sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 23 -

- VISTA DO MAR -
- 23 -
DIA SEGUINTE

No dia seguinte, Othon saiu mais cedo levando na bagagem uma senhora por nome: Benigna, tamanho média e bem gorducha. Ela e um menino que o chamava de Vem. Apenas: Vem. Mas seu nome completo era Venildo. Coincidência ou não. Com eles também estava Tiago esposo de Joana, dona da casa de Rita, mulher do velho Sousa sabedor de matar tatu ou, quando era moço, de atirar com armas no Exército. Era tudo o que Sousa contava. Tiago, o motorista de caminhão tinha o habito de cuspir, mesmo não tendo saliva. Meio corcunda, não se sabe o porquê, Tiago, quando falava, sempre dizia a mesma frase: “Rapaz, você viu? ”.  Daí por diante contava sua lorota.  Othon em seu carro, chegou por volta das sete horas da manhã daquela segunda feira. Ele se comprometeu em vir almoçar no seu apartamento trazendo a comida dos demais. Os seus parentes tinham de fazer o favor para arrumar quase tudo. Se tivessem tempos, os do sítio, arranjavam tudo para aquele dia. Se não, ficaria a arrumação para o dia seguinte. Isso porque não havia pressa. E tudo isso foi cumprido. Só os equipamentos do escritório não foram mexidos. Passada a hora, Othon voltou ao meio dia e confirmou.
Othon
--- Encontrei novo apartamento. Agora, vocês só precisam fazer a mudança de casa. Vamos para Petrópolis. Tira tudo e leva p’ra lá. Eu vou até o sito confirmar com Norma. - - declarou
Tiago
--- Petrópolis é lá? - - apontou a direção da praia.
Othon
--- É lá mesmo. Espere! É melhor Norma ir lá! Ela pode não querer! Mas, a questão é que só tem esse! - - salientou
Tiago
--- Mas eu tenho que voltar para pegar o caminhão. - - declarou de olhos abertos.
Othon
--- É melhor. Volte cedo amanhã. - - declarou
No final do dia, cinco horas, Othon saiu da repartição e voltou pelo apartamento onde viu tudo arrumado. Apenas estavam dona Benígna e o garoto Venildo, o nome completo de: Vem. Os três fizeram a janta e logo após foram dormir, porque a cama de Othon ainda estava armada e os locais de dormir para os outros dois permaneciam como estavam. Aproveitando o tempo, Othon fez a faxina em seus negócios para quando o rapaz chegasse no dia seguinte encontrasse todo em ordem. Era assim para ser feito. Era chagada quase a meia-noite quando o já sonolento o homem adormeceu, por fim. Sonhos ele teve. Uma mulher a lhe dizer algo que ele não entendia muito bem. E com isso acordou. Foi necessário olhar o relógio de pulso para ele acordar de vez. Sentiu que a mulher gorda estava fazendo o café. Num ímpeto, o homem pulou da cama e foi se arrumar para logo sair com destino ao emprego, a Receita Federal fazendo sua refeição matinal como fazia todos os dias no lado de sua mulher, os meninos e a secretária Neta.
Após ditar uns recados para a senhora Benígna, como se a mulher chegasse ou de Tiago chegasse logo, ela saberia fazer o que tinha de ser feito. Logo após, pegou seu carro e sumiu. O trabalho na repartição não muito o que fazer a não ser ler as notícias do dia saída nos jornais locais.
Um caso incrível. Na tarde do dia qualquer, um rapaz encontrou no meio do caminho, próximo à Estação de Trem, uma vareta de metal pesando mais que ele supunha quando apanhou do chão. Era uma vareta talvez de cobre, de uma finura quase estranha, medindo meio centímetro de cada lado e um tamanho de cerca de setenta centímetros. O rapaz ou mesmo o garoto, pois tinha menos de 18 anos, levou consigo a vareta para coisa alguma fazer. Apenas, ele levou a vareta. Andando um pouco, o garoto encontrou um senhor de mais ou menos sessenta anos. Então, o homem fez uma pergunta:
Velho
