quinta-feira, 8 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 28 -

CATACUMBAS
- 28 -
A MÉDIUM -
À noite daquele dia, Marilu foi logo cedo assistir a sessão do Centro. O relógio marcava sete horas da noite. No Centro, o pessoal se ajeitava, antes mesmo de dar início aos trabalhos mediúnicos. A luz estava acesa iluminando todo a sala. Gente chegava muito devagar a procura de um assento acolhedor até porque a sala era morna por demais, apesar de ter no teto ventiladores a espaço reduzido. Uma mulher de pouca idade, talvez seus 30 anos adentrou no ambiente. Ela e uma aparente irmã, pois as duas eram semelhantes, sendo que a segunda, era qualquer coisa mais nova. O pessoal da Mesa já estava em seus postos, calados, talvez em orações. Com um pouco mais teve início os trabalhos.  Nesse ponto, o Mentor dos trabalhos falou sobre casos mediúnicos até que chegou ao seu final. Na segunda parte, o Mentor pediu que se desligasse as lâmpadas pois naquele instante começaria, de fato, a sessão mediúnica. E tudo ficou no escuro pleno. O Médium teve que chamar a paciente que estava sentada na primeira fila junto com a sua irmã. Em seguida, solicitou a todos a fecharem os olhos, pois os trabalhos tinham começados. E todos os que estava, fecharem seus olhos; A moça, dos seus 30 anos, chamada por Alice, ficou em pé, no centro de todos. O mentor fez uma oração. Alice era médium, como se soube logo após. E ficava sempre a contar assuntos ocorridos dentro do Centro, principalmente ajuda contra espíritos malignos. E nesse dia Alice estava no templo para retirar um espirito que estava impregnado no seu corpo. Ela estava derrubada por causa do mau espírito. Estava pálida, com aparência doentia. O Mentor lhe perguntou o que estava a fazer. Ela contou a sua história, tudo o que estava ocorrendo em sua vida
Alice
--- Forças malignas me perturbam dia e noite. - - falou
Mentor
--- Como você sabe que são forças do mal? - - indagou
Alice
--- O meu marido abandou o lar, meu filho, revoltado, saiu de casa e uma sessão muito estranha me acomete. Um peso sobre os ombros cai sobre mim. - - ela falou
O Mentor pediu que a mulher, Alice, ficasse no Centro dos demais espíritas chamados para o Trabalho. E ela, obedeceu ao mentor. Ficou no centro da roda formada pelos demais.
Mentor
--- Peço que todos aqui, fechem os olhos e apenas rezem com muita força para livrar essa irmã do sofrimento.
E todos, na Sessão, atenderam ao Mentor
Mentor
--- Ninguém abra seus olhos enquanto eu expulso esse mal para o outro lado do fim.
O Mentor começou a fazer a oração para expulsar o espírito, uma mulher bem idosa, de cabelos desarrumados a cair sobre seu rosto. O Guia começou a orar forte a falar palavras diferentes igualmente com o que o espírito falava. Palavras estranhas. Nesse instante, a irmã de Alice aventurou abrir os olhos, bem devagar, e olhar em direção a visagem. E viu uma mulher de cabelos brancos e desalinhados com uma roupa preta, toda rasgada
Irma de Alice
--- Meus Deus do Céu. Isso é o demônio. - - falou em pensamento.
A velha decrépita estava ao lado de Alice. E a irmã de Alice ficou abismada com a visão. Ao sentir que a irmão de Alice não estava mais fazendo preces, começou a vir em sua direção
Velha
--- É você, hein? - - disse a idosa
Tentou estrangular a moça que, de repente fechou os seus olhos igualmente como os demais.
Guia
--- Pare aí, desumana! Eu ordeno! - - disse o guia
Então, a velha mulher despareceu de imediato. Todos ficaram abismados com a ação da mulher idosa e receberam uma prece para o seu sossego. O Guia então falou que se ele mandar para não abrir os olhos, então ninguém pode mesmo abrir os olhos durante a sessão
Guia
--- Eu disse: “Não abram os olhos! Então ninguém pode mesmo abrir os olhos”!  Aquela pessoa idosa era alguém que estava encostada em Alice. Um espírito infeliz que atrapalhava a sua vida e de sua família. Como na casa de Alice se chamava muitas palavras obscenas, aquela figura foi se encostando e ficou ao lado de Alice. - - disse.
A sessão terminou e todo saíram para as suas casas. Marilu também seguiu e, no caminho, estava Joana, a mulher de certa idade. As duas seguiram. E dona Joana falou com Marilu sobre o acontecido. E se lembre de outro caso. Joana perguntou a Marilu se podia contar o que sabia.
Marilu
--- Conte. Sou todos ouvidos. - - declarou
Joana
--- O rapaz que viveu esse dilema se lembra muito bem. É assim como se fosse um filme passar na sua mente, por conta dos detalhes ocorridos. Quão profundo foi isso. A lembrança marcou por dois motivos: por que com ele e por que alguma coisa o ajudou.
Marilu
--- Virgem! Lá vem o que não deve! - - falou em sua mente
Joana
--- Era uma sexta-feira e, no dia seguinte, ia trabalhar. Mas, conforme ele me contou, os amigos encheram o saco para ele ir a uma festa. Depois de muito insistirem ele resolveu ceder. Perto do local da festa tinha uma casa antiga. Ouviu? - -
Marilu
--- Ouvi. Conte mais. - -
Joana
--- Bem. Era uma casa que não tinha nem mendigo para dormir, não tinha nenhuma janela quebrada. Era uma casa abandonada como se tempo não tivesse passado. E o tempo em que ele passou, não desgrudou o olho da casa. Depois de um certo tempo, ele estava em outro local, só para fumantes, e viu passar uma moça muito bela. Ela estava de cabelos longos e pretos e nem usava maquiagem. Vestia uma calça jeans e uma camiseta. Uma roupa que definia bem a sua silhueta. Entendeu? - - perguntou
Marilu
--- Sim. Eu entendo. - -
Joana
--- E sentou a poucas cadeiras adiante. O rapaz passou uma meia hora ou mais apenas reparando na moça. Então, ele viu vários rapazes se oferecendo e ela agradecia por não querer sair para dançar. Em certos momentos, a moça olhava para o rapaz. Os seus olhos pareciam ter algo a mais, diferente. Um olhar tão penetrante parecendo faca quente em manteiga. E quando ela o olhou pela quarta vez, ele se decidiu em falar com a donzela. Compreendes? - - indagou
Marilu
--- Entendo, sim. - - respondeu
Joana
--- E se sentou em um banco, apesar de tremer, olhando a virgem. Ela era simples e cheia de encantos. Ela pediu duas doses de uísque o tratando com tamanha simpatia que o rapaz ficou bobo. –
Marilu sorriu com a história contada cheia de entrelinhas. E enfim, Joana seguiu em frente
Joana
--- Foi então que a virgem chamou o rapaz para saírem dali. Ele se sentiu atraído por demais e seguiu adiante. Ele sentia naquele sorriso, naquele olhar da virgem que o deixava extasiado. Nesse momento a virgem falou em um local mais calmo como a casa abandonada. Então, o rapaz arrombou a porta de trás e subiu com a virgem para o segundo andar entrando os dois num quarto apertado como se fosse um armário.
Marilu
--- Quer ver a desgraça! - - pensou a bela moça.
Joana
--- Então, dentro do armário começara a fazer sexo. A virgem, em pé mais perecia estar desesperada que parecia mais sedenta com o rapaz como se nada pudesse estancar o orgasmo. Em meio aquilo tudo, ele ouviu a porta da frente abrir e fechar como um enorme furacão. Nesse instante, a virgem sumiu de suas mãos, como por encanto. Subindo as calças, o rapaz fugiu em direção ao local da festa. O jovem, atarantado, não viu moça sair por lugar algum. Ainda hoje, o rapaz fica intrigado porque a moça fugiu da casa assim tão de repente apenas quando ele ouviu a porta bater com força. Ainda assim, por que ela o escolheu. Ouviu bem? –
Marilu
--- Ouvi. Ela era um espírito? - - indagou.
Joana
--- Sei bem que a última vez que ele viu essa moça, ele estava entrando em uma depressão. E ela apareceu e sumiu por uma rua onde ele seguia para o centro da cidade. Quem seria essa moça? Seria um Súcubo? - -
Marilu
--- Mistério! Mistério! - - respondeu amedrontada.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 27 -

