domingo, 8 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO - 07 -

- TELESCÓPIO HUBBLE -
- 07 - 

OBSERVATÓRIO

Quando despertou, Ada nem sabia mais onde estava. Para a moça tudo era escuro. Ela olhou para um lado e viu a figura quase apagada de Nina, uma doméstica da família de Carcará empregada na fazenda. Ada abriu bem a vista e indagou onde estava pois não sabia àquela hora. A doméstica teve de lhe falar que era na fazenda para onde ela tinha ido de manhã, logo cedo. Ada reclamou do escuro. A doméstica respondeu ter acesa a lâmpada. Ada observou mais um pouco e disse estar com profunda dor de cabeça.
Ada
--- Vou vomitar! - - disse e um segundo depois já estava vomitando tudo o que ingerira.
Nina
--- Faça isso. Depois eu limpo. - -   
Depois de vomitar quase tudo e ainda reclamar da dor de cabeça voltou a indagar onde estava naquela hora o senhor Gastão. A moça respondeu que ele estava sentado na entrada da casa conversado com Carcará.
Ada
--- Que vergonha eu fiz! Minha Nossa! - - e vomitou outra vez
Nina
---- Vomite. Faz bem. Depois eu limpo. - -
Ada
--- Minha roupa? Estou nua! - - falou a moça
Nina
--- Está no varal. Depois vou engomar. Agora, adormeça um pouco. Se tiver mais vontade, vomite.  - -
Ada
--- Aí minha cabeça. Estou tonta. É coisa ruim. Tudo vagueia um para um lado e para outro. Horrível! Com é teu nome? - -
Nina
--- Eu sou Nina. Sou a empregada daqui mesmo. Durma, por favor. - -
Ada
--- Prazer, Nina. Qualquer dia eu agradeço melhor pelo que me fez. - -
No dia seguinte, logo cedo da manhã, nem o sol aparecia por completo, Ada saiu de modo vagar e foi até ao banheiro. O cheiro de café despertou mais a sua gula. Coberta apenas cm uma toalha, Ada acendeu a lâmpada e abriu o chuveiro. Água fria, quase gelo lhe cobriu o seu corpo enquanto o gado mugia ao largo do terreno distante e as galinhas do terreiro faziam seus cocorejados. A carro do leite já passara há um bom tempo levando o produto em latões de tamanho regular, feitos de alumínio e carregados diretos para Usina do Leite. Saguis, macacos e aves perambulavam pelas árvores junto ao casarão. Nina já estava a pôr os alimentos dos porcos. Dona Maria tratava da mesa com a primeira refeição do dia. Carcará dava as suas primeiras orientações aos subalternos – vaqueiros e ajudantes. Alguém chegava cansado na manhã cedo do domingo.
Ajudante
--- Só deu para chegar agora! - - disse o ajudante
Carcará
--- Está se vendo! - - com o chicote na mão a bater na perna
Era com uma voz forte que Carcará dizia que não passava de uma repreensão.
Carcará
--- As botas! - - apontava para as sandálias que o servidor usava
Ajudante
--- Sim, senhor. Tiro já. - - dizia o ajudante  
O tempo passava. Às sete horas, estavam todos à mesa. Conversas eram tantas. Ada se alimentava de ovos, pães e tapioca além do café com leite. Gastão trocava conversa com Carcará.  Nina era quem servia os manjares. Maria prosseguia no fogão. Em certo tempo Ada indagou a Gastão.
Ada
--- Essa terra é toda tua? - -
Gastão
--- Sim. Por que? - -
Ada
--- Eu estava pensando. Eu tenho livros e sou cientista. Isso não vai ao caso. Ser cientista. Mas, eu notei que aqui se pode montar um Observatório. Que achas? - -
Gastão
--- Por que um Observatório? - -
Ada
--- Por que? Eu soube que o Observatório do Vaticano, apesar de tantos anos, foi fundado em 1572, ele não comporta mais em pesquisa. À boca pequena, os cientistas do Vaticano estariam propensos em se alargar mais. Claro. Isso não se diz. Mas já tem um no Chile. Dos norte-americanos. Aqui é próximo do Equador. Se você pensar bem, vai notar que aqui é um local ideal. - -
Gastão
--- Hum! Você é inteligente. Mas como eu vou saber se o Vaticano quer? - -
Ada
--- Conversando, ué! Eu sou mestra em Física Nuclear. Tenho contato com essa gente. Os daqui são devagar. Dependem da política. Então eu pensei em falar direto com o Vaticano. Eles são desconfiados. Mas se você der a terra, a construção está segura. - -
Gastão
--- Eu não entendo de nada com isso. Mas, se você está segura, de minha parte eu faço doação da terra. Eu só penso como é que você faz isso. - -
Ada
--- Não conte com os ovos que a galinha não teve.  Em primeiro lugar é pesquisar. –
Gastão
--- Concordo plenamente. Mas, aqui, na Universidade, o que eles dizem? –
Ada
--- Aqui não tem. Apenas Pernambuco e Ceará. Nos demais Estados, alguns também possuem
Gastão
--- O caso é grave. Pernambuco e Ceará? - -
Ada
--- Pois é. Para você ver. Alguns são particulares, como o Ceará. Mas, vamos a frente. - -
Gastão
--- E o que é que eu vou fazer? - -
Ada
--- Por enquanto, nada. Deixa que eu pesquiso. –
E a conversa parou nesse ponto. A moça aproveito para adentrar na mata vendo mais de perto todo o terreno que por ventura, seria de todo modo a instalação do Observatório, bem mais no alto da terra inóspita. Ada, Gastão e Carcará viraram o mundo procurando um local mais adequado para se instalar esse tal de Observatório Astronómico. A terra era imensa e o melhor seria num alto, com certeza.
Carcará
--- Ali tem um morro. - - observou
Ada
--- Eu já notei.  Longe de claridade da Cidade. –
Gastão
--- Isso mesmo. – 

