quinta-feira, 24 de julho de 2014

O INFERNO - 04

A MORTE
04

Em um dia marcado, o Centro já estava pleno de adeptos naquela noite. E também estavam presentes os amigos de Sócrates, com certeza Canindé e sua família – mãe e filha -. O tema abordado na preleção despertou significativa aceitação por parte do rapaz Canindé. Apoiado em sua mão direita ele procurou ouvir as solenes palavras do preletor com relação a morte. Segundo disse o preletor, inferno e céu são passagens inexistentes para os que morrem por um caso ou outro, sendo velho ou moço. Há espíritos felizes e infelizes e esses espíritos conforme o caso se reúnem em locais iguais ao que eles acham o mais provável. Felizes estão em seus ambientes comuns. As regiões de penas e recompensas existem apenas na imaginação do ser humano. O homem não compreende tais essências da vida, então ele busca a forma ordinária onde mais lhe convier. Céu e Inferno é uma questão de modo de conceito do homem quando vivo. Espíritos estão a existir em toda parte do Universo. Tem espíritos entre nós a nos observar de uma forma incessante. E esses espíritos podem ser do bem e do mal. Eles querem saber o que nós ainda não podemos dizer quando vivos. O dizer de Inferno não tem significado algum. Inferno, por excelência. É apenas “abaixo de ser”, algo que não se convence. Não se pode dizer: “desceu ao inferno” pois não se está em pé para coisa alguma. Estar-se em vertical. Ninguém pode dizer que desceu pois não está certo. Não se desce. É uma causa imperfeita se dizer que se está caindo ou descendo. É esta a razão.
Esse foi o texto, em grande parte, falado na sua tese o preletor. Os ouvintes – de modo especial, os pacientes enfermos de doenças psíquicas – escutaram toda a elucidação e muitos dos quais nada entenderam por ser um tema muito bem complexo. No salão de preces tinham doentes do espírito e doentes do organismo. Uma mulher de seus 40 anos, deficiente motora estava no canto do salão à frente de todos, sentada em sua cadeira de rodas. Ela sorria com frequência para tudo ou nada. Talvez essa deficiente não escutasse coisa alguma de modo a entender. Um rapaz dos seus 15 anos estava com a mulher como apoio para o seu deslocamento necessário. Em outros pontos do salão havia uma porção de debilitados. Em certo local, estava duas senhoras muito bem trajadas. Dentre as quais uma era talvez a filha da senhora bela e rica, com certeza. E nesse instante Canindé teve uma visão de alguém na parte elevada da sala onde ficava a mesa dos médiuns. A “pessoa” lhe advertia para ser um médium a receber o espírito que estava ao seu lado, na sala de orações. Canindé ficou surpreso com a visão. E foi então indagar.
Canindé:
--- Você está vendo alguém naquela sala antes do fim? – indagou preocupado a seu companheiro Sócrates.
Sócrates estava vendo apenas o preletor. E então falou a Canindé.
Sócrates:
--- Quem? O preletor? Estou sim. – respondeu.
Canindé:
--- Não. Não. Um cidadão um pouco magro, mais ao fundo, perto daquela mulher que está sentada fazendo uma oração? – fez questão em falar sobre a visão.
Sócrates:
--- Entendo. Entendo. Eu não o vejo. Mas, ele está em cima ou abaixo da mesa? – perguntou
Canindé.
--- Abaixo. Abaixo Agora ele vai saindo. Olha, olha. Ele vai para a porta do lado do beco. E diz que eu não fale com os homens de lá. Saiu. Saiu!!! – gritou apavorado. E desmaiou. 
Houve atropelos. Aurea, mãe de Canindé, de imediato socorreu o rapaz caído entre os bancos da Casa de Oração. E também vieram a mãe de Sócrates, a filha de Aurea e todo o pessoal. O preletor procurou a acalmar o público enquanto agentes da Sala chegavam tão depressa para socorrer igualmente o desacordado. Houve um atropelo generalizado em todo o recinto. Três homens acudiram Canindé e o levaram para dentro da Casa onde buscaram o socorro imediato por parte de médicos assistentes. Um meio louco então gritou no salão da Casa:
