sábado, 4 de outubro de 2014

O INFERNO - 22 -

HILARY DUFF
- 22 -
- PÂNICO -
A anciã tossiu algumas vezes e assoou o seu nariz para limpar o catarro que descia ao espirrar o que umedecia até a boca. A coriza atrapalhava por demais a velha senhora aquelas horas da tardia noite. Um gato enveredou pelo quarto, projetando um miado nauseoso e logo partiu pulando a janela do quarto. Um galo cantou fora de hora. Dona Totó ouviu bem e nada relatou. A velha senhora então falou a respeito do assombro.
Donana:
--- Então, o meu visitante prosseguiu. Era noite escura. Nem lua ele podia enxergar. A lâmpada a alumiar a parte de fora do quintal havia se queimado e Nicodemos usou a sua lanterna de mão para clarear o caminho.  Um gato preto soltou um miado clamoroso e com duas tochas de fogo nos olhos saltou o caminho entre a parede dos fundos da casa e o quintal ensombrado pelos os pés de paus existentes na região da velha habitação. Uma caixa d’água já um tanto desgastada havia naquele quintal, talvez sem abastecer há algum tempo, pois foi feita para garantir sustento aos moradores, quando não havia água encanada na região. Havia, sim: o restante de uma armação de um cata-vento já obsoleto. Era esse o meio de captar água para suprir quando era capaz. Tudo isso Nicodemos me contou. Ele me contou: quando Nicodemos chegou ao quintal foi tomado de um verdadeiro terror. Isso era pela madrugada, cerca de três horas da manhã. Ele caminhou até à cerca da casa e ouviu gritos cada vez mais altos. Era tudo muito escuro. Não havia a lâmpada. Essa não acendia. Ele se valia da lanterna de mão. A sua mulher, dona Vera, tinha imenso medo pois não sabia o que era a tal gritaria. Algo ensurdecedor ou mais do que isso.  Era uma verdadeira loucura. O homem ouvira o gritar de um porco inexistente. Os dois tiveram um terror atroz. Nicodemos e Vera, o seu marido. Os corações pulsavam mais for ainda pelo sentimento de pavor que os dois sentiam.
A anciã sentia um arrebatamento do que o homem certa vez lhe contara. O mau do além. Os gritos continuavam sem parar. E a mulher, dona Vera, pôs o gravador a funcionar para depois daquele horror poder ouvir a verdadeira sanha assassina do hediondo monstro. Gritos ensurdecedores se ouvia por todos os recantos do largo quintal. Era algo como uma matança de porco ou de algo semelhante. O assombro findou por calar e eles, temerosos, voltaram a sua habitação. Os dois ensopados de pleno suor. Foi uma hora terrível, aquela da noite plena sem luar. Dias após, já bem tarde da noite, a família quase toda dormia. Apenas o homem estava acordado. Era em plena madrugada. Nessa altura, o sono o acolheu e ele foi dormir, o que fez amodorrar tão imediatamente da cama do casal. Em um instante a mulher Vera acordou com os brados do marido a bater bem alto em cima da cama. A mulher acordou Nicodemos para tirar de um sono de um pesadelo. Mesmo assim nada um fez acordar. O homem não se lembrava do que ocorrera. Como de nada ele se lembrava, voltou a conciliar o sono. Dias ou noites depois, Nicodemos teve sonhos assustadores. Uma mulher encantadora estava em seu quarto pronta para seduzi-lo. Porém não conseguiu nada de proveito a misteriosa e esbelta formosa mulher o seu intento. E o desejo foi em vão. Ele, Nicodemos, não falou coisa alguma do sucedido para a sua esposa Vera quando despertou desse maléfico sonho.  
A anciã pesquisou o meio-ambiente para ter a certeza de que nenhum espírito estava presente naquele instante, apesar de saber ser até mesmo impossível a pessoa se ver livre durante dia e noite dos “encostos” inoportunos, onda cada alma procura entender o de melhor que há para a sua salvação incorpórea. Um frio intenso se aplacou tão de repente fazendo as três pessoas se encolherem por um instante. A ancião ainda falou:
Donana:
--- Vai-te intruso. (E parou de falar por alguns momentos) – fez ver a mulher.
Totó:
--- Quem era? – indagou preocupada.
Donana:
--- Alma penada! Ela é assim! Vai e vem! – respondeu a anciã,
Norma:
--- E o homem? O que mais ocorreu? – indagou com incerteza.
Donana:
--- O homem? Então ele me falou ter passado uma semana e, por volta das duas horas da madrugada quando Nicodemos já estava a adormecer e ter aparecido novamente a estranha visão. Era uma linda mulher, na verdade. Seus olhos passaram de um bonito castanho para um verde escuro, meio felino. Mas o seu belo sorriso passou para uma bocara demoníaca com uma terrível sensação de temor. Nesse verdadeiro instante, Nicodemos acordou com uma pulsação demasiadamente forte e ele paralisado por todos os sentidos. A mulher estava em cima dele sem conseguir de vez se mexer nem braços ou pernas e até mesmo falar. O homem se sentia paralisado. Nesse momento eu parece ter gritado e acordei a minha mulher de formas que ela se voltou na cama a perguntar o que eu sentia. Mas o homem Nicodemos nada falava de momento. Apenas a encarava como a pedir ajuda. E parecia ter sido encaixado por facas em diversas partes do corpo a um só instante. Após alguns momentos, a mulher bela e sedutora mas em forma de demônio do mal começou a se afastar. Então Nicodemos conseguiu a se mexer por outros espaços. Ele conseguiu sair daquele transe e contou o seu diabólico pesadelo à sua mulher, dona Vera.
Norma:
--- Incrível! Que horror! Era o demônio mesmo? – indagou perplexa.
Donana:
--- Não se pode dizer. Era um sonho. Bem parece um sonho irreal. Ele não contou os detalhes de momento. Apenas sentiu enorme temor em toda sua vida
Totó:
--- E a “mulher” sumiu de vez? – pesquisou de olhos bem abertos.
Donana:
--- Pelo que Nicodemos me falou, a dona ainda voltou por mais de uma vez. Umas duas ou três vezes por semana. O homem temia dormir e sempre passava a noite ainda desperto. Isso lhe tirou o bom humor. Parecia a tentação em seu corpo. E todos em sua casa começaram a padecer com esses momentos de aversão. Ele demonstrava um verdadeiro estrese e por completo momento o homem procurou se isolar dos seus parentes. Havia discussão constante entre Nicodemos, seus filhos e esposa. Como ele me contou: “a coisa ficou preta”. – e sorriu a anciã.