- CRUZ DE CEMITÉRIO -
- 27 -
A PRAIA -

Logo à tarde, Marilu estava no Ateneu Feminino onde as alunas tinham marcado uma homenagem à diretora do colégio. Isso porque era a data de aniversário da professora Margarida, como era assim chamada. Era um alvoroço total das alunas, cada uma com seus bolos, chocolates, doces entre muitas outras coisas dadas por lembrança. Era comum se fazer festa de aniversário para as professoras no dia em que elas festejavam sua data natalícia. E sendo a diretora, a festa ainda era maior. As alunas prepararam um esquete onde apresentariam a mestra numa faz de conta, pois uma aluna faria a vez da mestra como se fosse de verdade. Gargalhadas eram francas. No vai e vem do alunado, cada qual comentava já está pronta para a festa. Enfim, era uma zoada geral. O palco, no faz de conta, fora armado com uma cortina de veludo onde as moças de idade juvenil estariam fazendo a vez da mestra. E as demais, o público assistente. O drama ainda não começara quando entrou na sala uma mocinha, muito apavorada, procurando alguém para falar. Depois de procurar, ela encontrou quem queria. E então, falou, de certo modo, sussurrando para a outra sair do local. Marilu estava presente e ouviu a colega quando chegou e ouviu quando – vamos dizer, Jurema – chamou a moça para sair do local. Curiosa, Marilu se esquivou e foi ouvir a tal conversa em um canto de parede. Logo que chegou ao local, perto de onde estava Marilu, escondida por causa de uma arvore, Jurema começou a falar um tanto assombrada.
Jurema
--- Walquíria, escute o que eu vou te contar. Não fale a ninguém. Eu vou contar só a você. Eu fui à praia ontem a noite para ver a Lua. Era noite de Lua cheia e o seu brilho iluminava com todo o resplendor o Oceano. O local estava bastante calmo e não havia, provavelmente, nem uma alma. Era 01 horas da manhã quando eu vi, caminhando, bem na beira da praia uma linda mulher a vestir um maiô um pouco alongado. Ela, a moça, tinha os cabelos longos e molhados. - -
Walquíria
--- E não tinha ninguém na praia? - - perguntou assustada.
Jurema
--- Não tinha ninguém. Mas, escute.  A moça caminhava num ritmo estranho, dando passadas para frente e para trás. Caminhava uns dois metros e depois, voltava. Ia e voltava nesse vai e vem, ali perto de mim. Era algo hipnotizante. Aquele movimento daquela, parecendo, visagem se repetia por várias vezes.
Walquíria
--- E você nem fala com ela? - - assustadíssima.
Jurema
--- Nada. Eu nem falava. Teve uma ocasião em que eu fui até mais próximo da moça e fiquei há poucos metros dela. E então ouvi e senti que não me aproximasse mais. Aquela moça, em movimento frenético de indo e voltando, a cada vez se distanciava um pouco mais. –
Walquíria
--- Nossa! Eu tinha metido a carreira. Fugia dali. - - chega se molhou de urina em plena tarde.
Jurema
--- Você está se mijando? Veja tua roupa! Então, a visagem rumou em direção de umas pedras, parecendo uma sala. E eu procurei focar a visagem com minha lanterna, porém já não via nada. A luz da minha lanterna não a alcançava. De repente, alguma coisa saiu de dentro da praia. Algo que eu não sei explicar o que foi. Algo que muito me assustou. Parecia um caranguejo gigante, de dois metros ou mais e de cor negra. Imagine só. - -
Walquíria
--- Ai meu Deus. Estou me mijando. Pera um pouco! - - e a moça se agachou para urinar de vez
Jurema
--- Estais se mijando de medo? Escute o fim a história. Eu sei que o caranguejo grande, saiu em uma velocidade imensa, entrando nas pedras distantes. Então, eu senti a força do perigo. Depois de duas horas e eu, perdido na areia, sentindo tudo aquilo, da visagem no vai e vem da escuridão, foi sumindo para longe e eu me vi alucinada. - -
Walquíria
--- Ave Maria! Tu ainda vais a praia? – - perguntou a moça sugando as calcinhas.
Jurema
--- Sei lá. Eu fiquei com muito medo. Eu sei, que hoje de manhã, entrando no meio das pedras, no canto onde terminava a praia, havia uma ruina de uma casa, mostrado a existência de cômodos de aparência muito antiga com bastante tempo. Talvez que houve gente morando naquela casa há bastante tempo.