sábado, 7 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO - 06 -

- SÍTIO -
- 06 -

VISITAS

A vista de Ada não parou por aí. Ela, depois de muita conversa, desceu os batentes de trás da casa grade e foi até o chiqueiro de porcos. Os cães de longe latiam apesar da interferência de dona Maria para ver se eles calavam de vez. O chiqueiro era mesmo uma porcaria como alguém já disse. O roncar dos porcos era uma loucura. De outra ocasião os menores faziam grunhidos estranhos. O mau cheiro era um horror. Ada colocou um lenço no nariz e procurou cair fora.
Ada
--- Que mau cheiro! Fica aí, porcos imundos. - - disse isso e deu no pé.
Enquanto os cães latiram sem parar, dona Maria metia-lhes um balde de água para abafar um pouco os latidos ensurdecedores. Só assim os cães calaram. Ada sorriu e em seguida foi até a porteira do curral onde podia entrar para o campo. Porém pensou nas urtigas e sentiu comichão nas suas pernas como se tivesse se urtigasse. Então, a jovem desistiu de passar de um lado para outro ficado apenas a observar com o queixo colado na trave.
Ada
--- Lindo esse gado. - -
E lembrou do seu tempo de criança quando seu pai a levava para tomar leite de vaca bem cedo da manhã onde outros ordenhadores retiravam também os leites de outras vacas, e eram muitas, para despejar nos baldes que eram levadas para a cidade grande. Um sonho muito bem maravilhoso. Nesse instante, Ada tomou um repentino susto. Uma voz lhe sussurrou aos seus ouvidos.
Gastão
--- Por que não passas? - -
Ada
--- Que susto! Chega estou tremendo! Virgem! Lá só tem urtigas! - - disse a moça levemente deseducada.
Gastão sorriu e lhe pediu desculpas pelo susto que ele provocou. E a seguir, declarou.
Gastão
--- Ali tem gados, cavalos, ovelhas, cabras e até mesmo coelhos. É o mundo todo. Você nem imagina quanto tem de terras de um lado para outro. Muita terra mesmo. - - declarou
Ada
--- Estou vendo que, pela distância, é muita terra. Para além do morro. As éguas parideiras. - -
Carcará
--- E para o outro lado é que tem. - - reparou
Ada
--- Ave Maria. Outra vez? Se um faz de um lado o outro vem fazer de outro. -- -
Gastão
--- O que foi mesmo? - - sorriu desavergonhado
Ada
--- Susto, ora! Vem você de um lado. Quando eu vejo, lá está do outro! - -
Carcará
--- Desculpe! Não foi por mal. Mas vamos seguir até mais dentro. Deixe eu puxar a cancela. –
Ada
--- Tem urtiga! Já estou me coçando só em ver.
Carcará
--- Isso é Cansanção ou “ora pro nobis”! Não faz mal algum! A urina é um bom remédio. - - sorriu
Ada
--- Eu? Mijar das calças? Nunca! - - falou assombrada
Carcará
--- É um bom remédio. Passa logo a coceira. - - alertou
Ada
--- E eu vou para o mato? Onde fica? Aí eu firo a bunda! - - temendo
Carcará
--- Fere nada! Vamos! Eu mostro o caminho! - - sorriu para todos os sentidos
Gastão
--- Vamos. Não custa nada. A gente pega uns cavalos que estão na estrebaria. Vamos. –
E os cavaleiros prosseguiram viagem. Ada foi a mais prudente com o seu vestido querendo esvoaçar para qualquer lado. Os mosquitos a atrapalhar a visão. O cuspir para todo canto. Os vaqueiros a tanger a boiada. Os mais afoitos que observar o que tinha por debaixo da saia. Os bem sérios nem pensava nisso. Enfim, os três rodearam o campo por toda sua extensão de cabo a rabo de tamanho.
Ada
--- Espera. Isso não acaba nunca? - -
Gastão
--- Nem chegamos na metade da terra. - - sorriu
Ada
--- Danou-se. Um calor dos infernos. Nem vento faz. Vou voltar. - -
Carcará sorriu e quando acabou ele falou
Carcará
--- Moça. Isso é terra. Terra muita. E a senhora pode ser a dona. Quem sabe? - - gargalhou
Gastão
--- Deixa ela! - - gracejou
Ada
--- Eu? Nem morta! - - abanando por causa do calor.
Ao voltarem os três cavaleiros, já bastante suados, pelo menos Ada, cansada de tanto trotear, enfim, desceram no curral dos equinos. Ada seguiu em frente, direto para o banheiro para se refrescar da tormenta de cavalgar pelas terras dos senhores. Após se limpar sentiu-se bem melhor. A água do moinho ou cata-vento era uma deliciosa passagem do quente para o frio. Já quase pelas 11 horas, Ada sorriu por tudo o que fizera. Nem as urtigas pinicaram, enfim. Pudera! Ela nem pisou em algum mato de urtiga braba. Após ligeira conversa foi servido o almoço. E a moça, faminta em sou por onde começar. Feijão de corda, carne seca e assada, porco. Uma delícia. Servida por uma criatura ainda não vista chama por Nina, Ada de refez da gastura.
Nina
--- Quer mais galinha? - - - indagou a ajudante
Ada
--- Não. Para mim, chega. Eu estou farta. - - disse isso de boca cheia
Maria
--- Quer vinho? - - indagou com a amostra na mão
Ada
--- Isso aceito. Vinho. Delicioso vinho! - -
Gastão
--- Tem muito. A adega está cheia. Pode beber. - -
Ada
--- Deixa experimentar. - -
E tragou um gole, mais outro, e outro mais. Enfim já estava a zarolhar a conversar asneiras com Gastão a sustentar a carga.
Gastão
--- Mas um gole. - -
Ada
--- Quero beber a saúde das vacas! - - e delirou caindo de bruços na mesa 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO - 05 -