Norma:
--- Loucura! Ave Maria! – se debateu delirante.
Totó:
--- Nem eu! Isola! – bateu a mulher com os dedos na tabua da mesa.
Donana:
--- (A anciã sorriu para depois contar) – Ele me disse que pressentiu haver alguma coisa errada com a sua cabeça. O podia ser um caso de saúde ou coisa assim. Eu vejo bem ter havido um ato sexual no meio da história. Ele bem podia copular com a sua esposa. Mas não havia decerto o habito de tal sensação. Mas o caso continuou. E assim, Nicodemos foi bater no consultório médico “e o clínico – disse ele – me pediu uma tomografia do meu cérebro”. Então Nicodemos fez uma ressonância magnética a procura de encontrar um distúrbio do sono. E os exames não encontraram nada de relevância. Então Nicodemos resolveu revelar a natureza sexual de seus sonhos à esposa. E declarou tendo sonhos eróticos com uma “mulher”. E Vera ficou perplexa e, na verdade, a mulher sentiu muita raiva. Vera se sentiu perder terreno para uma entidade para normal, na verdade. E Nicodemos teve de procurar explicações razoáveis para o acontecido. Foi assim que ele colocou uma câmera instalada no quarto a pesquisar todos os momentos em que estava a dormir. Certa noite Nicodemos acordou sentindo agonias dolorosas parecendo que o seu corpo era colhido por imensas garras. Eu vi objetos moverem se mexendo em todo o quarto derrubando o que estava por perto. Então ele disse ter ficado muito assustado, pois os castiçais eram objetos bem pesados e não tinha sentido esse componente sair deslizado. E foi então que Nicodemos disse ter a certeza de alguém – paranormal – ter mexido no castiçal, apesar de a foto não apresentar alguém na imagem. Apesar de nenhuma explicação era plausível, portanto. E até mesmo Vera, a esposa, indagou para si o que havia de natural ou sobrenatural entre as ações ocorridas no quarto e as aparições no quintal da sua casa. Então a mulher falou ser importante buscar a ajuda do sacerdote. E o sacerdote atendeu e verificou estar havendo algo de muito errado na casa de Nicodemos. O homem estava sofrendo ataques de natureza sexual. Algo demoníaco. Algo de solução era o importante fazer. As coisas mudaram quando o padre e a sua equipe entraram no corredor onde ficava o quarto de Nicodemos. O piso estava vibrando insistente. Era uma sensação muito pesada e sufocante. Uma fúria crescendo então. A cadela começou a latir, e a equipe reteve suas energias para sentir a presença demoníaca. A procura de se sentir a comunicação com entidades anormais, como de espíritos desencarnados, foi o instante decisivo. A resposta decisiva ao se indagar de quem era a estranha força surgiu de repente. A voz declarou “Gloria a Satanás!”. É claro que Nicodemos ficou desolado o que ouvira a voz declarar pela entidade paranormal. Para o sacerdote era comum se glorificar por entidade para normais o “Senhor das Trevas”. E era então a força derradeira do legítimo senhor Satanás. Um espírito perverso e sujo. O sacerdote ordenou o Diabo a se apresentar perante ele em nome da força do Espírito Santo. O Padre ordenou com ênfase para provocar uma reação ao demônio se apresentar em nome da Virgem Maria. O pessoal de ajuda que estava em outra sala sentiu o queimar e de algo demoníaco de garras afiadas. A entidade estava furiosa por Nicodemos estar no seu encalço. Algo em baixo da cama do casal se fez presente. E foi a vez de saber ser aquele demônio era um predador sexual somente pelo que estava fazendo a seguir em uma mochila de Nicodemos que ele a utilizava quando partia para o trabalho. O predador sexual seguia o homem através da sacola que ele a levava para onde ele fosse. O súccubu é uma entidade feminina que se atrai de um espírito humano do sexo masculino. Essa sacola era o elemento natural do súccubu a trazer até a sua casa de morada. Acredita-se que súccubus foram trazidos à Terra pelos espíritos do mau. Os súccubus atacam as suas vítimas quando elas estão a adormecer. E assim como a sua vítima tendo a estar adormecida eles voltam repetidas noites. De modo que as vítimas se sentem paralisadas, subjugadas e mesmo bastante violadas. É essa entidade sombria que se alimenta do corpo da vítima. O seu propósito é a de ter sugado as forças vitais da vítima de manter então as relações sexuais. Para poder se livrar de um súccubu a vítima precisa ter forças de vontade, ter forças religiosas e do contrário ela – a vítima – pode perder a batalha. Há casos em que a entidade demoníaca domina a pessoa. E foi necessário o padre e sua equipe voltar a casa de Nicodemos outras noites para eliminar a entidade. A libertação é uma cerimônia conduzida para expulsar espíritos malignos. E na noite da libertação o padre sabia que haveria uma luta pois a entidade era muito poderosa. Seria o confronto final. Era a condução de uma batalha. Orações para libertação são do estilo para livrar a pessoa do demônio. E o sacerdote ordenou que qualquer espírito do mau que estivesse ali presente partisse depois e jamais retornasse. Disse ainda que o chão seria amarrado de vez que não pudesse por esses demônios ser subjugados de forma alguma. Porém algo maligno sentia-se presente no quarto. Mesmo com Nicodemos se sentisse impedido de fazer a prece, o homem declarou ter os demais sentido o recinto então desocupado. Era o fim do súccubu, para toda a vida.
Norma:
--- Mas, na verdade, o que é súccubu? – indagou com temor.
Donana:
--- Súccubu? Nem queira saber! – e sorriu. 


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O INFERNO - 21 -

AUDREY HEPBURN
- 21 -
- FUGAS -
Após alguns momentos de lutas, o espírito do homem findou por sair para distante e mesmo assim a velha senhora ainda se desculpou por que ele ainda estava rondando o local e a velha nada podia fazer de momento. Donana orientou a dona Totó ter em casa uma espada de São Jorge, erva muito protetora das pessoas. Orientou também a velha a Totó, ter um pé de pião roxo bem próprio daquele meio ambiente e de outras ervas para se purificar de vez quando se teme algo a perturbar insistente. E a anciã contou uma história vivida há tempos atrás por um homem do interior.