Walquíria
--- Parece. Agora, eu sou quem não a essas praias, pelo menos à noite. - - remorso
Jurema
--- Não sei. Eu fico toda arrepiada só em lembrar da casa caída no tempo. Eu estou mais preocupada com essa horrorosa história. Isso guarda algo de sobrenatural.
Walquíria
--- Era um fantasma! Fantasma! Fantasma! - - relatou com bruto medo.
Jurema
--- Fantasma perdido, é o que eu acho! - - assombrada.
Escondida por uma árvore, Marilu ficou estarrecida com a conversa de Jurema e desse instante ficou mais quieta com respeito a informes apreensivos por espíritos de seres desencarnados. Ela sabia que à noite teria sessão no Centro e Marilu tinha a certeza de ir receber mais passes mediúnicos em favor dos desencarnados, principalmente para o seu pai e as crianças igualmente desencarnadas.
Um livro, Marilu estava lendo nas horas vagas para ter maior compreensão sobre a doutrina espírita. Algo sobre o Livro dos Médiuns. Ela queria entender a mediunidade, por excelência. Já esteve em livrarias com respeito ao Espiritismo, e adquiriu esse delicado exemplar. E deu para ler algo sobre a Cruz que um rapaz retirou e levou para a sua casa. É verdade que todos têm uma Cruz conseguida em uma loja de livros sacros e ele entrou em um cemitério a procura de algo misterioso. Por acaso ele era um rapaz do movimento gótico, desses que andam com cabelos espalhafatosos, usam bonés extravagantes, roupas sensualistas, braceletes estranhos e cinturões enegrecidos. Afinal, roupas góticas. Para dormir, usava até um caixão fúnebre. Ele era um desses. Certa vez, um dos góticos surgiu e falou para seus amigos
Mateus
--- Amantes, eu hoje vou beber no cemitério! – - disse o rapaz.
Caipora
--- Falou, lixo! - - disse outro
E o amigo saiu. Naquela hora da noite havia apenas um lugar aberto no comércio. O rapaz seguiu para o local que ainda estava de portas abertas. Mas, para se chegar na mercearia tinha que passar pelo Cemitério da cidade. Ele foi e comprou o licor na bodega e, na volta, ele teve que passar pelo Cemitério e então levou algo, como um vaso, e dar para a galera. E assim que ele pulou o muro, viu alguém que estava pelo lado de dentro, a observá-lo. Ele não teve medo do velho e perguntou
Mateus
--- E aí? Tudo bem? - -
O velho falou.
Velho
--- O que está fazendo aqui a esta hora? Está procurando alguma coisa? - -
Mateus pensou que fosse o coveiro e tentou disfarçar.
Mateus
--- Nada não! Só estava de passagem! - - respondeu
Velho
--- Você está aqui, procurando alguma coisa. Pode falar. Eu te ajudo a achar! - -
Mateus
--- Bom. Os meus amigos estiveram aqui, no Cemitério e pegaram uns anjinhos. Eu queria pegar uns anjinhos também. Sabe onde tem? - -
 O Velho sorriu e disse que sabia.  Pediu para Mateus seguir e, no caminho, perguntou.
Velho
--- Só serve anjinho? Não serve outra coisa? - -
Mateus
--- O que, por exemplo? - -
Velho
--- Que tal uma Cruz? Seus amigos vão gostar. Aquela dá para sair. É só puxar.
Então, Mateus puxou a Crus, saiu fácil botou nas costas e foi em direção para pular o muro para pular de volta. Quando ele chegou ao muro voltou para perguntar e recebeu, em resposta, que o velho não tinha que sair pois sempre estava naquele local.
Quando Mateus chegou com aquela Cruz, todo mundo – todos góticos – achou a coisa mais legal do mundo. Foi uma algazarra febril. Nesse ponto, o rapaz, dono da casa que estava tomando banho, saiu para ver o que estava a ocorrer. Então, o moço pediu para examinar aquela Cruz. Ele olhou bem e exclamou.
Rabi
--- Que merda é essa? Quem pegou isso? Tira isso da minha casa! Já! - -
Os góticos ficaram confusos e perguntaram que era o que estavam fazendo.
Rabi
--- Olha na Cruz! - -
Todos olharam e nada de mais vislumbraram. Quiseram então saber.
Rabi saiu da sala e foi até o seu quarto e pegou sua carteira de identidade e a trouxe, pondo à mesa. Estava escrito: data de nascimento dele e data de morte. Todos ficaram assustado quando perceberam que era o mesmo dia, o mesmo mês e o mesmo ano do dono da casa. A data de morte daquela cruz era exatamente a data de nascimento de Rabi. Isso é o acerto de algo do Cemitério.

