eles se posicionaram ao lado do corpo afim de ler o Livro Tibetano dos Mortos. As palavras são destinadas a guiar o morto pelo assustador mundo do além. A experiência será aterradora. No Bardo eles podem ver várias luzes diferentes, causando grande confusão.  E o medo, é muito forte. Apenas o Livro pode guiar a alma a uma nova vida. Para poder compreender do Livro Tibetano dos Mostos é preciso aprender, primeiro, as suas raízes. Os tibetanos praticam uma certa forma de budismo, uma das grandes religiões da Ásia. Começou a 500 anos antes de Jesus. Os tibetanos começam a estudar os ensinamentos de Buda, aquele que despertou, o Iluminado. O budismo é uma velha tradição de 2.500 anos. O ponto básico do budismo é uma simples e profunda verdade: a vida está cheia de sofrimentos.
Sócrates:
--- O budismo não é só uma religião. É uma filosofia. Dois pontos são distintos. UM – é a compaixão. Outro – a sabedoria. Quando o adepto adquire essas duas coisas, já é Iluminado.
Um conceito central em todas as formas de budismo é a reencarnação. A ideia de que após a morte a pessoa renasce. Com esse conceito vem a ideia do Karma, a crença de que o bem e o mal praticados, serão compensados na vida seguinte. O objetivo do budismo é deixar a roda eterna do Karma e libertar-se do sofrimento.  Mas o Livro Tibetano dos Mortos promete um atalho para essa libertação. Existem certas técnicas para retirar a consciência da cabeça do corpo do falecido e mandá-la para um mundo melhor. Durante séculos o segredo do Livro Tibetano dos Mortos até que foi publicada no ano de 1927. E nunca mais saiu do preso a partir deste ano. Há seis ou mais traduções diretas do tibetano e continuam a instigar a imaginação ocidental.
Racilva:
--- Incrível! Incrível! Como é que pode? Eu nunca ouvi falar nesse livro! – disse mais curiosa.
Sócrates:
--- Espere! Espere! Tem mais coisas que eu não disse. Nos Estados Unidos, um editor declarou que o Livro Tibetano era a melhor viagem com o LSD – Ácido Lisérgico conhecido há séculos pelos indígenas do México. O livro aparece em músicas e até desenhos de moda. – relatou
Atrás dessa fascinação pairava o mistério simples e poderoso de uma antiga cultura. Seria possível saber o que vem depois da morte? Talvez não se trate de sabedoria mítica. Mas da visão empírica da consciência. Talvez haja a continuação da consciência além a morte. Acaso esse velho texto de um recanto perdido do Mundo teria a resposta para a mais antiga pergunta do homem? A morte visita todos os lares. Mas no Tibete os costumes e ritos são diferentes de quantos existem no Mundo.
Sócrates;
--- Dizem que é comum o espírito ou “fantasma”, ainda no “Bardo”, voltar ao lar familiar, ao local de trabalho e pairar sobre os entes queridos. O melhor que os familiares podem fazer é, em silencio, assegurar a alma que tudo está bem em seu antigo lar.  E dizer a ele que tem coisa mais importante para fazer. O melhor é seguir em paz – relatou com paciência.
 


O INFERNO - 11

ANNE HATHAWAY
11
O ESPIRITO
 




Em dias posteriores, Sócrates estava no lar de Canindé a conversar com as pessoas ali presentes, inclusive a sua namorada, a virgem moça Racilva. Entre os presentes também se encontravam o senhor Cosme, pai de Canindé, e a sua esposa Aurea.  A palestra girou sobre o Espiritismo, algo a perseguir o filho Canindé. Era dia de domingo à tarde. Pessoas passeavam na rua, algumas sorrindo sem algo de se expressar tão demais. Um grupo de jovens torcia por um time local e ouviu-se o grito anunciando a começo do aloucado embate com fogos de artificio a espocar no céu primaveril. Dois garotos voltavam da colheita de frutas trazendo em seus cestos uma porção de amarelos e saborosos cajus em contraste com as doces e salutares mangas-rosa dentre os mais marrons e saudáveis sapotis. Um veículo passou a toda velocidade fazendo um ruído de um motor já meio gasto. E então Sócrates dialogou sobre certos assuntos evocados.