Donana:
--- O que eu vou te contar foi uma verdade. Certa vez, um homem jovem, Sr. Nicodemos, chegou a minha casa, ele perturbado por demais a me contar a sua vida. Dizia o homem que estava atormentado por ter tido uma visão por uma linda mulher de olhos verdes e um sorriso franco, mas de um instinto paranormal. Aquela mulher tinha uma sedução demoníaca. Ele era casado sendo pai de dois rapazes e descobriu da pior forma que mexer com o mundo paranormal pode ser perigoso. Ele estava recém-casado com a mulher de sua vida. Seu nome era Vera. Em sua existência normal ele era um homem muito carinhoso e tinha uma cadela de nome Batata como sendo um animal de estimação. Um animal como parte da família. Em breve instante, ele foi procurado por um amigo, sr. Adroaldo, para integrar um grupo paranormal com o intuito de poder ajudar as pessoas. O homem que o procurou já havia tido experiências com esses assuntos de paranormalidade. Vozes, batidas entre outras coisas em sua casa, mais diretamente em seu quarto de dormir. Os dois amigos eram conhecidos há muito tempo sendo um irmão para ele, Nicodemos. Coisa sincera de verdade. E daí por diante eles fizeram da paranormalidade uma coisa comum. Certa vez, o homem que me procurou, recebera um telefonema do dono de uma loja a comentar ter sido procurado por entidades estranhas a lhe perturbar insistentemente. Objetos a se mover como se alguém a jogar para fora. Em outros casos os objetos voavam em plena sala. E assim, o homem não se sentia bem quando estava só sem alguma pessoa. Principalmente em um local fora da casa. Então, o homem que me visitou teve de contar que após o telefonema, ele decidiu chamar o padre da Cidade por ter em mente a possibilidade de ser alguém ou algum ente paranormal. O padre era um homem decidido em manter a paranormalidade em suas visitas a muitos locais da sua Cidade. E logo sentiu de haver algo negativo com assombrações sentidas pelo segundo Nicodemos. O que chamara de depressa o primeiro homem. O que me procurou. O Padre procurou a sua auxiliar que possuía poderes mediúnicos e outra moça, uma sensitiva. A equipe foi até a casa do homem do telefonema e montou os seus equipamentos. O pessoal montou tudo em várias partes da casa. O homem que eu ajudei, ao descer para o interior de uma garagem existente, ele me disse que o ar estava tão insuportável, pesado, que quase o sufocou. Havia uma presença forte, algo maligno na garagem da casa. Gelado, por assim dizer. E ele levava um medidor de frieza que a cada vez ficava mais frio, com certeza. Era algo demoníaco o que se apresentava.
E a anciã parou por um espaço de tempo a olhar a vagar por diversos cantos do quarto de dormir de Norma procurando divisar algo de estranho ou anormal. Por vezes naquela noite, Donana teve de lutar com um espírito maligno e atormentador até por em ânsias a sua exaustiva idade, caso não poder mais segurar por muito tempo, vez ter já os seus 80 anos, quase no final de sua precária existência. A anciã, apesar de tudo, ainda era mulher de ver e ouvir seres de outras longínquas existências como se estivessem no mesmo meio em que ela estava. Fantasmas, bruxos, demônios, assombrações. Era tudo isso que anciã ainda podia combater com severidade em qualquer canto de sua esfera de vida. Ansiosa pela luta inclemente, a anciã estava a repousar um pouco mais. Enfim, Donana continuou a sua história ao falar com atenção de todos a escutar o temeroso caso.
Donana:
--- Bem. E o homem me disse: Muitos investigadores paranormais acreditam que a temperatura ambiente ao cair daquela forma indica haver uma cidade naquele meio, muitas vezes de outros tempos ou até de certos lugares. Houve um estrondo provocando um susto enorme em todos os presentes. Ninguém empurrou balde algum como o que caíra. Era uma coisa que não nos queria naquele ambiente. As perguntas foram feitas a alguém do além. Invocou-se o precioso sangue de Cristo. Perguntou-se o nome da criatura. E uma coisa me beliscou no braço. Tinha uma marca de mordida no meu braço – disse Nicodemos. Marcas de dentes no local da mordida. Então eu fiquei chocado, falou Nicodemos. Foi assustador aquele enigmático caso. Era sinal de que o espírito estava furioso. E podia ser uma grande atividade demoníaca. E o Sacerdote pensou usar em toda energia a utilizar para expulsar o demônio. Naquela hora ele sentiu enjoos horrendos. E começou a vomitar, a tremer. E foi então que reagiu. A rezar ele, com todas as forças, mandou o Satanás sair daquele ambiente. E o padre também reagiu buscado não apenas da oração, mas em todos os seus impulsos mandar embora o verdugo governando, ordenando o espírito do mau se afastar daquele ambiente não mais pertencente a ele. Naquela hora, o brado horrendo ecoou no espaço e o demônio fugiu para sempre do seu habitat. – Foi assim que me contou aquele homem, Nicodemos, quase ao delírio. – falou a anciã em ânsia profunda.
Um arrepio estremeceu a todos os presentes – dona Totó e a sua filha – fazendo cair uma panela enquanto uma gargalhada tomou o canto do quarto e sumiu para todo o sempre. As duas pessoas se sacudiram todas. Algo de horror e temeridade. Norma gritou assombrada e dona Totó clamou pela Virgem Maria entre todos os momentos de cisma. E dona Donana aquietou a todos com seu modo mortiço de falar.