Louco:
--- É o Inferno! Ele está no Inferno! O Diabo veio busca-lo. – gritava o louco.
Nesse ponto outros homens pegaram o louco e o levaram igualmente para um salão sobe o êxtase implacável do alienado. A desordem tomou conta do ambiente enquanto o preletor rogava por calma.
No dia seguinte, pela manhã, Canindé estava em sua casa. Racilva, sua irmã, veio lhe entregar uma chávena com biscoitos e um suco de goiaba. Ele acordara, como de costume, às cinco horas da manhã ainda cheio de dúvidas por conta do ocorrido. Após um certo tempo a deitar em uma cama sendo observado por um grupo de médiuns o rapaz recobrou a consciência e sua família acompanhada do amigo Sócrates estavam em paz, pois o caso terminara sem maiores consequências. Quando recebeu o suco o jovem estava a pensar no ocorrido, uma vez nunca ter passado por tal circunstância. Na noite anterior, teve um sonho onde aparecia uma menina dos seus dez anos de idade e confabulava algo que o rapaz não mais lembrava. Houve apenas um sorriso com o qual Canindé não esquecera. Fora isso, tudo se dissipou de sua mente.
Uma notícia de jornal tratava de um caso de morte. Sempre os jornais de Natal traziam casos semelhantes. E esse era mais um. Mesmo assim, fez o jovem refletir um pouco no passado. E então se lembrava de sonhos ocorridos com ele onde sempre estava presente a menina. Enquanto isso, alguém bateu à porta. Racilva foi ver quem era.
Racilva:
--- Ó! Você? Entre. – disse a moça.
Era naquela hora da manhã o amigo Sócrates. Na noite anterior, ele teve o maior cuidado com o desmaio de Canindé, caso nunca ocorrido. A questão foi quando Canindé desse ter visto uma “pessoa” perto da mesa do Centro Espirita. E depois foi ao desmaio. Levado para a sala de recuperação, os médiuns trataram do rapaz até recobrar os sentidos. Naquela hora, Sócrates foi saber como estava passado o amigo.
Canindé:
--- Nada de mais ocorreu. Foi uma bruta síncope. Apenas eu via o sujeito me avisando qualquer coisa. Só isso. Ele desapareceu a seguir. – falou meio sem jeito.
Sócrates:
--- Essa visão é de alguém que estava a seu lado. Agora, você tem que ir com frequência ao Centro: - falou.
Canindé:
--- Por falar nisso: esse negócio de espírito. Isso eu quero dizer. Pra onde eu vou quando morrer? – indagou com desconfiança.
Sócrates:
--- Eu não sei muito. Eu estudo. E pelos relatos, os espíritos – como o seu, o meu, o da mocinha – todos: eles ficam aqui mesmo. Agora: tem alguns que seguem para outra dimensão. Veja bem: você tem um amigo que passa tempo sem vê-lo. Um tempo ele surge. Assim é o espírito. Se eu penso sempre em um amigo que já morreu, este meu amigo sempre está por aqui. – interrompeu.
Canindé.
--- Espere. Espere. Mas espírito se alimenta? – indagou surpreso
Sócrates:
--- Ah. Isso já é outra parte da História. O espírito é claro que se alimenta. Para onde ele segue, quer num hospital, se é que ele descarna de uma enfermidade ou de um acidente, ele é recebido por espíritos evoluídos e lá do hospital, ele se alimenta. Legumes, principalmente. Mas se ele desencarna de forma comum, então, ele não segue para um hospital. Ele fica abrigado em outras Colônias. O espírito sente fome, sede entre outras necessidades. Os Espíritos afirmam que em suas Colônias existem fábricas de concentrados de frutas e sopas. Esses manjares espirituais possuem gosto e aroma que não têm similar a Terra. De uma forma geral os espíritos são encaminhados para o Umbral que são sustentados pelos Espíritos Superiores. – enfatizou Sócrates
Canindé:
--- Verdade? Mas. ...quer dizer que espírito também come? – indagou alarmado.
Sócrates
--- O mundo é perfeito. Tanto no terreno quanto no espiritual. Há espíritos que seguem para outros ambientes que a Terra. Depende muito do que eles almejam.  –
Canindé:
--- E por que a gente tem medo de morrer? – indagou preocupado.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