--- Para aonde vai com essa vareta? - - perguntou o velho um tanto forte e mais ou menos alto.
O garoto respondeu sem ter a menor intenção.
Garoto
--- Achei alí. Estava perdida! - - respondeu o moleque
Então, o velho segurou o garoto e levou com ele para as alturas sem haver pisado nem no chão. O garoto gritava por socorro, porém nenhuma pessoa lhe acudia, pois ninguém havia visto a cena inusitada. O garoto foi levado para um local escuro, acima do alto de qualquer montanha e ao mesmo tempo desacordou. Passaram-se eternas horas com o garoto desaparecido. Em certo instante, o rapaz acordou e viu em volta estranhas figuras, todas trajando branco e se falavam, ele nada compreendia. Após longos períodos, uma moça ou menina, ao que parece, se aproximou do garoto, sorrindo até, e nada lhe discorreu, a não ser deitar na cama onde ele estava. O garoto olhou com espanto, então a mocinha fez sexo com ele. Logo após, a mocinha sumiu. O garoto entrou em pânico, tendo sido ele, como que obrigado, a fazer sexo com uma estranha menina ou moça, se bem lhe parecia. Nesse ponto, uma outra moça surgiu como por encanto, e lhe aplicou algo que ele não sabia então, mas sentiu o ardor. Em seguida, adormeceu de vez. Passaram horas, talvez dias, o garoto despertou à beira da praia, longe de onde ele estava na hora em que foi abduzido, sem saber ao menos onde estava, vendo apenas pescadores, ao longe. O moço se levantou e caminhou um pouco quando viu pessoas estranhas a observá-lo. Então, o moço perguntou a um deles
Garoto
--- Onde é que eu estou? - - indagou enquanto os outros gargalharam
E logo após os pescadores informaram que estava ele na praia de Búzios, pouco distante da capital, terra de onde ele diz ser. Passaram-se longos minutos e o moço pediu a aguem que lhe mostrasse o caminho pois ele estava confuso em não saber onde estava. Coisa de um dia ou dois, o rapaz foi conduzido ao ponto de ônibus e, ali, embarcado, sem um níquel no bolso. Com ajuda dos pescadores, o moço conseguiu para a sua passagem. Em certo ponto, o motorista lhe perguntou.
Motorista
--- De onde vinhetes? - - indagou curioso
Garoto
--- Estava perdido na praia! - - ele respondeu
Motorista
--- Para onde você vai? - - voltou a perguntar
Garoto
--- Para a capital. Eu moro lá. Nas Rocas, - - relatou
Motorista
--- Nas Rocas? Então você é o garoto sumido? - - indagou assombrado
Garoto
--- Eu? Sumido? Por que sumido? - -
Motorista
--- Há tempo que a Polícia procura por um garoto de sua idade. E ninguém sabia informar! É você então? - - 
Garoto
--- Polícia? E o que fiz? - - com espanto
Motorista
--- Sei lá. Eu ouvi dizer. - -
Garoto
--- Então eu vou saltar aqui mesmo. Não quero nada saber de polícia. - -
Motorista
--- Não! Agora você está comigo! Vamos até a Polícia! Por lá a gente de ajeita! - -
Garoto
--- Seu Zé, eu não fiz nada! Por que então a polícia! - - com temor
Motorista
--- Zé, não! Epaminondas! Meu nome é Epaminondas! - - e trancou a porta do carro
O veículo trafegou pela estrada e parou em frente à Delegacia de Polícia onde o motorista procurou o delegado com quem deixou o garoto. Por lá, o de menor respondeu às perguntas e logo foi seguido para a Central de polícia onde novas questões foram feitas. Ao cabo de umas horas, com os miseráveis repórteres querendo detalhes de sua vinda do Espaço, o garoto, de boca aberta, nada pode responder de verdade. Apenas dizia ter encontrado uma vareta de cobre. Nesse longo espaço de tempo, a família do garoto apareceu entre choros lágrimas.
Othon
--- Que coisa? O rapaz apareceu de verdade? - - indagou a si mesmo
E nas ruas o gazeteiro gritava para se comprar jornais com a história do garoto sumido.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 22 -