Donana:
--- Calma! Calma! A visagem já foi embora! Todos tenham calma! – relatou a mulher com a sua pequena voz. Ainda ocorreu o seguinte: o padre declarou na oportunidade que ele buscou evidencias e nada mais encontrou. E nunca mais houve nenhuma ocorrência naquele solitário canto. A verdade é que nunca se sabe o que vai se encontrar quando se mexe com essas coisas. E Nicodemos me disse que nas semanas seguintes as coisas começaram a mudar um pouco. A cadela que eles tinham em casa começou a ficar agressiva. Sempre que um dos seus filhos cuidava de abraçar a sua mãe Vera, a cadela Batata começava a rosnar. Batata começava a latir e corria com temor. Normalmente Batata ficava do lado de Nicodemos a brincar com carinho. E isso não causou grande preocupação à mulher Vera ou a seu esposo Nicodemos. Mesmo assim, coisas estranhas ocorreram na casa de Nicodemos. Ouvia-se passos no corredor; a televisão ligava sem que ninguém tocasse e as luzes da casa começavam a piscar. Sombras apareciam em lugares diferentes da casa. Sem corrente de ar, a casa ficava mais friorenta.  E nem porque havia explicação para o sucedido. A cadela de Nicodemos ficava mais inquieta com os tais casos. Certa vez a cadela se aproximou do quarto de Nicodemos e começou a latir parecendo tentar avisar sobre algo estranho. Quando a dona Vera abriu a porta do quarto, a cadela Batata se recusou a entrar no recinto. De repente, Nicodemos começou a ouvir gritos vindos do seu quintal. Alguém parecia estar sendo esfaqueado ou assassinado. Era algo assustador. Parecia que ninguém percebera os gritos além de Nicodemos, foi como me contou a história. Mesmo assim, certa vez, logo após ter ouvido os gritos, a sua mulher Vera quando dormia, teve um pesadelo e algo a acordou. Mas fez tanto barulho que a mulher se levantou de imediato. Então, a senhora Vera ouviu os terríveis gritos vindo do quintal. Ela chamou o marido que, ao chegar no quintal, ouviu o grito hediondo de um verdadeiro terror. E os dois saíram com seus gravadores.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O INFERNO - 20 -

- Rachel Weisz -
- 20 -
CRISES
A velha senhora começou a falar, com sua voz mansa, dos poderes da cura de todos os males existentes na Terra. E mais: Donana lembrou dos males espirituais de seres de muito tempo já vividos e que se foram para outro período da vida. Com relação ao espirito Ivaldo a estar na casa de Norma, a velha senhora alertou ter ele ainda encostado à moça só porque ele era quando em vida, um ser de muita paixão por Norma e nunca se afastou da moça mesmo em outras gerações. No seu tempo de existência, Norma nada queria com o seu devoto conhecido, Ivaldo, apesar da insistência do referido espirito. Ambos moravam em uma região perto do rio Nera onde o homem morreu em um trágico acidente, tendo o seu corpo sido encontrado dias depois do local. Porém, a moça, no atual tempo, não sabia de coisa alguma. Naquele momento, Norma vivia atormentada por vários espíritos, inclusive de um ser chamado Lord Thomas Ryan, certa vez fora seu pai em épocas passadas, após a moça ter já existido no tempo de Ivaldo.
Donana:
--- Os senhores não terão poder para curar a moça Norma. Só em um centro espírita é possível resolver esse caso. Tudo em nome de Deus. – falou a velha senhora. E se voltou para ir embora.
O médium Paranhos ficou atônito com tudo dito para anciã dos seus 80 anos e ficou a olhar a mulher quando essa se despediu de todos. Enfim, passados alguns instantes, com todo o pessoal procurando repor a mesa com os seus acanhados objetos espalhados pelo chão da casa e então se deu por encerrado o trabalho daquela noite. Paranhos orientou a moça a ir ao Centro Espirita na noite seguinte quando ele poderia fazer uma prece em direção ao alto para normalizar a situação de Norma. Ela era uma vidente excepcional e podia muito bem ajudar os trabalhos do Centro e de outros pontos de cura existente em Natal, naquela época.
Contudo, um mau ancestral ainda vivia entre Norma. Dona Totó vivia em um bairro pobre, dos humildes da cidade e trabalhava da Fábrica de Agave, algo de maior importância das Rocas. Quem vivia no bairro das Rocas era gente humilde, em sua maior parte pescadores a busca de alto mar do seu sustento e da família. Dona Totó vivia sozinha apenas acompanhada por sua filha. Nesse momento a moça arranjara trabalho em um escritório do jeito que tudo seguia muito bem. A questão dos espíritos a lhe perseguir era um sinal anormal para todo o sempre. Desse dia em diante, a moça resolveu prosseguir como a velha senhora ditava. Ela acreditava que a nova vida teria presença maior. Todas as manhãs e a noite ela rezava para os mentores maiores, em nome de Deus e, assim, pode sentir uma melhor fase de viver.
Certa noite, quando voltava do Centro Espirita, Norma notou algo surpreendente. Em seu quarto de dormir, a sua cama estava revirada a ponto de empatar se prosseguir até ao outro lado onde estava o beco da casa. A moça ficou temerosa a ponto de estranhar por todo o mau. Ao tentar puxar a cama para o seu lado, Norma sentiu um puxão em cima do seu ombro que a vez cairão solo. De início em supôs ser a sua mãe. Mesmo assim a senhora Totó já estava na cozinha preparando o almoço do dia seguinte, e não podia ser ela. O certo é que Norma se levantou e sentiu um calafrio e arrepiamento em seus cabelos. E percebeu a figura de um velho, o mesmo velho que perseguiu por muito tempo e se dizendo o seu pai Lord Thomas Ryan em passadas gerações. Então, Norma se levantou e se benzeu com uma cruz benta de um rosário. Enfim, a moça indagou com severidade.
Norma:
--- Que você quer? Já voltou? Eu não te mandei embora velho sujo! – reprovou a moça.
Lord:
--- Você é a minha filha! Não precisa temer! – falou com voz grossa
Norma:
--- Eu não sou a sua filha! – disse a moça lhe mostrando a cruz benta.
A mãe de Norma perguntou direto da acanhada cozinha.
Totó:
--- Quem está ai, minha filha? – perguntou sem temor.
A moça demorou a responder. Então, dona Totó se acercou do quarto a filha e a notou preocupada. A moça estava com o braço estendido para o nada com uma cruz e apenas discutia, discutia. Por fim, a moça olhou para a sua mãe e declarou:
Norma:
--- É esse velho. Eu posso vê-lo! – respondeu com a cara forte de expressão.
Totó:
--- Que velho? Quem é ele? O que ele quer? – falou ao desespero.
Norma:
--- Ele diz ser meu pai. Mas não é o meu pai. Ele diz que antigamente era meu pai. Eu disse que o já mandei embora! – relatou com ênfase.
Totó:
--- Ele está com alguma arma? Facão ou espada? – indagou cheia de temor.
Norma:
--- Apenas um cão. Ele está rosnando! – respondeu a moça.
Totó:
--- Cão? Rosnando? – indagou preocupada.
Norma:
--- Ele está a ameaçar a todos! Diz que não quer ver ninguém perto de mim! O cão está rosnando cruelmente! – respondeu com ira.
Totó:
--- Virgem Maria! Tenha cuidado. Eu vou chamar Donana para tirar o safado! – reclamou com temor.
Norma:
--- Ele está zombando da velha Donana. E diz que se ela aparecer aqui, ele a estraçalha! – respondeu com bastante ira.