O INFERNO - 03

ENCONTRO
03
 
Dona Célia comentou com o seu filho a situação constrangedora do rapaz, Canindé, filho de Dona Aurea, mulher conhecida de há muito pela dona da casa. Para dona Célia, o rapaz era talvez traumatizado por um motivo qualquer, pois quando menino ela já o conhecia um garoto cheio de dúvidas entre meios e outro como também sempre emudecido. Dona Aurea tivera um aborto e dona Célia não sabia bem a causa. Sabia porém, ter sido uma criança ainda de tenra idade, com gestação de três mês ou mais. Nesse tempo, Canindé era nascido com uma idade ainda precoce, talvez de uns dois anos de idade. Depois desse aborto, Aurea não mais tivera filhos ficando sempre a lamentar pela perda da criança. O seu marido, Cosme, funcionário da Rede Ferroviária estava sempre em seu posto, na cidade de São José do Mipibu e ele um homem calado. Quando vinha à capital era no fim de semana ou de 15 em 15 dias no mais tardar. O tempo passou e ele – Cosme – foi transferido para a capital ficando assim de vez. Uma garota, ela criava desde a sua infância, filha de uma sua irmã, morta de parto. Essa criança então já era de quase 18 anos e tida por Aurea como filha. E foi assim que surgiu na vida da mulher a menina já então quase moça, pois foi adotada como filha uma vez ter ficado órfã de mãe logo ao nascer.  Racílva era o seu nome. Esse era o assunto dialogado por dona Celia ao falar ter sido procurado por Aurea querendo fazer algo de positivo para o seu filho. Ela não sabia como poderia fazer de ir ao Centro, pois tinha certa vergonha de se mostrar em público.
Sócrates:
--- Vergonha? Não tem nada de vergonha. A mulher pode ir ao Centro qualquer dia. Aliás, já devia ter ido. – falou sem pressa.
Célia:
--- Mas você não poderia falar com o rapaz? – indagou a mulher.
Sócrates:
--- Não vejo razão. Mas eu posso falar com a senhora Aurea ou com o rapaz. – respondeu.
Célia:
--- Muito bem. Faça isso, faça. – pontificou de forma carinhosa. 
No dia seguinte Sócrates esteve na residência de dona Aurea em companhia de sua mãe para tentar saber o real do caso. Racílva estava presente ao encontro acompanhada do jovem Canindé. Esse, ainda com as mãos molhadas por efeito do serviço com suas imagens se fez mudo apenas falando algumas indagações feitas por Sócrates. Foi dessa forma o caso ocorrido. Por alguns instantes a mãe do rapaz delirou por não saber a causa.
Aurea:
--- Desde criança que ele é assim. Tempos passam sem falar em nada. Após um tempo, ele volta a falar. É como se fosse alguém a estar com ele. Eu não me conformo. Meu Deus! – reclamou.
Racilva:
--- Minha mãe podia estar frequentando um Centro. É bem melhor. – reclamou a moça.
Aurea:
--- Mas ele não quer, filha. – disse lenta a mulher com lágrimas.
Nesse ponto Aurea baixou a cabeça a disfarçar o choro. Celia notou. Sócrates indagou:
Sócrates:
--- Você tem sonhos? – perguntou ao rapaz.