terça-feira, 6 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 26 -

- TÚMULO -
- 26 -
A MORTA - 

Marilu tomou um susto de arrepiar até os cabelos dos pés, se pé tem cabelo. O velho Neco, parou por um instante em frente a um túmulo bem desgastado pelo tempo. Ali estava sepultada, com certeza, uma mulher. Isso, há muito tempo. O velho caminhou um pouco e chegou ao túmulo onde pois a sua mão. Em seguida foi dizendo que aquela catacumba tinha uma história assombrosa.
Neco
--- Quer ouvir o assombro? - -
O céu estava claro e o fotografo caminhou para mais perto onde, deveras, fotografou a catacumba. A moça Marilu sofreu um arrepio e ainda assim concordou.
Marilu
--- Pode contar, se é o caso. - -
Neco
--- É uma história de uma criança. Um tempo, um agente funerário estava a arrumar o corpo de uma criança no interior desse Cemitério. A criança tinha seus 12 anos e morrera de câncer. E o agente de enterros foi até a sala dos caixões, anexo ao restante do Cemitério. Quer ouvir mesmo? - -
A moça começou a se arrepiar mais ainda. Mas teve coragem e mandou prosseguir.
Marilu
--- Conte mesmo. Não tenho temor. - - falou com medo brutal
Neco
--- Pois bem. Nesse ponto, um ajudante foi até a sala de caixão e deixou, apenas só um seu amigo, digamos de nome Antônio que ficou dando banho no corpo da criança. Acontece que o outro rapaz, de nome Léu, sempre vê almas, no Cemitério. Então enquanto Léu dava banho na criança, foi nesse momento que Léu sentiu forte cheiro de rosas e entre os caixões empilhados ele viu uma criança. Certo? - -
Marilu
--- Certo. Continue! - - falou já desgostosa com o assunto
Neco
--- Pois bem. A visagem estava vestida de branco e tinha os cabelos loiros. E essa criança entoava uma canção de ninar. A criança cantarolava e andava por meio dos caixões. Então, o rapaz fechou os olhos e começou a rezar enquanto terminava o banho daquela criança, pedindo a Deus que aquilo desaparecesse, que fosse embora para descansar em seu lugar. Ouviu bem? - - perguntou o velho.
Marilu
--- Sim, sim. Estou ouvindo! - - disse a moça já cismada.
Neco
--- Então, aquela criança não era a mesma que ele dava banho. Era uma outra. Talvez fosse um anjo da criança que tomava banho e provavelmente tinha ido buscá-la para outro “plano”. E o rapaz disse mais que a visagem não era algo de ruim. Ele não sentia algo de ruim. Mesmo assim, o homem não conseguia controlar o medo. É verdade? –
Marilu
--- Claro. Quem não tem medo? - -
Neco sorriu e continuou.
Neco
--- É isso. Continuando. E quando Léu abriu os olhos, novamente, não havia mais criança andando pelos caixões. Apenas Antônio já havia chegado. Mas o Léu não comentou nada com Antônio até eles irem para o velório para dar início a sessão. Mas quando Léu contou todo o passado, para sua surpresa, o Antônio disse também ter ouvido o som de uma canção de ninar, como sendo de uma criança. Ouviu bem? - -
Marilu
--- Ouvi, sim. E quem já está com medo sou eu! - - tremeu.
Neco
--- Cuidado! Cuidado! Pois bem!  Mas o Antônio disse ter pensado em Leu, pois, esse moço tinha costume de brincar com os mortos. Mas quando percebeu não se tratar do amigo, ele se meteu de medo e fez uma oração silenciosa. Desde então, os dois começaram a levar mais a sério o que se passa no cemitério. E então, essa menina está aqui, bem em baixo dos meus ombros. Não é verdade Sueli? Diga para a moça! - - e sorriu para o ente que estava ali
Nesse ponto, Marilu desmaiou de verdade. E a menina, sorriu.
Canindé correu às pressas para soerguer a repórter que estava desmaiada de pavor. Ele pôs a moça nos braços e seguiu, correndo, até um canto mais ventilado. Uma mangueira, certamente. Passados alguns minutos, Marilu recobrou, aos poucos, a consciência, meio ao desconforto. E Canindé falou.
Canindé
--- Está melhor? - - perguntou suavemente
Marilu
--- Onde estou? - - perguntou a moça
Canindé
--- Aqui, no Cemitério! - -
E a moça desmaiou outra vez.  Neco, calado, apenas arranjou um copo com água e deu para Canindé salpicar no rosto de Marilu. Com isso, sem demora, a moça recobrou a consciência de vez. O motorista da redação veio às presas perguntando o que sentia a jovem. Canindé explicou que ela sofreu um desmaio
Canindé
--- Com certeza foi o calor do dia! - - explicou
O motorista seguiu as pressas para a redação com a moça meio entristecida, ele não sabia o porquê. Talvez o desmaio. Talvez ela estivesse com as regras no ponto exato. Ou algo assim. Canindé tomou a moça nos braços e ela apenas chorava como uma criança
Canindé
--- Quer ir para a sua casa? - - quis saber
Marilu
--- Não. Não. Eu estou bem. Vamos para a redação. – - disse a moça
O vento morno da manhã sacia as roupas da moça. Ela estava apenas com as suas mágoas sentidas e nada mais. Enfim se recolheu ao ombro de Canindé quase como dormindo. Logo, o motorista encostou o carro no meio-fio e parou de vez.
Motorista
--- Pronto. Chegamos. - - advertiu
Marilu
--- Deixa eu dormir um pouco. - - falou a moça
Logo mais, perto das 11 horas, Marilu estava repousada e logo pensou em uma festa que estava combinada para ser feita à professora da classe, naquela tarde. Ela pensava na festa enquanto batia à máquina sobre o caso do Cemitério. Já reconfortada, parecia até que sofrera nada naquele caminhar. A redação estava plena de repórteres, alguns com matérias do dia passado. Outros, com matérias semanais. Tinha um moço que coçava os pés um com o outro. Marilu fez gesto na boca torcendo os lábios como com certeza desaprovando o distinto. Ela enrolava o cabelo para continuar escrevendo. E assim foi à frente.
Um reporte lhe perguntou, de repente.
Repórter
--- Azeite como se escreve? Com “s” ou com “z”? - -
Marilu
--- Azeite? Com “z”. É azeite mesmo? - -
Repórter
--- Sim. Deu um “branco”. Azeite! É assim mesmo? - -
Marilu
--- Sim. É esse o nome. Azeite! É de Oliva? - -
Repórter
--- Não. É de carro! Azeite! - -
Marilu
--- De carro? - - perguntou assustada