- FAZENDA -
- 05 -
FIM DE SEMANA

No fim de semana, Gastão convidou Ada para que pudessem ir até à fazendo que possuía, nas cercanias do município de Macaíba, um lugar ainda ermo com estrada na fase de estudos. O Governo não tinha recursos para bancar com asfalto apesar de algum tempo matérias estarem concluídas. E quem viajava para o interior e Estados do Sul e do Norte enfrentava depressões incríveis, empurrando para um lado e para outro os caminhões de cargas e ônibus de passageiros além dos carros e carroças. Isso deixaria quem viajava por demais apreensivo. Ao chegarem no sítio, Gastão e Ada de bom humor saltaram de vez.
Gastão
--- É aqui a Fazenda. Saltemos! - - falou delicado
Um homem se aproximou da porteira com o sorriso na face e chapéu de couro na cabeça. No peito, um gibão. Ada ainda deu tempo a perguntar.
Ada
--- Quem é o homem? - - baixinho
Gastão
--- Carcará é o nome dele. - - respondeu
Ada
--- Carcará? Que nome! - - assustada
Gastão
--- Carcará! Pega, mata e come. - - respondeu sorrindo
Carcará
--- Bom dia patrão. Chegou cedo.  Bons ventos os tragam. - - sorriu também para Ada
Gastão
--- Carcará velho de guerra! É Carcará ou Isaias? - -
Carcará
--- Carcará mesmo, patrão. Quem é a moça bonita? - - se dirigiu a Ada
Ada
--- Obrigada por chamar de “bonita”. Sou Ada, ao seu dispor. - - sorridente
Gastão
--- Ela é cientista. A moça das estrelas! - - gracejou
Carcará
--- Ah. Bom. Velo que a senhora sabe onde está a Estrela D’alva! - - a apertou-lhe a mão
Ala
--- É Vênus, um planeta. Ele reflete o brilho do Sol. Sendo planeta, não tem luz própria. –
Carcará
--- Eu não entendo disso. O que é planeta? - -
Ada
--- É igual a Terra, onde nós vivemos. Nosso planeta não tem luz. - -
Carcará
--- Ê lasqueira! A senhora me confundiu todo. Eu só entendo de vacas. - - sorriu
Gastão
--- E como vai Maria? - -
Carcará
--- Está na cozinha fazendo o café, assando bolo e tapioca. - - sorriu
Gastão
--- Tapioca! Se for molhada é ainda melhor. - -
Carcará
--- Ora está! Vamos entrar. Você, menina, venha também. E se tiver vontade, vá ver a casa. - -
E os três subiram os degraus de madeira para se postar na varanda. A moça pediu licença e foi ver a casa grande. Era um casarão e tanto. Mobiliário de Jacarandá na sala de entrada, com mesas fornidas, cadeiras, estantes e até um oratório. Ada admirou e lembrou da casa do seu avô, em Pau dos Ferros.
Ada
--- Parecida com o casarão do meu avô.
E levantou a mesa sem a menor possibilidade de arrancar do chão
Ada
--- Pesada mesmo. Parece a de Padre Cícero, no Canindé. Deixa ficar. - -
Dalí Ada saiu para mais para dentro da casa grande contando inclusive as portas imensas feitas de uma madeira grosa e chegou a sala de jantar onde havia outra mesa também pesada. Ela sustentou por um pouco e notou seu peso. Além da mesa tinha estantes, uma janela para o oitão que já estava totalmente aberta. Feita de uma madeira fornida, a janela abria e fechava em duas bandas. Ada verificou o beco para onde a janela abria. Galinhas, pato, guinés, perus entre porcos e cães de raça. No mesmo instante, dois cães latiram forte para Ada. E continuaram a latir mesmo após ela sair do lugar. Dois banheiros do lado direito do casarão, cortinas e finalmente a cozinha. Ali estava dona Maria coando café. Na cozinha tinha de tudo o que se precisasse. Até mesmo um moinho de café e outro de fazer bolos da carne. Ada deu bom dia o que foi correspondia, E ali começaram a conversar.
Ada
--- Muito grande a sua casa. - -
Maria
--- Não é minha. Mas muito obrigada. – - sorriu contente
Mulher de um tipo baixo, meio gorda, vestido de tecido comum sem belas cores. Assim estava a mulher a assar um pouco de pernil.
Ada
--- Isso é porco? - -
Maria
--- Sim. Você gosta?  - -
Ada
--- Ele bem assado. O cheiro invade toda a casa. - -
Maria
--- É um bicho nojento, barulhento mas gosto quando se assa no fogão de lenha. - - sorriu
Ada
--- A senhora assa tudo em fogão de lenha? - - quis saber
Maria
--- A maior parte. Quando não, cozinho em carvão. Aqui só tem apenas essas coisas.  –
Ada
--- Estou vendo. Tem lenha partida no terreiro. Daqui estou vendo. - - deu uma espiada pela janela da cozinha
Maria
--- Moleque é quem corta. - -
Ada
--- Moleque? Que é a pessoa? –
Maria
--- É um moleque mesmo. Vive no mundo da Lua. Às vezes ele desaparece. Fica uns tempos fora e depois está de volta. Enfim, não passa de um Moleque. - -  
Ada sorriu com as peripécias desse moleque.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO - 04 -