Totó:
--- Estraçalha? Ai meu Deus!!! O que fazer! Eu não quero ver gente morta! – referindo-se a anciã
A mulher estava assustada e começava a sentir pavor da figura imaginária por Norma. E ouviu tremerem os copos no armário dando sinal de que alguém na verdade, estava em sua casa. A lâmpada da sala se apagou e voltou a acender. A panela no fogo esborrava. Um gato soltou um estranho miado se contorcendo de medo e saiu fora da casa. Algo de errado estava a ocorrer naquele instante. Nesse instante, alguém tocou à porta. Muito nervosa, dona Totó se voltou para a saída da casa. E viu a figura encurvada da anciã Donana. Correu a frente e foi buscar a anciã lhe ditando o ocorrido. A ancião respondeu:
Donana:
--- Deixa-me ver quem é o astucioso! – falou com sua voz enigmática.
Totó:
--- Cuidado minha avó! Ele tem um cão também! – respondeu a mulher.
No meio da sala de entrada estava tudo ao desconforme como se alguém tivesse posto tudo ao relento. Na parede, o quadro de Jesus Cristo, se punha retorcido como se alguém pusesse a mão para retirá-lo. No meio do corredor, um monte de revistas estava a espalhar por todo o ermo. E da cozinha vinha a caçarola a rodar despejando todo o seu conteúdo. Jarros e copos se derramavam pelo chão na parte da segunda sala. Era tudo um horror. A ancião, com seu crucifixo e o ramo de ervas chegou a entrada do quarto de dormir a senhorita Norma e se benzeu com o seu crucifixo, puxando o cordão de São Francisco para bater no intruso.
Donana:
--- Vai-te daqui molestado! Solta a moça! Solta! – dizia isso e batia com o seu cordão como se fosse no vento.
O cordão de São Francisco batia das costas do possesso e o cão rosnava contra a velha senhora querendo estraçalha a senhora. A um só tempo o verme monstro tentava pegar a mulher e então a velhinha batia com seu cordão em cima do velho rabugento e asqueroso para sentir livre do seu algoz.
Donana:
--- Sai daí Satanás! Vai-te para ondas do mar que te persegue! – reclamava a mulher.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O INFERNO - 19 -

- CLÉO PIRES -
-19 -
ESPANTO
Não se sabia ao certo se Norma avistava o espírito do mau ou não. O mentor da sessão, senhor Paranhos, apenas aguçava os olhos para a moça como se estivesse em inquietação total. Os demais médiuns ficaram apreensivos. Em um espaço de tempo ninguém sabia o que fazer de verdade. Era um grave transtorno o qual se podia ouvir de parte da moça. Ao primeiro contato sentiu-se uma energia em volta em trevas.  
Fantasma:
--- Eu te amaldiçoarei você se rejeitar meu apelo! Vindes embora! – falava com uma voz terrível quem com Norma discorria.
Paranhos:
--- Eu não consigo ouvir o que o irmão está a falar! – discorreu o médium.
Fantasma:
--- Irmão?! Quem disse que eu sou teu irmão, vagabundo! Agora o senhor me ouve?! – falou com brutal certeza o espírito do mau.  
O médium deveras se assustou com aquela macabra voz de alguém já morto a estar a sair de uma trágica sepultura. Um frio de lhe acorreu a espinha dorsal. E o médium supôs está com se acorrentado pelas mãos cruéis frias, bárbaras e pegajosas de um cadáver vindo das profundezas do inferno. A mesa era composta por Paranhos, Mardônio e o professor Zuca, todos homens dos seus sessenta anos, além de Sócrates e a virgem Norma. Entre horrores e temor, o senhor Paranhos se despregou do obtuso ser animalesco ao ditar a forma prudente:
Paranhos:
--- Sai daqui imundo!!! Deus seja louvado! – declarou em êxtase.
Nesse momento a monstruosa figura saiu de junto do médium Paranhos e se projetou no corpo de Mardônio com unhas e dentes fazendo do segundo médium um boneco de trapo, batendo com força no homem se jogando para trás e se curvando todo como um animal apavorante e selvagem. A mesa onde os médiuns se reuniam era coberta por toalha branca tendo por cima uma Bíblia, O Livro dos Espíritos, um copo de água fluídica, uma vela sempre acesa durante àquela hora e um vaso com flores. Nesse momento, com ímpeto, a mesa começou a subir em direção ao telhado da humilde casa com todos os seus objetos a cair ao chão, a porta do sanitário a bater mais de uma vez como a se abrir e fechar, as luzes acessas na frente da casa se oscilarem, a mãe de Norma que estava no corredor da casa e se viu a cair no chão de modo inesperado e além do mais uma risada atroz a ecoar por sobre todos os circunstantes. Passados alguns minutos a mesa se despencou de uma só vez projetando-se ao chão num baque surdo e abafado. Logo após o espírito do mal se soergueu do chamo e se dirigiu a moça virgem.
Espírito:
--- Eu vim apenas te buscar para o nosso lar, maldição!!! – reclamou o espírito de forma cruel.
Os circunstantes ainda estavam se recompondo do terrível susto levado pois aquilo era visto pela primeira vez em uma sessão espírita fora de uma casa de temores. E passado alguns segundos Paranhos, o médium, declarou não ter medo daquela demonstração de poder porque o espírito de mal não tinha força contra os poderes de Deus. E ele de forma diserta declarou de uma vez:
Paranhos:
--- Vai-te daqui espírito imundo! – e jogou água fluidificada a trazer em um frasco em cima do irrequieto ser.
E rezou de vez o “Pai Nosso” como forma de admoestar o demônio. A moça Norma exacerbou- se e declarou com veemência não conhecer tal criatura.
Norma:
--- Eu te desconheço verme imundo! – clamou com profunda arrogância.
Em seu lugar, Paranhos rezava com o seu crucifixo enquanto os demais se ajeitavam à mesa e o médium Mardônio ainda estava possuído pelo estranho ser a decifrar não ter fim a vida daqueles que puderam então estarem entre os vivos. Ela continua.
Espírito:
--- As almas conseguem achar o caminho para outro plano e a senhora irá comigo! – relatou com efeito o tormentoso ser.
Norma:
--- Eu não irei e nem vos conheço seu verme! – reclamava assombrada.
O espírito gargalhou para depois se embutir no corpo do médio Mardônio e perguntar soberbo a moça com quem falava sem temer de qualquer resposta. Com ira ele prosseguiu:
Espírito:
--- A senhora desconhece quem eu sou? A senhora desconhece Ivaldo? Heim? – e gargalhou.