segunda-feira, 5 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 25 -

- SARCÓFAGO -
- 25 -
FALSA MORTE


Marilu seguiu com o velho senhor perambulando pelo cemitério, conhecendo túmulos estragados, olhando para o interior de outras tumbas até que o velho Neco, de imediato, parou. A moça ficou em sobressalto porque o velho homem lhe disse algo assombroso, de modo arrepiar. Eles haviam passado por uma série de catacumbas, todas elas arrepiantes, em algumas com o cheiro de moço como se fosse avisando que ali dormiam os mortos do além vida. Marilu lembrou, naquela ocasião, da moça que ela vira toda em desalinho. E pensou não por matéria com a senhoras dos seus sonhos quando fosse fazer o texto da visita no além tumulo. E, nesse ponto o velho parou a olhar fixo para o interior da velha tumba. Após segundos, Neco falou.
Neco
--- É esse!! - - declarou sem temor.
Marilu, cheia de horror, ainda perguntou.
Marilu
--- É esse qual? - - tremendo de medo
Neco
--- A morta. É esse aqui. A mulher que passou por uma autópsia. É essa mesma! Os médicos legistas ficaram aterrorizado com o que viram. O corpo exangue de uma mulher encontrada em um porão. - -
Marilu
--- O que ocorreu com a morta? - - tremendo de pavor.
Neco
--- A mulher estava morta. Mas, mesmo assim, a morta revelou casos assustados.  A mulher trazia coisas na garganta, queimaduras, coisas difíceis de explicar. Uma coisa sobrenatural tomou conta do crematório. - -
Marilu
--- Nossa! A morta assombrava aos seres vivos? - - perguntou com temor
Neco
--- E mais! E mais! Baratas saiam de todos os buracos do cadáver. Fogos se espalhavam por todo o necrotério. Era um horror macabro. Os médicos investigavam tudo para ter certeza de onde vinha aquele sangue morto. Seja lá o que foi, aquela autopsia foi horrenda.
Marilu
--- E o senhor enterrou o cadáver? - - assustada.
Neco
--- Eu peguei o cadáver e sacudi lá dentro da catacumba. - - e bateu uma mão da outra
Com todo susto, de manhã, logo cedo, Marilu seguiu o velho para outros caminhos macabros. Se não fosse o fotografo estar por peto, ela teria ido embora em disparada, a correr como uma louca. O velho parou adiante. E apontou para um certo túmulo.
Neco
--- Este caso também a formidável. - - e sorriu
Marilu
--- Pior do que o outro? - - quis saber.
Neco
--- Mais ou menos. O defunto veio de um hospital oncológico. Quer dizer: tumor cancerígeno. A senhora sabe disso? - -
Marilu
--- Sim. Sei. Prossiga. –
Neco
--- Pois bem. O cadáver era de um senhor vindo da roça. Esse caso quase não tem cura. Nem mesmo os da cidade. Lidar com a morte em si, os médicos já têm costume. Morrem todo dia de três a quatro pessoas. –
Marilu
--- Imagino. É triste mesmo. - -
Neco
---Assim é o destino dos vivos. Certo tempo, tinha um doente com uma neoplasia maligna. Quer dizer, um câncer. O paciente já tomava sangue direto. É tanto, que o médico parou de continuar com as aplicações. O homem já estava morrendo. E o setor de enfermagem esperou o atestado de óbito para poder desligar os aparelhos. E se preparou o defunto para colocar num saco verde para mandar ao necrotério.
Marilu
--- Eu sei como se faz. Continue, por favor. - -
Neco
--- Muito bem. Quando passou mais algum, quase uma hora da tarde, outra enfermeira entrou no box para pegar uns lençóis limpos a serem usados em outra paciente. De repente a enfermeira se assustou. Viu à sua frente, que o morto estava vivo, pois o homem ainda respirava. A enfermeira teve oportunidade de ver o peito do homem se encher, como a respirar. A moça saiu, correndo, para chamar o médico, pois o morto estava vivo.
Marilu
--- Foi correria total. - - sorriu
Neco
--- Pois é. O certo é que o médico ficou de cabelo em pé com o que estava vendo. Então, os médicos tiveram que entubá-lo de novo. Mas, infelizmente, algumas horas passadas, o homem veio a óbito. –
Marilu
--- Que coisa? Morreu duas vezes! - - admirada.
Neco
--- Pelo que eu soube, ninguém sabe porque isso ocorreu. Os enfermeiros, ficaram todos arrepiados com o ocorrido. Sabe-se que alguém esteve ao lado do morto, sem que ninguém pudesse vê-lo decerto. Parece um filme. Mas, o fato ocorreu. Hoje, o homem está deitado ali, naquela catacumba. Você pensa que eu minto? - - falou sério
Marilu
--- De jeito algum. Eu procurei o senhor porque é o único que sabe contar a verdade.
Neco
--- E agora? Para onde nós iremos? - - quis saber
Marilu
--- O senhor sabe onde de enterra as crianças recém-nascidas ou mesmo com poucos anos de vida?
Neco
--- Ah, bom. Meninos e meninas. Tem logo à frente. Vamos que eu mostro! - -
Marilu
--- São muitas, as crianças? - -
Neco
--- Um certo número. Isso porque, com o tempo, nós desenterramos os corpos dos pequenos e colocamos, todos em outro campo santo.
Marilu
--- Mas, as criancinhas não ficam ressentidas? - - quis saber
Neco
--- Elas entendem. Muitas vezes já estão em fase adultas.
Marilu
--- Adultas? Como assim? - -
Neco
--- Elas evoluem. Umas, nem tanto. Porém tem as que evoluem- - explicou
Marilu
--- O senhor sabe quem estava enterrada? - -
Neco