Canindé:
--- Às vezes. Mas eu não me lembro de tudo ou de quase nada. – declarou.
Sócrates:
--- Pois isso é de grande importância para o nosso desenvolvimento. Não raro é de alguém próximo, nessa e em outras gerações. Alguém que nós conhecíamos em tempos remotos. – falou o rapaz.
Canindé:
--- Eu me lembro de um sonho. Esse sonho se repete por várias vezes. Mas eu não sei o que é. Às vezes tem uma menina nesse sonho. Eu falo com ela. Mas eu não me lembro do que eu falo. – reclamou o moço.
Sócrates:
--- Dependendo do caso, o sonho é onde a pessoa viveu, quando se trata de impressões vividas por nós mesmo sendo possível em outra geração bem além. – confirmou.
Aurea:
--- Quem é a menina? – perguntou preocupada.
Canindé:
--- Uma menina. Tem seus 10 anos. Ela sorrir, às vezes. Depois conversa comigo. Certa vez eu sonhei com a menina ela dizendo não gostar daquela garota. No sonho eu sabia quem era. Depois acordei. E não sei quem era a garota. Estórias confusas. – reclamou.
Sócrates:
--- Ela falava quem era? – indagou.
Canindé:
--- Sim. Mas, no sonho era tudo certo. Era como se eu tivesse uma namorada. Agora eu não tenho essa namorada. Podia ser alguém que eu agora não conheço. Interessante: certa vez, essa menina passava para um lado como se fosse andando e eu perguntava para onde ela ia. Então ela me respondia: “ali”. E eu voltava a conversar:
Canindé:
--- “Você não morreu?” – ele perguntava.
Canindé:
--- Então ela sorria e partia para um alto. Uma elevação. Uma calçada. Só isso. – delirou.
Sócrates:
--- É bom notar que, quando entramos em sono, despregamos nossos espíritos para andar por outros Mundos. Mesmo que seja a Terra. Porém nem sabemos onde seja. Os espíritos vagam por lugares estranhos. Sono e sonho se confundem. Tem casos de um espírito relatar ao outro espírito que ele não morreu. E que nem a morte existe. É apenas uma passagem. Os espíritos passam a viver do outro lado como se fosse alguém partindo para o outro lado do seu corpo. Você pode perceber que um espirito sempre aparece a você em uma forma jovem. Ele é belo. Nunca é horrendo. Mesmo os espíritos soberbos. Mesmo esses. – confirmou o amigo. 
Canindé:
--- Já ouvi isso. Não sei por quem. Mas já ouvi. – declarou cabisbaixo.
Sócrates:
--- Eu tenho algo a ti falar. Isso é um convite. Se você aceitar, muito bem. Se não, nada tenho a reclamar! – falou ostentoso.
Canindé:
--- Convite? De quem? – indagou surpreso.
Sócrates:
--- Bem. É um convite. Você vem comigo .... E pode ser com sua mãe, irmã ou com quem for. É no Centro Espírita. Lá, você escuta a preleção e depois toma passe. Isso você fica fazendo sempre três vezes por semana. É claro que as vezes você não pode ir. Não tem problema. Mas é aconselhável você sempre está presente. Aceita? – indagou com plena convicção.
O rapaz Canindé duvidou do convite e ficou cismado.
Canindé:
--- Convite mesmo? – indagou preocupado.