O silencio sepulcral caiu sobre a sala. Por mais que buscasse uma resposta coerente, a moça não se lembrava de nenhum nome como o tal. Ivaldo era um nome italiano de alguém já morto há muitas gerações. Talvez há 500 anos ou mais. Antes e depois desse tempo surgiram outros Ivaldo e mesmo assim Norma não conhecera nenhum dos tais. Nem mesmo no Brasil, onde nasceu por mera circunstância. Mas esse Ivaldo era um ser vivido há 500 anos e morreu afogado em um rio Nera afluente do rio Tibre cheio de rochas brancas. Certa vez, ele com seus 50 anos, desandou para o fundo do abismo onde encontrou a inesperada morte. Isso foi revelado pelo próprio Ivaldo ao lhe contar a versão de sua existência quando em vida.
Um porco da residência entrou pelo recinto atormentando a todos, inclusive os médiuns a estar na sala de jantar. Com os seus guinchados, o porco parecia uma fera ou um monstro do outro mundo. A moça Norma se assustou de vez e a sua mãe dona Totó se soergueu do chão onde tinha se aboletado e espantou o porco para o seu chiqueiro no terreno de trás. Tudo isso ocorreu a um só tempo. E os mentores ficaram pasmo ante tal situação. Um odor de cemitério acudiu a sala onde os médiuns estavam e, nesse instante o espírito se desfez do médium e com uma gargalhada assumiu os cantos remotos de onde ele havia saído. O médium se benzeu e disse:
Paranhos:
--- Deus seja louvado! – e fez o sinal da cruz em seu semblante.
Passados os instantes de tormentos, todos os médiuns se aquietaram. Enquanto isso, uma pessoa estranha entrou na residência. Era a velha Donana. Muito baixa e corcunda por sua idade, a velha Donana vestia trapos. Na cabeça, um véu sem alguma marca e que estava a cair até abaixo dos ombros. Nesse instante a velha Donana declarou.  
Donana:
--- A moça não está doente. O espirito do “tinhoso” é que vem atormentar a moça. – falou com polidez.
Totó:
--- Minha avó. Acuda-me por suas preces – disse a mulher a chorar copiosamente.
Sócrates indagou à Norma se aquela idosa seria a pessoa a lhe atender cedo do dia. A virgem declarou “sim”, pois era uma mulher idosa e bem comum em fazer rezas por pessoas adoentes, tanto para crianças como adultos.
Norma:
--- É uma pessoa boníssima. Donana. – falou bem baixinho a moça
E o médium escutou a mulher idosa a explicar sobre o tormentoso caso havido pela manhã com a virgem Norma. O médium já sabia o que a senhora idosa lhe contara. Porém, ao perceber uns galhos de ervas, Paranhos indagou.
Paranhos:
--- A senhora cura com esse mato? – indagou estranhando.
Donana:
--- Quem cura é o nosso pai. As ervas abrem caminhos! – falou com uma voz ambígua.
Paranhos:
--- Entendo. Entendo. Ele abre o caminho para a cura. – relatou compreensivo
Totó:
--- Minha avó cura! Ela sabe das orações da cura! – declarou a mulher com remorso. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O INFERNO - 18 -

GRACE KELLY 
- 18 -
- ESPANTO -
O espanto atormentava sobremaneira a jovem moça a se lembrar ainda do sonho inquieto da madrugada. Ela não supunha ser de verdade aquele pesadelo. Porém, o terror foi bem maior àquela hora sombria do início da manhã. A tal demonstração da maldade e horror. As portas das casas vizinhas se abriram devagar. Os moradores comentavam o que se passava na habitação de dona Totó.
Morador:
--- Ladrões? – indagou inquieta uma das tais vizinhas com a porta um pouco fechada.
Morador 2:
--- Parece. Parece. – respondeu um homem por trás da mulher ainda vestida de trapos.
Morador 3
--- Deixa eu ver, deixa! – pedia licença a filha do casal
Assim, era o início da manhã para Norma Balistiero, assustada por tudo quanto vislumbrou em sua habitação. A moça, aturdida, pedia socorro a um dos seus vizinhos a esmurras a porta da velha e humilde casa contigua a sua. De modo impressionante a moça enxergou um cemitério antigo onde fantasmas vagavam em seus trajes tumulares. Era um mal de pessoas já mortas há centenas de anos, conforme a moça. E por isso, ele gritava pelo amor de Deus para alguém lhe proteger desses perigosos elementos mortos já há bastante tempo.
Norma:
--- Eu vi! Eu vi! Eu vi! São eles! São eles! São eles! – gritava a moça ao desespero.
O dono da casa ficou alheio aquilo que ouvira dizer por Norma àquela hora matinal. E apenas indagou com o seu rosto franzido pelo temor.
Vizinho:
--- Que ela tem? Ladrões? – indagou preocupado.
Anciã:
--- Espera! Deixa a moça contar o que viu. – falou a anciã ainda enrolada em sua coberta.
Coberta de espanto e ânsia, sempre aos gritos, Norma delirou naquilo a pronunciar ao certo e de momento afinal caiu em vômitos como se estivesse tragado algo como uma amedrontada víbora. A vidente examinou a jovem moça da cabeça aos pés e nada mais lhe declarou. Era apenas do que se tratava para falar. Diante da porta da humilde casa uma porção de gente já estava apreensiva querendo saber mais detalhes do “ladrão” misterioso. A moça arrodeou a casa de dona Ana e buscou entrar apreensiva em sua moradia.
Com mais um pouco de horas, mesmo chegando em cima da hora, Norma Balistiero chegou ao seu trabalho aonde de imediato encontrou o seu amigo Sócrates Fernandes e, então se debruçou em prantos diante do novo inexplicável ocorrido em sua mesa de trabalho.  O seu chefe ficou assombrado com tanto pranto e então indagou com precaução por temer uma reprovação qualquer:
Sócrates:
--- Que houve, menina? Algo de anormal? – indagou em espanto.
Sem consolo a moça continuava a chorar com a sua cabeça apoiada nas mãos postas em cima da escrivaninha não ouvindo além do seu desalento. O terror daquela manha ainda persistia na face de Norma como se fantasmas lhe acorressem a todo instante. Era sim, um terror estranho e por demais assustador capaz de lhe arrancar a alma. Sim! Era aquilo as portas para o além onde assombrosas causas torturavam ainda mais a mente da infante núbia. Foram preciso passar os eternos momentos para a moça de compor de verdade. E então, Norma falou com extrema reticência.
Norma:
--- Meu pai e uma porção de terríveis monstros surgiram em minha habitação. – falou com angustiosos prantos.