---Olhe bem. Não se enterra. As crianças não morrem! – 

domingo, 4 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 24 -

- ASSOMBRAÇÃO -
- 24 -
CEMITÉRIO -

No dia seguinte, Marilu chegou logo cedo da manhã a procura de Lauro, o diretor geral do Jornal do Estado. E, de imediato ela entrou na sala onde Lauro trabalhava e ficou séria, de pé e nada falou no instante. O homem, batendo com o lápis na mesa, resolveu quebrar o silêncio. De repente, Lauro indagou o que ela estava a fazer ali, em pé, calada, parecendo uma estátua. Ela, então, lembrou como se estivesse esquecido do assunto a falar.
Marilu
--- Desculpe-me. Eu estava apenas a pensar. É o seguinte. Eu, ontem, fui até a uma sessão espirita. Desculpe-me por não ter contado na vez. Mas, tem um outro caso envolvido. Agora, eu queria saber se eu posso ir até o Cemitério? - -
Lauro
--- Cemitério? Fazer o que? Morreu gente da família? - - perguntou
Marilu
--- Bem. Nesse caso, morreu. Mas eu quero ir por outro motivo. Não é por morte. É que eu quero examinar as covas existentes. Alguém falou que os túmulos estavam, todos, ou quase todos, danificados. Eu quero ver para poder contar a história.
Lauro
--- Logo agora? - - perguntou preocupado
Marilu
--- Se possível, sim. Se não, eu vou mesmo para apenas verificar. - - disse moça sempre de pé.
Lauro
--- Tinha uma entrevista com o Governador. Mas, eu entendo. Eu mando outro fazer a matéria. E pode ir. Veja lá o que vai fazer! - - falou sério
Marilu
--- Pode deixar. Eu sei o que faço! Vou do carro? - -
Lauro
--- De carro? Ora merda! Está certo. Pode ir. - - azougado
A moça sorriu e saiu em debandada. Ela chamou o fotografo e o motorista da Redação saindo mais depressa que pode. O motorista perguntou para onde a moça desejava seguir, e ela respondeu.
Marilu
--- Cemitério. Eu digo para você também, Canindé. Cemitério. - -
Canindé
--- Está bem. Você é quem manda. - - respondeu
Motorista
--- Quem morreu? - - perguntou
Marilu
--- Alguém. - - respondeu
Canindé
--- Alguém! Ora merda! - - sorriu
Marilu, ao chegar, entrou pelo portão principal procurando encontra o senhor Neco, velho coveiro do único cemitério da capital. Passou por uma rua, entrou por outra, seguiu em frente, isso bem que depressa, verificando as covas que por ali estavam, e seguiu até encontrar o velho Neco. Com ele, a moça iniciou a conversa.
Marilu
--- Neco? Bom dia! Tem serviços para hoje?  - - quis saber adiando do assunto
Neco
--- Estou aguando as plantas. Ninguém vem fazer. Eu mesmo faço. - - declarou
Marilu
--- É verdade. O senhor está aqui há muitos anos, não é? - - indagou
Neco
--- Nem sei quantos. Tem outros ali, aguando também. - - se virou para mostrar
E Marilu orientou ao fotografo fazer as fotos que mais interesse tivesse. Logo após, continuou.
Marilu
--- Velho? Me diz uma coisa? Você já viu espirito vagando pelo meio do caminho? –
Neco
--- Eu? Todos os dias. Ali tem um bocado discutindo algo que lhes interessa. - - sorriu
Marilu
--- Nesse caso, eu não os vejo. E crianças? - -
Neco
--- Crianças. Está para o outro lado. Ali, olhe. Tem crianças que só abelha. - - sorriu
Marilu
--- Nem adianta dizer. Não vejo nada! - -
Neco
--- Nas tuas costas tem um. - - sorriu
Marilu
--- Minhas costas? Onde? - - e Marilu se virou para ter certeza do dito
O velho soltou o riso estranho.
Neco
--- Você precisa ter coragem. Do contrário, nunca verá. Ali, tem uma moça. Ela era metida com magia. Era morreu bem cedo. Mesmo assim, ainda teve muita impressão do passado. Morreu por causa de um pingente.
Marilu
--- Pingente? Como assim? - - perguntou assustada.
Neco
--- Sim. Um pingente que ela achou aqui no Cemitério. Ela não levou em conta, achou bonito o pingente e levou com ela para a sua casa. Ai que se deu. O pingente era de outro morto. Ele está ali, perto dela. Não é verdade, Nora? - - perguntou à moça desencarnada. A moça desencarnada parece ter respondido que sim.
Marilu
--- Eu não a vejo de forma alguma. - - respondeu Marilu.
Neco
--- Venha para esse lado. Você verá agora. Olhe firme para aquela imagem de bronze. Ela está na frente. Olhe bem. Assim. - - falou o velho
Marilu
--- Uma moça? Em frente a imagem de bronze? Não vejo ninguém! - - assustada
Neco
--- Nora. Vê se dá um jeito para que a moça daqui possa vê-la. –
Os espirito de Nora se mexeu um pouco, uma luz acinzentada como se fosse apagar, apareceu bem devagar. Moça bonita, cabelos de trança alourados, um pingente de outro no pescoço, ela, um pouco assustada, mãos encolhidas sobre o busto, roupa azul com um avental branco. Enfim, o espírito surgiu a Marilu.
Marilu
--- Êpa. Eu estou vendo a silhueta da moça. Eu vejo. Ela está assustada. Como é que pode uma coisa dessas? - - assustada.
Neco
--- A gente pode ver tudo. É só querer. --- sorriu
Marilu
--- Vou chamar o fotografo para registrar a cena. –
Neco
--- É besteira. Ela desapareceu por completo - - relatou