- ESPÍRITO -
- 22 -

TERROR

De imediato, a mulher, Norma, saiu correndo embevecida diante de inominável terror, caso d’antes nunca visto por alguém. De tudo que ela se lembrava era um corpo de mulher não sabendo qual presumível idade. De um salto, Norma estava na sala de entrada a gritar como alguma louca desvairada com olhos estigmatizados sem saber onde ficar ou mesmo correr. Só uma coisa ela fazia sem coação: gritava muito. De imediato, acercou-se a moça, Neta, preocupada com tamanho alvoroço. E o marido, Othon, veio de vez, enxugando o cabelo da cabeça a indagar o que era tanto que fazia o tremer de medo porquanto estava no banheiro. A mulher extasiada só sabia dizer.
Norma
--- Ali! Ali! Ali! Uma alma! - - e caiu ao chão desacordada
A auxiliar, Neta, acudiu com pressa a mulher Norma enquanto o marido se acercou com maior brevidade. Ambos fizeram força para sustentar o corpo pesado da mulher e leva-la até a cama onde o casal dormia. Dona Rita apenas tremeu de medo. O genro Tiago foi outro que suspendeu o corpo da mulher. Enfim, três pessoas ajudaram a repor na cama a mulher sem sentidos. Othon, mais que depressa foi procura na caixa de medicamento de primeiros socorros um conteúdo apropriado para despertar em caso de perda de memória. O certo é que foi tudo muito rápido para despertar a senhora.
Neta
---Vó! Tome conta dos meninos. Veja o que eles estão fazendo! - - disse a auxiliar totalmente agonizada.
Após passar o gel, Norma recobrou os sentidos e de imediato gritou alarmada que tinha visto uma “visagem” no interior do banheiro passando de um lado para o outro. O marido pediu calma porque Norma estava numa situação alucinatória pois qualquer coisa parecia real.
Othon
--- Deite-se, deite-se, pois, tenha calma! - - falou paciente
Norma
--- Tenha calma uma ova! Era uma mulher! Ela veio de uma parede a outra! E sumiu! - - disse angustiada.
Othon
--- Eu sei. Já vi muitas! Mas acalme-se! Veja se dorme! - - disse o homem
Norma
--- Dormir? Eu acordei há poucos momentos! Eu vou embora! Vou para o sítio. Eu e meus filhos. E dona Rita! - - relatou.
Othon
--- Certos. Está bem. Você vai! - - e lhe aplicou uma injeção sem que ela esperasse
Norma
--- O que você fez? - - espantada
Othon
--- Nada demais! Agora durma! Daqui há pouco você está melhor! - - declarou
Norma
--- Ora merda! Você aplicou uma injeção? - - já sonolenta.
Duas horas depois Norma despertou e viu tudo arrumado em seu apartamento. Algo de mistério estava ocorrendo. Uma porção de malas. A mulher despertou um pouco mais e viu Neta caminhar de um lado para outro com bastante pressa ajeitando as malas. Um pouco sonolenta, débil até ela encontrou um jeito de chamar a moça mesmo com vagar. E pôs-se a saber que de fato era aquilo tudo no meio da sala.
Neta
--- Vamos para o sítio. Minha avó tem casa lá perto! Eu não quis desperta-la! - - sorriu
Norma
--- Casa? Bom. É melhor! Você acredita que eu vi um fantasma? - - perguntou
Neta
--- Espírito aparece em todo canto! No interior é só o que tem! - - explicou
Norma
--- Céus! Nem diga uma coisa dessas! - - assombrada
Neta
--- Nas bodegas, nos mercados! Até mesmo nos Cemitérios! É só a senhora olhar! - - recomendou
Norma
--- Na verdade, isso parece certo! Onde eu morava, no interior, só tinha vulto de defunto! Coisa horrorosa!  Eu esconjuro! - -relatou
O caminhão de Tiago caminhava na frente e o carro de Othon vinha logo atrás, trazendo a senhora Norma, a moça Neta e os dois meninos sendo uma delas, Racílva, um pouco mais velha do que o seu irmão, pois nascera um pouco antes na cirurgia cesariana a que foi submetida a senhora Norma, mãe das duas infantes. Mesmo assim, ambas tinham um ano de vida. Festa muita no final da tarde do dia anterior. Muita alegria e fuzarca para todas as criançadas. Porém, no dia posterior veio tudo por água abaixo. A mulher viu fantasma no instante em que se banhava e com isso entrou em pânico. Por isso mesmo, a família resolver mudar de ares. Então, seguiram todos para o interior. No caminho, o homem conversou com sua mulher alertado que, na manhã seguinte ele havia de trabalhar na Receita Federal enquanto tentaria encontrar um novo apartamento para o casal e os filhos além da secretária Neta.
Othon
--- É isso que tenho que encontrar, por certo. - - preocupado
Esse era parte dos seus planos. Os veículos chegaram ao sítio à boquinha da noite. Após certas conversas, Tiago saiu do sítio em companhia de seu Othon para ver de perto a casa da senhora Rita, desocupada há algum tempo. Logo atrás vinha Neta, a secretária, pensado em que chafurdo se metera dona Norma. A moça também levou dois primos para fazer a limpeza da casa, apesar de ter sido varrida pela manhã, tão logo houve a decisão de se alugar o imóvel. A moça havia telefonado pelo celular acertando tudo, de imediato. Nesse tempo, Norma limpava os seus filhos que encharcados da viagem apesar de terem vindos em carro com ar condicionado e comendo guloseimas, como chocolates e amendoins.
Norma
--- Eca! Como estão sujos! Credo! Caramelos? Imundices! - - clamava a mulher
Racílva
--- Foi minha tia! - - respondeu a garota, pouco desconfiada.
Norma
--- Tia que nada! É seboseira! - - a mulher espalhava com uma toalha os restos de comida que estavam grudados nos meninos
Hervê
--- Maeinha! Aqui ainda tem! - - disse o garoto olhando sua roupa
Norma
--- Vão já tomar banho, bando de moleques! - - relatou com raiva.
E os meninos fizeram a festa tomando banho de bica, coisa que eles nunca tinham feito. Sapateavam a vontade plenamente despidos e após esse desasseio, os garotos foram para a cozinha da casa onde se aprontaram de vez. Com o tempo frio, Racílva se encolhia toda a sorrir com alegria eterna. Tempos depois, Othon chega de volta na casa de dona Rita alegando ser a nova casa uma ótima moradia. E então indaga.
Othon
--- Por que a casa está desocupada? - - curioso.
Rita
--- Os homens não pagavam e um dia desses, sumiram de lá! - - respondeu a mulher
Othon
--- Não deixaram nem uma ponta de cigarro! - - sorriu
Rita
--- Não deixaram? Veja por bem! A limpeza veio depois. - - disse a mulher tragando seu cachimbo
Othon
--- Foi mesmo? - - indagou curioso. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 21 -