terça-feira, 22 de julho de 2014

O INFERNO - 02

SEQUÊNCIA
02
Na sequência a reunião doutrinária teve prosseguimento quando o preletor assumiu a palavra orientando aos presentes aquilo havido não fora nada demais e nem coisa do outro mundo. Há questões onde os pacientes são atormentados notadamente dia e noite ou por vezes até um dia buscar tratamento em centro espírita quando encontram um acerto na vida. Os espíritos protetores sempre estão ligados ao indivíduo desde o nascimento até a morte. Frequentemente eles seguem depois da morte, na vida espírita.
Preletor:
--- São espíritos do bem que seguem através de numerosas existências. Mas os espíritos protetores se afastam do seu protegido ao sentir os seus conselhos não serem bem aceitos. – confirmou.
E falou de casos ocorridos em diversos Centros ou mesmo fora desses com humildes pessoas notadamente quando essas se embriagam ou se tornam “mulheres da vida”, isso quando esses já estão incorporados para nova existência. Homens soberbos também são essas vítimas desse destino. Tem pessoas vindas de outros mundos, bem distantes, pois o Universo é infinito e os espíritos seguem para diversos locais, não vivendo apenas na nossa Terra.  E explicou então sobre casos de obsessão como uma enfermidade de origem espiritual.
Preletor:
--- A espiritualidade é um caso muito sério. Há regiões em nosso sistema Universo, para bem longe, de seres vindos de outros Mundos para se acercar do nosso Planeta Terra. Não é o meu intuito falar em Jesus, Dalai Lama ou Alan Kardec. Esses são espíritos de luz. Mas eu falo de espíritos pobres. Quando a gente é posta para a vida, podemos ser de um espírito ainda pobre. Nossos irmãos podem visionar um homem ou uma mulher simples, ignorante por sinal. Eles podem ser um espírito evoluído e escolhido para nascer na pobreza. Ou apenas um simples espírito o qual nada sabe. Esse é um espirito desprovido de largos conhecimentos. E mesmo pode ser um espírito vindo de Mundos distantes. – confessou o homem.
E falou mais de Carma, a teoria negativa da energia ligada ao ying e yang por estar muito unida as energias. A teoria diz que quanto mais energia negativa se tirar de si mesmo, deixando de praticar boas ações e de vez em quando praticando más ações, só o que restará no seu também serão energias boas, o que resultará em um afastamento daquilo que representa o mal e a aproximação do corpo de da alma às boas vibrações. O carma se refere que nossas ações geram em nosso futuro, tanto nesta como em outras vidas após eventuais reencarnações. Esse tal conceito adota simplesmente de causa e efeito ou ação e reação.
Ao final da sessão o pessoal buscou a saída da Casa de Orações algumas ainda chorando e sem saber a razão, outras a conversar sobre os temas apresentados e Sócrates, com certeza apressado seguia direto para a sua residência. Ele sentia um vazio no estomago talvez pela ausência do jantar ou cousa assim. Um sacerdote católico entrou em sua residência. O rapaz o observou sem muita importância. Um grupo de rapazes e moças vinha a caminho a conversar delirante cada qual a sorrir de maior prazer. Era quase esquina da rua. Gente saindo e chegando para algum lugar. Nessa parte, um moço se aproximou de Sócrates. Ele estava a vir, talvez, da Casa de Oração. Ao se acercar de Sócrates, o moço indagou:
Moço:
--- Tem cigarro? – indagou de surpresa.
O jovem Sócrates tomou um susto pois o moço se aproximou vagaroso. Ou por um motivo outro, com certeza. E como não fumava, Sócrates respondeu.
Sócrates:
--- Desculpe. Eu não fumo. – disse isso sem que nem mais.
Moço:
--- Ah. Bom. Eu já sabia. – respondeu de imediato e se largou em frentes dobrado a esquina a sua esquerda se perdendo de vista.
E Sócrates deduziu sem teima pelo pedido do moço como se tivesse sabido não ter cigarros e então pedir. De qualquer forma ele deu o caso por encerrado. Ao chegar da esquina da rua onde o moço entrou Sócrates ainda olhou para notar a displicente criatura. Porém não mais o avistara. Pelo caminho seguiam mulheres e homens vindos do Centro Espírita e o deficiente visual com seu guia seguia pelo mesmo caminho de Sócrates, tomando rumo à direita. O cego era um rapaz de cor branca, alto, cabelos macios estirados para trás como era então comum naquela época em sua cidade e nas cidades do mundo. O cego conversava com seu guia. Mesmo assim Sócrates não lhe dava a mínima atenção. O rapaz caminho até chegar antes da esquina da primeira ria a direita e na sua moradia ele costumeiramente adentrou.
Como de hábito, ele ao entrar no vão da sala notou a presença de sua irmã com o seu namorado a conversar amenidades. A irmã era Irma Fernandes, estudante do Colégio da Conceição, já no seu final de ensino. Na oportunidade Sócrates fez um “olá” para o estranho e em seguida adentrou a sala onde estava o seu pai, Gabriel, ouvindo o Rádio de casa, algo bem comum naqueles amenos dias. A mãe de Sócrates, senhora Célia Fernandes, estava em seu cômodo em um quarto arejado, folheado revistas de modas. O rapaz cumprimentou e a mulher respondeu:
Celia:
--- Susto. Já terminou? – disse a mulher ao rever o filho amado.
Sócrates:
--- Sim. Tem café? – indagou o rapaz ao responde a pergunta onde ele estava.
Célia:
--- Sim. Peça a doméstica. Ô menino! Quase me mata de susto! – falou a estremecer.
Enquanto era servido, Sócrates conversava com a sua mãe a respeito de uma mulher de nome Aurea. Essa mulher tinha um filho chamado Canindé. Ele era um rapaz retraído e levava a vida a fazer esculturas em cerâmica as quais nunca fizera negócio. Quem podia ver a sua arte apenas confabulava ser algo de modo belo nada mais.  Algumas das esculturas Canindé doava a amigos, gente que nem sabia dar valor aos modelos. Alguém, um dia, chegou a falar nos bonecos de barro, para ele tão mal feitos.
Alguém:
--- Que diabo é isso? Parece a marca do diabo! – e gargalhou à vontade.
Nem por isso Canindé relatou algo por suas criaturas de cerâmica. Afinal, era tudo o quanto gostava de fabricar nas suas horas vazias.