sábado, 3 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 23 -

- ANJOS -
- 23 -

ASSOMBROS

Naquela mesma noite, Marilu voltou para a sua casa onde morava com a sua mãe. A pessoa que ficou de ir, não sabe o porquê, ela de momento faltou. As duas mulheres, mãe e filha, conversaram por um bom tempo. Marilu relembrado a história do pai que “apareceu” na madrugada anterior. A mãe, dona Noca, não queria nem saber em assombrações, seja de quem fosse, muito menos do marido já falecido. Apesar de não querer ouvir, a filha continuou a falar. E dizia não ser assombração. Ela, na verdade, viu o vulto do seu pai, Paulo. Na, verdade a moça não lembrava de ter visto, no passado distante. Não tinha nem ideia de como ele era. E pediu um momento que sua mãe esperasse até ela contar o que se deu em uma Sessão Espírita que Marilu fora na noite daquele dia.
Noca
--- Espiritismo? Tem mais essa? - - indagou abusada.
Marilu
--- Mãe, escute, por favor. Veja bem. Quando eu já voltava do Centro, encontrei uma mulher. Ela me disse ser chamada Joana e conhecia bem a senhora. –
Noca
--- Joana? Quem é essa mulher? - - quis saber afobada.
Marilu
--- Eu não sei, mãe. Nem a conheço. Ela foi quem disse ser chamada Joana. E então nós conversamos pelo caminho.  E a mulher me contou que quando era menina de seus seis anos ela foi a um funeral, no próprio cemitério de sua cidade. - -
Noca
--- Funeral? Deus me livre! - - e bateu com a mão na tabua da mesa.
Marilu
--- Espera, mãe. Escute.  Ela contou que foi com a sua mãe, porque em sua casa morava ela e a mãe. A sua mãe era separada do marido, penso eu.  E, durante o enterro, ela deixou a sua mãe e foi brincar próximo a uma sepultura.
Noca
--- Que ver a desgraça! - - falou dona Noca
Marilu
--- Espere. Deixa eu contar. Também a senhora! Pois bem. Joana estava longe de sua mãe. Mesmo assim, a sua mãe sempre olhava para ela, dando a impressão de quem a via. Tá me entendendo? - -
Noca
--- Sim. Continue. - -
Marilu
--- Bem. E a menina – (hoje uma mulher de meia idade) – corria, dava risada, parecendo que conversava com alguém. Terminado o enterro, a mãe de Joana começava a lhe chamar. Mesmo assim a garota não atendia. Após algum tempo, Joana se virou e olhou para trás. Deu adeus a quem esteve conversando e saiu contente da vida.
Noca
--- Quer ver a desgraça!
Marilu
--- Espere, ora! E a sua mãe perguntou para a filha a quem ela estava dando “adeus”. E dona Joana, (nesse tempo era uma menina), disse que era para as crianças. Acontece que não havia ninguém onde a menina brincava. Muito menos crianças. E a sua mãe teve que voltar e viu, no lugar, as sepulturas de crianças. Ali estavam sepultadas, apenas, crianças mortas ou que nasceram sem vida. Coisas dessa natureza.
Noca
--- E você acreditou nessa história! - - perguntou dona Noca
Marilu
--- Foi ela quem contou! E eu vou duvidar? Só sei que dona Joana foi pega pelo braço por sua mãe. A mulher arrastou a menina e saiu correndo do cemitério. Ele, a mãe da menina, não quis nem explicar que ninguém estava enterrada ali. Essa história, nunca a dona Joana contou a ninguém. Só agora porque ouviu o caso que eu contei. Ela disse que eu podia acreditar. Meu pai falou comigo. –
Noca
--- Sim, senhora! Maravilhoso! Mas não me engana! - - falou a mulher um tanto abusada.
Marilu
--- Vai dizer que não acredita? Pois pergunte a dona Joana! - -
Noca
--- Acredito. Acredito. Você não contou? Ora mais! - -
Marilu
--- Minha mãe, as crianças são sensíveis. Elas podem estar vendo coisas que outros, os adultos, não conseguem ver. As crianças são mais puras, mais limpas, elas conseguem ver, até mesmo por uma questão de serem sensitivas.
Noca
--- Eu não acredito. Na minha terra, tem até cemitérios. Mas nunca ouvi falar nessas coisas. Para mim, isso é bruxaria. –
Marilu
--- E a minha avó? Nunca contou nada? - -
Noca
--- Que eu me lembre, não. Tinha uma “rezadeira” que contava dessas coisas para nossas mães. Não sei. Para mim, eu nunca vi. –
Marilu
--- Tá vendo? Tá vendo? Eu não digo? A senhora bem que sabe! - -
Noca
--- Teve um caso, que eu me lembre. A mulher foi quem contou! Mas eu não acredito nem um pingo
Marilu
--- Conte o que a mulher falou! - -
Noca
--- São coisas das antas. Ela falava que no Cemitério tem um canto onde se enterram crianças, tem uma parte onde se põe uma grade pequena, branca, e se coloca um “anjo” como guardião. Tem gente eu sente arrepios quando passa nesses locais. Para mim, eu nem me importo.
Marilu
--- Eu ainda vou passar no cemitério daqui para ver se tem essas grades.
Noca
--- Grade? É só o que tem. Tem de molho! –
Marilu
--- Não sei! Agora estou na dúvida. Eu vou falar com o meu chefe para se fazer uma matéria no cemitério qualquer dia desses.
Noca
--- Faça. Não custa nada. É só gastar sola de sapato. –
Marilu
--- Tem um homem que ele pode dar informações. Neco, é o seu nome.
Noca
--- Sabe onde ele mora? - -
Marilu
--- Penso que é lá mesmo no Cemitério.
Noca
--- Nossa! No cemitério? - -
Marilu
--- Sim. Ele vive por lá. Só sai quando vai receber pagamento. As vezes nem vai. Os outros recebem por ele. - -
Noca
--- Imagine. Ele já é defunto. Mesmo vivo. - - sorriu    