E então a virgem contou o sucedido buscando amparo em suas imensas agonias. O rapaz ouviu toda a história e procurou acalma-la de momento até buscar a proteção de um senhor de nome Paranhos para poder ouvir a verdade do ocorrido. Paranhos era um gigante de corpo pesando mais de cem quilos e suas mãos seriam capazes de soerguer um guindaste por possuir tamanha força. Apesar de ser um gigante a sua calma destoava do seu aspecto. Um rosto aguerrido de alguém querendo o mau, Paranhos, na sua fala era um completo contraste. Falação mansa e tranquila. Durante alguns minutos ele chegou ao escritório do rapaz. De modo simples e cordial cumprimentou os que estavam presentes. A essa altura, a moça Norma já havia parado de chorar. Mesmo assim, continuava a tremer do assombro da madrugada passada. Com um instante de conversa, Paranhos iniciou o diálogo com a moça e ela teve que recontar todo o ocorrido a começar pelo havido momentos antes, no dia anterior quando esteve com o rapaz, Sócrates Fernandes. Todos os detalhes foram expostos. E depois de ouvir o imenso relado, o homenzarrão assobiou por temor e logo falou:
Paranhos:
--- Vamos lá. Se a senhorita permitir nós estaremos em vossa casa logo mais no início da noite. – falou com muita calma.
O dia correu tranquilo apesar da moça está com “uma pulga atrás da orelha” à espera da temível noite quando podia ocorrer novas tentativas de aparições de fantasmas. O dia se tornou calmo passando a chuva fina do início da manhã. As moradias onde habitava Norma era de uma pobreza incrível. Apenas empregados da Estrada de Ferro, mecânicos de automóveis, sapateiros entre os demais de ofícios desiguais, como dona Totó. A mulher trabalhava numa firma de agave e talvez esse fosse o melhor emprego dos demais, afora o pessoal da Rede Ferroviária ou de alguns estabelecimentos bancários. O certo é que as sete horas da noite Paranhos, Sócrates e alguns outros membros do círculo estariam em casa de Norma para fazer uma sessão de obrigação contra os “encostos” ou de seres notadamente malévolos.
Então, as sete horas da noite, os membros da Mesa Branca estavam reunidos em uma sessão silenciosa. Na mesa estava um copo de água fluidificada, uma porção de terra de cemitério – em caso de haver a presença de espíritos do mau – e rosas de enfeites com velas acessas. Ao início dos trabalhos começou por desvendar o mistério da aparição de seres horrendos e malévolos da manhã naquela humilde residência. No estranho e soturno ambiente surgiu uma figura de um fantasma rompendo todas as coisas ao seu redor, inclusive a parede da sala. A moça Norma estremeceu de pavor ao ver de perto a figura horrorosa a buscar odiosidades.  E declarou, em êxtase:
Norma:
--- É ele! É ele! É ele! – falou alucinada ao ver a figura estranha.
Paranhos:
--- Silêncio. Vejamos o que ele quer! – respondeu o chefe dos médiuns.
Fantasma:
--- Isso é o que os senhores pensam. Eu procuro apenas essa mulher! Ela é minha mulher! Apenas só minha!!! – vociferou a aparição buscando atentar a moça Norma.
E em arrebatamento a moça delirou com todo o seu poder enfraquecido. Ela jamais conhecera tal horrenda criatura. Em desespero total, Norma gritou extasiada.
Norma:
--- Sai daqui seu monstro!!! Sai daqui!!! – gritou em delírio.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O INFERNO - 17 -

JENNIFER LAWRENCE
- 17 -
TERROR
De forma repentina, Norma acordou assustada com a visagem que tivera de um homem dizendo apenas ser o seu pai em outras gerações. O seu coração pulsava de modo alucinado e o suor lhe dominava a face. O seu cômodo onde dormia estava às escuras. Uma luz se projetava de um lado de trás da cozinha. A sua mãe talvez dormisse sossegada em outro cômodo, pois a calma da madrugada provinha a plena e total tranquilidade. Um rato passou por entre o camiseiro e a parede com a porta ainda casualmente fechada, provocando em Norma um leve temor com tal inquieto barulho. Ela olhou o rato a sair com pressa e nada fez. Da cobertura da casa descia um véu de teia de aranha junto a parede que dava para o oitão onde havia um muro. Norma olhou a névoa de repente e se estremeceu como jamais vira o tal véu. A escuridão da noite fazia o véu da aranha algo impressionante. Um gato pulou em cima do cômodo próximo a cama derrubando um vidro de perfume e isso fez maior desastre no escuro noturno da madrugada.  Um vento morno correu por entre portas e arcadas da casa soltando um uivo tal qual um sedento lobo. Em instantes ouviu-se um cão latir forte por alguma coisa qualquer. O terror louco fez tremer a moça por pressentir um redemoinho em sua volta como se alguém estivesse partindo para o escuro luto do sem fim.
Norma:
--- Mãe? – gritou estremecida toda nervosa.
A mulher demorou a responde diante das frequentes chamadas da sua filha. Por certo período, entrou no quarto vizinho ao seu a mulher toda coberta de trapos e se envergando por completo como se estivesse com um intenso frio. Maria Augusta era o seu nome. Porém alguém a conhecer a chamava apenas de “Totó” ou dona Totó, como era habito. Totó trabalhava em uma empresa de tecer agave e o expediente era diurno com pausa para o almoço. Sua habitação era próxima da Vila Ferroviária de Natal e o seu caminhar era feito pela rua das Oficinas da Rede Ferroviária. Quando o apito a Rede soava, era hora de começar o expediente para todos os trabalhadores, inclusive da fábrica de agave. A sua habitação ficava próxima da fábrica o que dava a oportunidade da mulher chegar logo cedo a empresa. Com um salário mínimo Totó se mantinha e a sua casa. Nesse ponto quando a filha também arranjou um trabalho no escritório a coisa ficou mais simples. O marido de Totó abandonou a casa e não deu mais notícias. A moça soube através de um espírito ter o homem arranjado um emprego de transportador, porém não houve uma explicação para o caso.
Quando dona Totó chegou ao quarto onde a filha dormia a encontrou em um assombro absoluto. Totalmente despenteada, a moça apenas gritava de espanto e horror. Aquilo era um pesadelo infernal para todos os sentidos da vida. Em pânico, Norma gritava para a sua mãe que o seu pai estava ali bem perto da mulher. E apontava com o dedo da mão em êxtase total. O cobertor da cama estava aos pandarecos e Norma saltava apavorada em cima do seu leito. E a continuar, o colchão rolou para baixo. O inferno era o mínimo que se podia aludir.
Norma:
--- É o Lorde, mãezinha! É o Lorde! – bramia a moça ao desespero.
Totó:
--- Que Lorde, menina? Tu me acordas no meio da noite para conversar besteiras? Vai dormir! Ora mais! – reclamou a mulher aborrecida com a filha.