- SATURNAS -
- 04 -
MISTÉRIO 

Após a janta daquela noite, com seu quarto já todo arrumado, Ada observava a praia logo abaixo com o movimentar de gente, carros, quitandeiros, lojas de miudezas, turistas, hotéis de média classe além das tradicionais mulheres da zona tendo a seu lado, a fumar seu cachimbo, o homem Gastão levando a vida sem mais nada. Nesse ponto Ada viu uma estrela cadente por breve instante.
Ada
--- Um meteoro. – - apontou do Céu para a terra.
Gastão
--- Estrela cadente! - - retirou o cachimbo da boca para falar.
Ada
--- É como se chama. Deixa um risco de luz quando cai.
Gastão
--- Dizem que quando você vê uma estrela-cadente, um pedido seu será realizado. - - colocou de volta o cachimbo à boca.
Sentado em uma cadeira de balanço, voltada para trás, o homem segurava-se com uma das pernas presa no terraço. A noite era branda com o movimento na praia e quem estava longe, lá em cima, na estrada, podia ver tudo em volta até a rua mais para traz conhecida por Rua do Motor
Ada
--- Que rua é aquela? - - indagou
Gastão
--- Qual? Ah! Rua do Motor. - -
Ada
--- Motor? - - estranhando
Gastão
--- Sim. Era como se chamava a rua no tempo antigo. Ali, não tinha nada de progresso a não ser um motor para puxar água que abastecia aos moradores. Povo humilde. Aliás, na rua ainda mora gente pobre. Não tem nenhum edifício. Houve um tempo que uma caixa d’água se rompeu e destruiu parte da rua, em baixo. Mas continua sendo chamada Rua do Motor. - - apagou o cachimbo e o guardou no bolso da calça
Ada
--- Histórias que o povo nem sabe. - - disse a moça escorada na parte alta do edifício olhando apenas para baixo
Gastão
--- Uma outra coisa. A Religião. Como você muito bem, para a maioria das pessoas é mais fácil desenhar a realidade e criar um mito em vez de buscar uma explicação clara e lógica para as grandes questões da humanidade. - -
Ada
--- Entendo. Isso é verdade. - -
Gastão
--- É assim que surgem as religiões. A grande confusão na religião babilônica, grega, egípcia e romana sobre as falsas crenças e rituais católicos. No dia 25 de dezembro era conhecido no Império Romano como o solstício de Inverno. Era comemorado o dia do Deus Sol sobre a Lua. –
Ada
--- Ouvi falar. - -
Gastão
--- A Saturnais, festa romana celebrada em dezembro, oferecia um modelo dessa criação dessa celebração. Havia os banquetes, a troca de presentes e a queima de velas. Nos países europeus seus habitantes decoravam suas casas com luzes de todos os tipos, para celebrar o solstício de Inverno. - -
Ada
--- E a Árvore de Natal? - - quis saber
Gastão
--- Muito bem. A Árvore é um ato comum entre os europeus pagãos. A presença da Árvore, em dezembro, representa a presença da entidade celebrada no dia 25. O Deus Tamuz ou Deus dos Sumérios conhecido como Dumuzi. E pelos egípcios, como Hórus. - -
Ada
--- Nesse caso, tem vários Deuses? - -
Gastão
--- Sim. Vários Deuses. No dia 25 tem se dedicado ao nascimento de Hórus nascido da Deusa Isis, a Virgem Mãe que continuou sendo virgem mesmo depois do parto. A palavra Natal é derivada de o verbo “nascer”, como se define no latim: natális.
Ada
--- Nessa eu passo! - - gargalhou
Gastão
--- Noite Feliz, diz a canção. Mas, nem todos tem uma noite feliz. Desastres, acidentes, afogamentos, assassinatos, espancamento, separações de casais, brigas. O número de suicídios acelera muito mais nessa época. Para os Shopimcenter, essa grande festa é um negócio e dos mais afortunados. - -
Ada
--- Em uma cidade paulista teve um caso de um homem que matou sua ex-esposa, um filho e mais dez pessoas. Horrível! Em seguida disparou a arma contra a própria cabeça- - relatou
Gastão
--- Como você pode ver. Voltando a história. Em nenhuma parte da Bíblia, do Novo Testamento, inclusive, encontra-se a data do nascimento de Jesus. Essa festividade surgiu em tempos de novas Religiões, como a Católica e a Protestante de Martinho Lutero, inclusive, e foi parar nos Shopping Center a promover o sistema capitalista. - -
Ada
--- Mas tem de tudo num Shopping. - - vibrou
Gastão
--- Isso é verdade. Antigamente nós comprávamos em Mercado Público, nos quitandeiros, nas lojas da grã-finagem. Artigos ruins e carros. Mas era em uma loja de grã-fino, o que se vai fazer?
Ada
--- Meu pai contava que em Natal tinha uma loja já feita para grã-finos. A Loja 4.400. Mas durou pouco tempo. Um incêndio a destruiu por completo, na Ribeira. - - alegou
Gastão
--- É verdade. Também ouvi falar. Até pouco tempo tinha seus escombros. Ainda hoje a Ribeira é um pardieiro. Na verdade, tudo isso vem de um falso deus babilônico que em vez de adquirir, ele rejeita. Não religião judaica tem a festa da pascoa. É comemorada no primeiro domingo depois da Lua Cheia. - -
Ada
--- Nunca entendi direito essa festa. - -
Gastão
--- No tempo de Roma, era comemorado o Tempo da Primavera. A Deusa Estore. Também se comemora a Deusa Babilônica Isthar, da Suméria. A Deusa da Lua. A pascoa é uma versão da pascoa judaica, como eu já disse. As lebres e os coelhos são o símbolo da fertilidade em celebrações pagãs relacionadas com a Primavera, tanto na Europa como no Oriente Médio. - -
Ada
--- Eu pensava diferente. Tem uma música que diz: “Coelhinho da pascoa que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim. Coelhinho da páscoa, que cor eles têm? Azul, Amarelo, Vermelho também”. - - e dançou para marcar a cadência da melodia
Gastão
--- É linda essa melodia. Ela é cantada por crianças do tempo da primavera. Tem mais estrofes.
E sorriu contente. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO - 03 -