sexta-feira, 2 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 22 -

- RECORDAÇÕES -
- 22 -
LEMBRANÇAS -

Na mesma noite, Marilu esteve com um médium de nome Melquíades, um homem idoso de mais de 75 anos. Foi em uma sessão de um Centro Espirita. Acabada a reunião do pessoal que estava ali, calado, esperando os passes, a moça que também obedeceu à fila dos adeptos da religião deixou de lado os demais e procurou falar a sós com o médium. Seu caso, de início não tinha nada demais. Era apenas o seu pais que estava morto há pouco tempo e queria lhe falar com mansidão. Marilu nada sabia o que fazer.
Marilu
--- Eu cheguei de viagem e fui dormir. Quase meia noite. Então eu sonhei com meu pai. Ele já morreu. E eu nunca tinha o conhecido. Apenas em conversa com minha mãe. Ela achou que tinha meus dois anos. Parece. Mas, essa noite, eu sonhei com ele. Ele me dizia que estava sempre ao meu lado. E me pediu para olhar para à direita, pois estava ali, sempre ao meu lado. Foi isso. - - falou tremendo não sabe nem por que.
Melquíades
--- E agora? - - indagou
Marilu
--- Agora? Sei lá. Eu apenas queria saber se isso era um sonho ou verdade! - - quis saber
Melquíades
--- Bem. Eu preciso saber mais algo. Você é espirita? - -
Marilu
--- Eu? Não sei bem. Eu vim aqui porque me disseram que eu precisava de uns conselhos. E que aqui só eu poderia receber tais conselhos. Eu vim como animal entra na Igreja. É isso. –
Melquíades
--- Como animal entra na Igreja. Quer dizer: você veio porque alguém mandou! –
Marilu
--- Sim. Uma coisa assim. Entrei porque a Igreja estava aberta e as pessoas, todas, estava entrando aqui. –
Melquiades
--- Quer dizer que você não acredita em espirito? - -
Marilu
--- Não. Acreditar mesmo, não. O senhor pode me explicar?  -
Melquiades
--- Você acredita em Deus? Em Deus? Não é em Jesus. É em Deus! –
Marilu
--- Ah. Em Deus? Eu acho que sim. Pelo menos todos nós dizemos “Deus me livre”. Não é isso? Mas quem é Deus? –
Melquiades
--- Se você acredita, nem precisa perguntar. O fato é dizer “sim ou não”. Eu posso saber se você sabe dizer onde Deus está? - 
Marilu
--- Pelo que se diz, Deus, o Deus mesmo, Ele está no Céu. Então eu pergunto. Onde está esse Céu? –
Melquiades
--- Bem. Conforme a Doutrina Espírita, isso é um fenômeno mediúnico. É um universo que sempre existiu. Quer dizer, não existe morte. Em um passado nem tão distante, pois somente no ano de 1840 se destacou o caso das irmãs Fox, nos Estados Unidos. Porém, como se informa, antes mesmo das Irmãs Fox se tem o caso da Transfiguração de Jesus. E mesmo antes, temos nos Diálogos de Platão. Isso já vem há séculos. Portanto, não se apegue a Deus para ter a crença. –
Marilu
--- E como se inventa o espirito? –
Melquiades
--- O espírito não se inventa. Ele existe. Você nunca morre. Transforma-se. É uma evolução por que passa. Nasce constantemente.
Marilu
--- Quer dizer que eu não vou morrer? - -
Melquiades
--- Como matéria, não. Apenas você desdobra. Digamos que você morra. Mas isso é uma aparência. Você não morre. Você desdobra. Algo como vem de vai. –
Marilu
--- E por que todo mundo chora quando se morre?
Melquiades
--- Boa pergunta. Quando eu existo, todos me enxergam. Mas quando eu desencarno, ninguém vai mais falar comigo. Pode até pensar. Mas não fala. Esse é o caso. No entanto, se você pensar em seu pai, veja bem, você está chamando a sua pessoa. E não raro, ele está com você. –
Marilu
--- Eu posso pensar no meu pai sem vê-lo? - -
Melquiades
--- Isso, você pode. E tem mais. Ele mesmo pode vir a você, falar com você, passear com você. Tudo o que você quiser, pode ser feito. –
Marilu
--- Eu nem preciso vê-lo? –
Melquiades
--- Nem precisa. Você, notadamente, vai numa rua e, de repente encontra alguém que não tem notícia há muito. Encontra-se e fala ou não fala com a pessoa. Ambos passam e depois, os dois desaparecem. É o mesmo com o espírito.
Marilu
--- Entendi. Quer dizer que eu posso cruzar como meu pai, na rua, agora? –
Melquiades
--- Sim. Apenas você, às vezes, nem o reconhece, de imediato. Ou às vezes, também o reconhece. - -
Marilu
--- Eu, certa vez, cruzei com uma pessoa. Nós nem nos falamos. Apenas sorrimos. Logo após, alguém me disse que aquela pessoa tinha falecido há anos. Eu duvidei porque a tinha visto dias recentes. Curioso! - -
Melquiades
--- Tem casos que a pessoa não acredita. Os espíritos prefeitos. São espíritos que já ultrapassaram todas as provações ao longo de sua vida passada e atingiram o ápice do seu desenvolvimento espiritual. Esses são espíritos superiores. Então são os casos do Evolucionismo. Para o espiritismo, todos os seres humanos são médiuns. - -
Marilu
--- E o caso do meu pai? –
Melquiades
--- Eu não posso falar, agora. É preciso de estudos mais aprofundados. Você pode vir às sessões do nosso grupo. E então vai se formando e sendo capaz de voltar ao seu passado, muito mais além e encontrar as respostas para o que não tenhas dúvidas.
Marilu
--- Eu vou seguir a sua orientação. Eu quero saber de onde eu vim, com quem eu vim. Isso é importante. Pode ser que eu não tive apenas uma existência. Quem sabe? - -
Melquiades
--- Por que você me procurou, hoje? –
Marilu
--- Não sei. Mas não sei mesmo. Por que foi que eu procurei? - -
Melquiades
--- Também não sei. Tem tanta gente aqui.
Marilu
--- É mesmo. - - sorriu.