E a moça chorava como criança agarrando-se a sua mãe com todo o espanto possível. A mulher procurava sair do entrave totalmente aborrecida. Um rato correu por entre a parede a sair pela porta do quarto. Em seguida, em sua perseguição, corria o gato. Nem demorou muito para animal estrangular o pequeno rato. Ouvia-se os gritos afiados do bicho contra o rosnar cruel do infame felino. A mulher dona Totó se espantou com a tal carnificina. E então procurou se desvencilhar das mãos de sua filha e, de chinelo na mão, seguiu os dois contendedores e abaixou o chinelo no minguado roedor. Apesar de sua determinação em ajudar o seu gato, esse foi mais rápido e saiu do local onde se encontrava, agarrando o rato pelo pescoço e se perdendo de vista de dona Totó alcançando a baixa parede da casa de duas águas, fugindo então com sua caça.
No instante seguinte, a jovem moça Norma se acercou da sua mãe, senhora Totó e pedia proteção da mulher, pois estava terrificada com o surgimento do seu antigo pai. E lhe pediu amparo:
Norma:
--- Por favor mãezinha! É verdade! Eu juro! Ele estava aqui! – rogava a moça
Totó:
--- Besteira! Vá dormir! Você está de regras? – indagou surpresa.
Então a moça caiu no choro ainda mais forte e frequente. Nada havia em comum entre uma coisa e outra. Ela havia visto o espírito do seu pai de antigas datas. Lord Thomas Connor Ryan e nada mais. E dessa vez um tanto velho e esmolambado. A imagem seguinte era um lar abandonado onde habitavam moradores nas casas velhas em ruínas a ficar bem distante o centro de uma cidade, com certeza. Lembrava a moça de túmulos assombrosos onde estariam sepultados os velhos moradores dessas soberbas residências já então nem tão arrogantes. Aquele pesadelo que assustou Norma, virou enfim realidade. Uma realidade apavorante. Do lado de fora da sua habitação um vento forte e soturno se fez presente. Um ruído aterrorizante envolvia tudo o que encontrava pelo caminho e levantando voo para o alto levando todo o achado. A moça se assombrou mais ainda e gritou por sua mãe. A mulher estava à procura do gato e fez sinal de silencio para Norma.
Totó:
--- Shitt. Silêncio! Queres acordar todo o povo da rua? – disse a mulher com espanto.
Norma:
--- Que é isso? – gritou alarmada pelo vento forte.
Totó:
--- Não tá vendo que é chuva! Vá para cama! No meu quarto! E veja se dorme um pouco mais! – falou brava em voz baixa.
E Norma procurou adormecer na cama de sua mãe naquela madrugada terrível. Ela não podia conciliar o sono. As cinco e meia dona Totó levantou de vez para arrumar o almoço da mocinha e levar um pouco para a sua refeição a meia jornada do trabalho, às 11 horas matinal. Dona Totó verificou a filha e a viu dormir por um pouco de tempo. Logo em seguida, com a refeição em cima da cabeça, saiu Totó a contar os passos verificando as horas, pois tinha que entrar na tecelagem de agave antes do horário previsto. Ela não perdeu o sentido em se lembrar da sua filha ainda a dormir após as horas de angustias das tempestades da madrugada. Fora de sua casa, Totó enfrentou a parca chuva do nascer do dia. Com poucos minutos, Norma se levantou da cama e buscou os afazeres domésticos. Ela não esquecera nem um pouco da visagem tida do homem a si dizer o seu antigo pai. Quando Norma estava trancada no banheiro ouviu um inquieto barulho por dentro da casa. Foi um instante rápido. A moça estremeceu de medo. Algo podia estar fazendo proezas. De repente, a moça abriu a porta do banheiro e olhou para o lado de fora. Nada havia o que repor. Um gato, com certeza, foi o que Norma supôs. Mas não era gato. Uma assombração do outro mundo estava ali, presente, a sair da catacumba nunca existido naquela região. Mas, não era aquela a região. Era um lugar dos mortos outrora bem longe de onde a moça estava. Um pesadelo demoníaco e cruel capaz de virar e destruir todas as forças presentes. Uma demonstração de pura maldade. A moça gritou de terror por causa das portas se abrindo para os degraus da morte. Era um novo pesadelo vivo. Cruel. Ao desespero, a moça correu assustada buscando as vestes a qualquer modo para se ver livre daquela aparição.
Norma:
--- (grito de terror) – Socorro! É o demônio! Socorro! – gritava ao terror da aparição.
E saiu do local do banheiro/sanitário a se trancar no quarto onde tinha o seu leito. O assombroso tirano estava ali, dentro de sua casa, em pela manhã de chuva. Em êxtase, Norma vestiu uma roupa qualquer a encontrar no armário e saiu desabalada de porta a fora em busca de algum socorro. Ouvia-se apenas o seu gritar:
Norma:
--- (gritando e chorando) – Um fantasma! Cemitérios! Cemitérios! Cemitérios! – gritava a batia com força na porta de uma casa vizinha a sua como estivesse no colapso da morte.
A dona da casa abriu a porta com muito vagar, mas a força da moça foi maior e empurrou de rojão tudo o que estava a avistar e entrou de repente e assombrada. A mulher, sua vizinha, caiu para trás e o seu marido e as filhas acorreram para atender a moça sem saber o estado real de Norma.
Homem:
--- Que foi? – perguntou com susto.
E a velha corcunda, pequena e quase muda, declarou sem muita pressa, segurando a moça pelo seu braço e se enfurnando para o seu quarto de dormir e caminhando com outras pessoas da sua casa:
Velha:
--- Pera aí. Vamos cá pra dentro. E você, sem susto, me conte a história do mal que você diz ter visto. Vamos, vamos. – caminhada a velha mulher a assegurar pelo braço a frágil donzela.
E após ouvir o contar de sua história, a moça chorava copiosamente ante o tenebroso assombro por ela vivido a tão cedo do dia. No quarto da velha senhora não entrava ninguém, pois a mulher, Donana tinha trancado com o ferrolho a única porta de entrada. O verdadeiro nome da velhinha era Maria Ana do Coração de Jesus Macedo. Por ser um nome tão extenso, o povo de acostumou a lhe chamar de “Donana”. O tempo se passou mais ou menos rápido e a velha, com ramo de folhas que as costumava ter em seu minúsculo quarto fez uma oração de benzeu a moça a lhe recomendar ir logo à noite a um centro espírita onde poderia contar de novo a sua macabra história.