PENNY LANE
- 03 -

PENNY LANE

Na segunda-feira, o dia seguinte, Ava estava desperta. Eram 5 e 30 da manhã. Gastão havia ido tomar ducha. Ela o esperava, apesar de ter dois banheiros no AP. Manhã logo cedo, Ava sentia náuseas. Ela pensava em vir morar no AP nesse dia, como prometera a Gastão. Uma decisão bem melhor do que morar em uma pensão de estudantes. Para quem tinha Diploma, certamente seria uma nova decisão. Da sala, ele ouviu um barulho. Não sabia quem. O arrastar das chinelas no meio da sala, Ava entendeu ser a governanta que chegara bem mais cedo.
Corina
--- Tem gente aqui? - - bateu na porta do quarto
Ava
--- Só eu. - - respondeu vagarosa
Corina
--- Já sabia. Gente nova, com certeza. - - disse Corina arrastando os pés.
Ava
--- Nova? Tem mais de uma? - - pensou alarmada.
Corina
--- O leite está morno. Foi tirado inda agora do peito da vaca! - - disse a mulher ao seu patrão que estava na sauna
Gastão
--- Ponha um pouco na mesa. Veja café e pães. - - gritou o homem de dentro da sauna
Corina
--- Ora basta! Quer me ensinar? - - indagou abusada
Gastão
--- Só estou dizendo. Tem visita na casa. - - alertou
Corina
--- Já sei. Pensa que eu não vi? - - indagou de mau humor
Gastão
--- Só estou informando. É uma doutora. Chegou de São Paulo. Eu ofereci aposentos. –
Corina
--- Já sei. Não precisa gritar. - - respondeu
Da ducha vieram sorrisos imensos.
Após alguns minutos, Ada já estava pronta da cabeça aos pés, mas sem calcinhas. Essa peça estava úmida por ter Ada que lavá-la. E então ficou sem a veste intima. Nem por isso, ela se incomodava. Com certeza, na Itália, as moças não vestiam esses trajes. O mesmo ocorria em São Paulo e no mesmo interior do seu Estado. Não importava cor. Preta, branca ou vermelha. No momento ter ou não calcinha pouco importava. Seis horas, o café estava pronto. Ela conversou asneiras para com o seu venerável mestre, o Gastão. De sua parte, a robusta empregada vinha e voltava com seus passos miúdos a servir o que merecia ser feito. Gastão pôs um DVD com André Rieu a tocar.
Ada
--- Música? - - inquietou-se
Gastão
--- André Rieu. Tenho várias. Música erudita, por sinal, Nana Mouskouri, Blues. Conheces? - -
Ada
--- Sim. Mas não tanto. Penny Lane, em Liverpool, imortalizada pelos Beatles. Penny Lane é nome de rua. Rua Penny Lane. Ou seja, “Beco do Vintém”. Quando os Beatles fizeram a melodia, nada havia por lá. Era um beco comum, dizia meu avô. - - sorriu
Gastão
--- Era como o Beco da Lama. No passado, há anos, nada havia no beco. Moradias e muita lama a escorrer com destino ao bairro da Ribeira. Como era um beco de lama ficou sendo chamado assim: Beco da Lama. Coincide com Beco do Vintém. Beco de Homens que faziam meia-sola em sapatos.
Ada
--- Em cada pais temos casos semelhantes. Matança, local de sacrificar o gado. Pescado onde se vende peixe. Tocos, onde se tirava pés de paus e ficava apenas o toco, um pedaço da mata.
Gastão
--- Aqui, na cidade, você encontra desses nomes. Quintas! Você sabe o que é? - -
Ada
--- Não. Explique. - -
Gastão
--- Quando o Rei de Portugal ofereceu terras no Brasil aos senhores, o Rei exigia o pagamento da Quinta parte do lucro obtido. Daí o nome Quintas ou mesmo Quinta-Parte. Nunca ninguém pagou ao Rei. - - gargalhada.
Após o desjejum, ambos saíram a conversar com as sutilezas de amor, algo simples de se falar a meia luz. O carro seguiu até a pensão onde abrigava a jovem moça e a promessa de que Ada voltaria no início da noite de mala e cuia.
Ada
--- Agora eu vou para Universidade. - - risos
Á noite, como prometera, Ada chegou ao Apartamento de Gastão com a aparência de cansada por ter de arrastar o seu pacote de roupas, miçangas, sapatos entre tantas coisas. Ela entrou no AP e desajeitada ainda teve a coragem de se deitar no acolchoado para ter que repousar um pouco. De repente, dona Corina chegou de dentro do AP e quis saber.
Corina
--- Ajuda? - -
Ada
--- Estou morta. Deus me acuda. Essas tralhas pesam mais do que chumbo! Nossa Senhora! - -
E Corina arrastou o monte de coisa reclamando como podia se por tanta coisa de uma só vez.
Corina
--- É vida para carregador. Essa está cheia que só maluco pode. - - falava a mulher arrastando o saco.
Ada
--- Vamos pôr aqui por enquanto. Quando o patrão chegar, ele define. - - reclamou receosa.
Corina
--- Tem mais? - - indagou
Ada
--- Só pacotes pequenos. Sandálias, calcinhas e objetos de passar da face. - -
Corina
--- Pequeno? Haja pequeno nisso! - - e arrastou o pacote para o quarto
Com meia hora após, chegou Gastão todo animando, torcendo as mãos como que saía de uma vitoriosa campanha de bilhar. E foi de imediato perguntando
Gastão
--- Como está a festa? - - sorrindo
Ada
--- Só falta você! - - respondeu a moça com cara de não saber de nada.
Corina
--- Onde eu ponho esses negócios? - - indagou sem gracejos
Gastão
--- Vamos ver! O quarto lhe serve? - - perguntou a Ada
Ada
--- É! Pra quem não tem aonde ir, qualquer caminho é caminho! - - respondeu com cara de aflita.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SUPLÍCIO DE UM MISTÉRIO