Sócrates:

--- Vejamos bem o que tenho a relatar: antecedentes do Espiritismo; fenômenos de Hydesville; Mesas Girantes; e continuadores da obra dos espíritos.  Vejamos em primeiro lugar “Os Antecedentes da Doutrina Espírita”.  Os fatos atinentes das revelações dos espíritos ou fenômenos mediúnicos remonta a mais recuada antiguidade, sendo tão velhos quanto o nosso Mundo. E sempre ocorreram em todos os tempos e entre todos os povos. A História, a esse propósito, está pontilhada desses fenômenos de intercomunicação espiritual. Os historiadores confirmaram que a imortalidade da alma e a comunicação espiritual tem estado presentes nas culturas antigas como faculdade natural, sexto sentido ou faculdade psíquica. – falou em breve assunto.

Então o velho Cosme indagou por ser um caso novo para o seu conhecer.

Cosme:

--- E como é esse fenômeno, por favor? – indagou surpreso.

Sócrates enfim respondeu:

Sócrates:

--- Bem. Temos casos do Rei Saul e do profeta Samuel. O Rei Saul, primeiro Rei de Israel, comunicou-se com o profeta Samuel, o espírito, e este desvendou-lhe o seu futuro e o das suas provas ao enfrentar os filisteus, da Filisteia. Eles – os filisteus - eram os chamados “povos do Mar” e teriam vindo da Grécia. A história ainda começa a montar esse quebra-cabeça. Os estudiosos entendem que esse grupo de “bárbaros” migrou do Mar Egeu. – comtemplou o rapaz

Cosme:

--- É uma história bela! Conte mais, por favor! – falou entusiasmado.

Com uma mexa de fumo na boca a mascar, o ancião pôs-se atento:

Sócrates:

--- Como estava expondo: três casos muito famosos também ocorreram na mediunidade na História: Teresa de Ávila, viveu nos anos de 1515 a 1582 e foi conhecida como a maior mística da Igreja (Católica) mostrou diversos fenômenos, como êxtase. Franz Anton Mesmer viveu entre 1754 a 1815 foi o famoso austríaco que abriu o espaço na saúde humana. Ele usou experiência com o magnetismo com curas com as mãos. E o de Joana D’Arc, viveu entre 1412 e 1430. A jovem médium desde os 12 anos escutava as vozes do mundo espiritual e que foi condenada à fogueira – pela Igreja – aos 19 anos. Um processo religioso que a considerava “feiticeira”.

Cosme:

--- Interessante! Interessante! Conte mais, por favor. – disse o ancião a se acerca mais do rapaz.

Aurea:

--- Esse caso de Joana D’Arc eu vi em cinema. Muita crueldade. E ela se tornou “Santa”. Santa Joana D’Arc, lembrou a mãe de Canindé.

Canindé:

--- Eu vi o filme também. – lembrou o rapaz.

Racilva:

--- Sócrates nunca pára de contar.  Vocês só atrapalham. – relatou a moça um pouco aborrecida

Enfim o seu namorado sorriu e solicitou paciência à sua bem amada.

Sócrates:

--- Paciência, querida. Paciência! Esse é o ritmo da vida. Vejamos: Temos aqui Emmanuel Swedenborg, um dos mais extraordinários filhos da Suécia. Desde a sua infância tiveram início as suas visões até a sua morte. Mas as suas forças latentes eclodiram com mais intensidade a partir de abril de 1744, em Londres. Desde então, afirma Swedenborg: “O Senhor abria os olhos do meu espírito para ver perfeitamente desperto o que se passava no outro mundo e para conversar em plena consciência com os “anjos” e espíritos. Informa Immanuel Kant, na obra “Sonhos de Um Vidente” que em 1756, Swedenborg encontrava-se com os amigos em Gotemborg a 400 quilômetros de Estocolmo. Às 18 horas o vidente anunciou que tinha iniciado um incêndio que avançava em direção de sua própria casa. As 20 horas demonstrou grande perturbação pelos danos produzidos. Mas num dado momento acalmou-se e exclamou com alegria que o incêndio tinha cessado três portas antes da sua. Dois dias depois confirmou-se a notícia chegada de Estocolmo. – concluiu o rapaz.