- PINÓQUIO -
- 02 -
BECOS

Ao fim da sessão de cinema, Gastão e Ava deixaram o recinto com gente de todo tipo falando sobre a trama vista. Carros passavam de um lado para outro, casas de comércio estavam vazias porque era um dia de domingo quando não havia expediente normal e, mesmo assim, havia ainda os notívagos adormecidos pelos restos das calçadas. O calor era intenso quando Ava percebeu após de sair da sala e pegar o rumo da frente do cinema. Era como sair de um freezer e entrar em uma torradeira.
Ava
--- Do frio para o quente. - - sorriu
Gastão
--- O sol está escaldante. Vamos beber um refresco? - - indagou a sorrir.
Ava
--- Uma bebida como vinho? - - indagou a sorrir
Gastão
--- Pode ser. Vamos no Beco! - - apontou a entrada do Beco.
Ava
--- Beco? Coisa estranha! Beco mesmo? - - falou com cisma
Gastão
--- Sim. Beco da Lama. Tem um bar logo a entrada. - - declarou
Ava
--- Essa agora foi pior. - - declarou ainda mais
Ao entra no Bar, foram eles logo sendo servidos. Um homem de seus 40 anos vestindo de acordo com um barman, com uma toalha presa no braço foi por demais cortes.
Barman
--- Pois não. Vamos entrar. Sentem-se. Aqui tem uma mesa desocupada. - - sorriu por sorrir
O bar tinha duas fileiras de mesas. Um pessoal relativo. Gargalhadas se ouviam. No fim do Bar estava um outro barman a despachar para seus clientes. Tinha uma cabeça calva, por sinal. Aliais, era comum se encontrar homens de cabeça calva por toda a cidade. Parecia até que sofreram alguma epidemia na infância. O barman que servia os dois novos clientes também era calvo. Portanto, Ava nem ligou para tal efeito. Ela apenas sentou de frente para Gastão. E esse conferiu o cardápio para ver as novidades. Ostras, de preferência. Vinho seco era o que pensava.
Gastão
--- Ostras? - - se dirigiu a Ava
Ava
--- De início. Escargot, sim. Com certeza. - - sorriu
Gastão
--- Depois outros frutos do mar como caranguejos. - - destacou sorrindo
Ava
--- Caranguejos, lagostas, guaiamuns.  Ótimos crustáceos. - -  sorridente
Gastão
--- Conte-me as novidades. - -
Ava
--- Nada de importância. Nem mesmo nas estrelas. -- -
Gastão
--- Física Quântica! Verdade? O segredo descoberto por Max Planck em seus princípios da física.
Ava
--- Esse foi o início da trajetória da Física ou Mecânica Quântica. - - sorriu.
A conversa prosseguiu entre vinhos, champanha e vermute, uma mistura inebriante com assuntos delicados quando já eram duas horas da tarde. Daí então Gastão seguiu para outro ponto do estado, com Ava a gargalhar pelo vento frio a sacudir sua saia mesmo dentro do auto. O veículo estava com as suas janelas abertas para o gosto de Gastão a delirar com tudo o apresentado naquela ocasião. As belas coxas da mulher amada a suplicar um pouco enfim de amor sensual.  E assim, eles ficaram na chamada praia de Cotovelo, lugar ermo e distante. Entre um caso e outro, conversas brandas entre os enegrecidos rochedos, deu-se a moenda do amor.
Cinco horas da tarde o carro girou para seu retorno à cidade. A ninfa já estava adormecida quando Gastão entrou no pátio do seu Apartamento. Pouco mais das seis horas. O movimento no edifício era célere. Carros entrando e saindo. Mães em desacordo com os seus pequenos filhos. De longe, o mar, a praia já escurecida, a iluminação a neon dos imensos postes. Moças da vida alegre rodavam a bolsa em suas mãos a procura de alguém embriagado. Bus a passar no alto, correndo para chegar em baixo e retornar depois. Gastão despertou Ava para poder entrar em seu AP. Ela, meio dormindo, ainda indagou.
Ava
--- Chegamos? - -
Gastão
--- Sim. É aqui que eu moro: vendo a praia. - - disse levemente
Ava
--- Praia? Eu sinto que vou vomitar. - - disse isso enjoada
Gastão
--- Ponha para fora o que te ofende. - - sorriu o homem
Ava
--- Que horas? - -
Gastão
--- Quase sete. - -
Ava
--- Vou tomar banho. E logo! - -
Após um banho morno, a moça saiu do banheiro, enrolada em um toalhão já tremendo de frio. O homem também tomou sua ducha e voltou a sala de refeição. Pôs o café no fogo, pães, bauru e geleia. Veio, e sentou à mesa aguardando o que ainda faltava. Ava olhou bem para o homem e findou dizendo com seriedade.
Ava
--- O que você falou, é sério? - - quis saber
Gastão
--- O que? Da transferência. De você vir morar comigo? Isso é sério! É só você pegar as trouxas! Aceita? - -
Ava
--- Não sei. Tem gente aqui? - -
Gastão
--- Apenas Corina, a mulher que varre a casa. Um tipo gordo. Hoje, ela não veio. Tem mais o leiteiro. Esse só faz a entrega e some mundo afora.
Ava
--- Parentes? - -
Gastão
--- Nunca vêm. Eu sempre que vou a fazenda. Eu tenho uma fazenda perto de Macaíba. É uma terra não imensa. Crio gado, bodes entre outros animais. O senhor que cuida nunca vem aqui. Eu é que vou para ver como estão os estragos. Foi terra do meu bisavô.
Ava
--- Ah! Eu sei bem desses arranjos. Meu pai tem terras de ninguém. Nem sei quantas.
Gastão
--- É costume. Quem vai daqui para Açu, se prestar atenção, verá várias terras parecendo devolutas. –
Ava
--- Verdade. – 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SUPLICIO DE UM MISTÉRIO - 01 -

- RESTAURANTE -
- 01 -
O INÍCIO

Meio-dia de uma quinta-feira. O comércio estava ativo com o seu vai-e-vem de gente apressada pelas ruas da cidade. Ônibus, carros, motos, taxis. Tudo entulhado em um engarrafamento inconformado. Mulheres com bandejas de comidas seguiam firmes com uma touca na cabeça e um tabuleiro a sustenta-las. Um vento morno soprava sem consequência levantando as saias das menos desprovidas de agasalhos íntimos. Meninos arrastados pela mão de suas mães era um alvoroço total. Bandidos assaltam um banco. Polícia nervosa acode com sirena ligadas. Gente muita em pavor tornando a correr pelas ruas do centro. Gigante policiais, com cara de tacho. Invadem ruas a procura dos rebeldes assaltantes. Um corre-corre, e os bandidos em fuga nos seus céleres veículos. Um negociante fecha as portas de seu comercio de revista em pavor de ser também assaltado. Meio-dia de quinta feira. Chega ao restaurante o senhor Gastão. Quase tudo cheio. Homens a conversar com o ocorrido naquela hora.
Homem
--- Assalto? - - tremendo de medo
Homem 2
--- Bandidos. A polícia no encalço! - - alertou
Homem 3
--- Só queria que os matassem! - - relatou um barrigudo
Homem 4
--- Bandido bom, é bandido morto. Eles não prestam para a nada. - - relatou com asco.
Gastão pediu o menu e prontamente chegou. O garçom a postos. Mãos cruzadas para trás a espera de alguma decisão do consumidor. E logo deu a dica.
Garçom
--- Essa está ótima! - - sorriu por sorrir
Gastão indagou se toda sala estava cheia. Em resposta, o barman lhe disse que ainda tinha mesa desocupada. Uma jovem moça se aproximou. Linda moça vestindo cetim branco. O ruge-ruge de clientes se acotovelavam a comentar o assalto ao Banco. A moça olhou em volta e viu uma mesa ainda vazia. Por lá, sentou. Mãos cruzadas sob o queixo a espera de atendimento do barman. Gastão a notou. Sorriu. A moça fez o mesmo gesto. O homem ofereceu um assento em sua mesa. Ela aceitou. Num instante trocou de lugar. Gastão a cumprimentou e ela agradeceu. Seu nome era Ada.
Gastão
--- Lindo nome. Eu sou Gastão. É um prazer tê-la comigo. - - sorriu
Ada era apenas um apelido de um nome completo de Adelaide. Original do hebraico, Ada podia ter vários significados como “lugar de delícias”. Em vários dicionários, ele era definido como do germânico “Eada”.  Significado entre “ornamento e beleza” usados também no inglês
Ada
--- Gente muita. Tudo por um assalto ao Banco. - - risos
Gastão
--- Quem não tem medo? Um bando de criminosos sem futuro! Eu cheguei aqui na hora que o bando escapou! Mas, e você? Que fazes? -  sorriu
Ada
--- Eu? Nada demais. Eu estive em São Paulo. E conclui Física Nuclear apenas. - - risos
Gastão
--- Ótimo avanço. “Ora! Direis ouvir estrelas? ”  - - risos em troca.
Ada
--- Mas, eu sou do interior. Na parte oeste. Para os lados de Pau dos Ferros. Longe mesmo. - -
Gastão
--- Isso não tem a menor importância. Eu venho dos lados de Açu. E aqui me apossei no Estado.