Hoje, ontem e há muito tempo, mesmo na época dos Sumérios, um povo que habitou a Mesopotâmia, hoje conhecido como Iraque, o tema pós-morte tem abalado sempre os sentidos do ser humano, onde há a dúvida de se ter conhecimento. A mitologia da criação em geral é dividida em dois tipos: 1) - Cosmogonia, relativa a criação do cosmos; 2) - e Antropogonia, relativa à criação da humanidade. Esta distinção é importante, porque enquanto que existem textos específicos relatando a Antropogonia suméria, não existem textos diretos tratando somente sobre a cosmogonia. Aquilo que se sabe sobre as crenças dos sumérios sobre o assunto deve frequentemente ser aprendido a partir de textos que não se relacionam entre si. Apesar das cosmogonias apresentadas nestes textos sugerirem variações, alguns padrões distintos podem ser estabelecidos, e estes fornecem uma compreensão mais ampla a respeito das crenças sumérias relativas a criação do cosmo.

Sócrates:

--- Tem outro aspecto na História. Na parte dos Sumérios, um povo antigo, tem os históricos de Abraão. Ao contrário do que de fala, Abraão era uma pessoa comum, assim como nós. Ele enfrentou muitas dificuldades que nós enfrentamos. Certa vez, Abraão, nascido na cidade de Ur, na Mesopotâmia, fez-se revoltoso com a adoração a “deuses”, como era o costume do povo e, principalmente, da sua família, começando a destruir todas as estátuas expostas na Casa de seu pai. Mas destruiu tudo e tocou fogo para não restar nada. O seu irmão apavorou-se e entrou na capela para apagar o fogo.

Harã;

--- “Não faça uma coisa dessa! São os Santos do nosso pai!” – disse o seu irmão.

Sócrates:

--- E foi então que o seu irmão entrou no Santuário do seu pai para apagar o fogo imenso e cruel a consumir todo o local. Com isso, Harã morreu e deixou um filho de nome Ló. O pai de Abraão, de nome Terá, veio em busca de salvar o filho, mas nada pode ser feito. E sentenciou a Abraão a criar o filho do seu irmão. O certo é que Abraão declarou com muita raiava que, daquele momento em diante, se adoraria apenas um “Deus” e não mais os outros. E foi o que aconteceu de verdade. Na Bíblia está escrito: “O Deus de Abraão”. Essa história de religião é coisa muito antiga. A questão de “um só Deus” foi se alastrado no Ocidente deixando de lado o Oriente onde não se acredita nesse costume.

O ancião Cosme ficou irado com tanta malvadeza. E então falou inconsciente:

Cosme:

--- Isso é um crime! Um cavalo desses! Como é que pode?! – vociferou o velho.

Sócrates:

--- E tem mais: cessado o fogo, com mais um tempo, Abraão seguiu para o Egito onde se apresentou ao Faraó e desse ao poderoso chefe de estado ter com ele a sua irmã. Na verdade, Sara era a sua mulher. O Faraó então pediu que ela lhe fosse dada como um presente. E foi aceito o pedido. Seis anos depois Sara declarou ao Faraó ser, na verdade, mulher de Abraão. Então, irado, o Faraó expulsou Abraão e sua família, inclusive Sara, para terras distantes do seu Império. – explicou.

Cosme:

--- Tá vendo! Tá vendo! Bem feito! Eu mataria esse degenerado! – alegou com muita ira.