Ada
--- Bom. Melhor do que nada. Ainda estuda? - - curiosa
Gastão
--- Eu parei. Fiz apenas Administração. Curso ruim. Podia ingressar em outros. Problemas! - - fez jeito de quem sofreu.
Ada
--- Com certeza, não achou alguém que prestasse! - - curiosa
Gastão
--- Não. Fiquei ao largo. Desisti de procurar. - - desorientado
Ada
--- Eu também fiquei ao “largo”. Não me interesso por ninguém. Onde estive só tinha casca dura.
Gastão
--- Mas você é bela. - - afetuoso
Ada
--- Um resto de alemão e inglês. Restinho, só. - - sorriu largo
Gastão
--- Comigo é Itália e Grécia. Nada mais. Meu pai continua vivo da silva. – - sorriu
Ada
--- Um bom prato. Minha família vive da criação. Não sei como. Horror! - - cara enturrada
Gastão
--- Assim vai a chama. Ingleses, alemães, italianos. Toda essa gente cria bem o seu rebanho.
Ada
--- E você? Cria algo além de piadas? - - risos –
Gastão
--- Além de piadas! Dissestes bem. Tenho uma fazenda aqui perto, em Macaíba. - - sorriu
Ada
--- Eu só criei “estrelas” e nada mais. Até que não é ruim! A gente se vendo do alto! - - e fez um gesto de cima para baixo
E a conversa prosseguiu por minutos à fora, cada qual fazendo o seu sinal de bom ou sofrível ao lago do possível. Ao final, ambos se despediram prometendo novo encontro dentro de alguns dias a mais. Ao retornar a seu apartamento, Gastão ficou curioso em saber mais ainda sobre a Física Nuclear que tanto aprendeu a estudante ou ex-estudante, vez que Ada terminara seus conhecimentos. E observou bem ser a Física Nuclear era o conhecimento dos núcleos atômicos. Geração de energia nuclear. O estudante teria que fazer viagens ao Toronto, no Canadá e em países da Europa, como a França. Ou mesmo nos Estados Unidos e China ou Rússia e Japão.
Gastão
--- Interessante! Isso é apenas o início. Daqui pra Lua tem muito passo a andar. - - cara feia. 
Os dias foram passando e Gastão não esquecia de Ada, a meiga e mimosa flor do seu rosário. Diariamente ele estava no mesmo restaurante à espera de, por um acaso encontrá-la. Noite e dias sem parar. E por nada mais a ninfa desapareceu por inteiro. Certa manhã, Gastão, para gastar o seu tempo, resolveu ir ao Cinema de Arte ver a película: “O Primeiro Milhão”. Aparentemente o que se falava esse filme tinha tudo de melhor. Pelo menos tinha título. Após verificar o cartaz, o homem resolveu entrar de vez. A surpresa maior estava para ocorrer. Dentro, na sala de esperar, Gastão avistou a então extasiante Ada. Ela conferia outros cartazes quando Gastão por algum motivo se aproximou e disse.
Gastão
--- Parece bom, esse filme! - - calado
Ada, sem prestar bem, acentuou que aquele, “O Dia Antes do Fim”, ela já assistira em São Paulo em dias outros. E se voltou para conhecer melhor a voz que a interrompera na sequência.
Ava
---Você? Como some uma pessoa? Como vai? Coincidência! Você está aqui! - - sorriu