- FESTA -
- 21 -
ANIVERSÁRIO

Naquela manhã tudo estava completo no salão de festas da organização responsável pelo banquete para os meninos Racílva e Fervê, filhos de Othon e Norma. Sentindo o necessário de um banquete a primeira hora, o casal achou por bem contratar uma organização que desse tudo pronto e eles não se importariam com nada. Se tudo corresse bem, a festa teria início às cinco horas da tarde como era de praxe. Como tudo era formal, a mesa central ficava no meio do salão onde caprichosos detalhes armavam tudo em branco e rosa. Podia-se notar uma árvore ritual de cores de vidro encimando todo o ambiente. Outras mesas plenamente decoradas rodeavam a sala. E se houvesse algum banquete o casal com os seus filhos dançariam em plena luz de um inusitado festival de beleza. A generosidade da música era plena de alegria. O certo é que às quatro horas já se aglutinava o pessoal da recepção além de Neta e demais pessoas do próprio apartamento onde moravam os Othon, Norma e os dois meninos.
O celular tocava e alguém atendia. Era só para saber a que horas eram para se chegar a festa. Dono Rita foi uma das tais que chegou um dia antes. Com a zoada dos carros na rua, a mulher ficava por demais constrangida. Seu marido não veio para a festa. Sousa ficou enfurnado no sítio apenas a indagar quando começava o banquete. Sua filha Joana lhe respondia algo que o velho não entendia. E se conformava alegando que tal festa era para o aniversário de Othon.
Joana
--- E para os meninos, velho chato! - - praguejou a filha.
Sousa
--- É para os meninos? Aqueles pequenos? - - indagou de novo
Joana
--- Não respondo mais! - - cuspiu a mulher
O velho, sentado em um pé de jatobá, apenas cutucava o chão dizendo coisa sem nexo.
Sousa
--- Minha espingarda está aí? Vou caçar tatu! - - arremeteu.
Joana
--- Não sei onde tu botas tuas coisas! Isso que é velho chato! Virgem! - - discutiu a filha ariando a louça.   
Sousa
--- Eu creio que coloquei no guarda-roupa! - - e danou-se a procurar a arma.
Jonas era outro neto de Sousa. Esse ingressou na casa e viu o velho com a bunda para cima procurado a espingarda no baú.
Jonas
--- Que estás procurando? - - indagou com seu jeito de matuto
Sousa
--- Um negócio que eu guardei. Mas não encontro de jeito algum! - - respondeu ainda buscando
Jonas
--- É a espingarda velha? O senhor já vendeu àquele homem da feira! Ora! Ele vende as coisas e ainda procura no baú! - - cuspiu de lado
Sousa
--- E eu vendi? E quem recebeu? - - indagou alarmado já levantado
Jonas
--- Sei lá! Agora, deu! - - e saiu da casa.
Após o almoço, dona Rita comeu pouco como sempre fez. Othon almoçou o que podia. O restante do pessoal almoçou até lançar o cano. Tiago, era o marido de Joana, a que ficou do sítio por essas horas. Mas, mandou o seu marido, Tiago para ajudar nas despesas da festa. Quase nada era preciso fazer. Contudo, o homem dirigia um caminhão que era dele. Pois o que se precisasse era apenas chamar Tiago. E ele ida buscar ou entregar do mesmo jeito. O salão da festa pertencia a uma organização particular onde tudo a empresa dispunha. De Tiago nada precisava. Em casa, no apartamento, a coisa era outra. Tudo o que se precisasse, Tiago estava pronto para buscar. Com ou sem caminhão. Era uma algazarra dos infernos. Menino chorava, Neta acolhia para dar mais sossego. A menina queria água. De pronto, Neta segurava o copo para ver se Racílva calava.
Othon colocava um DVD ao seu gosto para ver se todos – os meninos - se comportavam. E assim foi a fuzarca se acalmava até chegada a hora de sair para a festa. Eram quase cinco horas, quando o povo começou a acercar-se cumprimentando os novinhos aniversariantes. Por uma questão de hética os presentes eram postos em um quarto no salão da empresa responsável pela organização dos aniversariantes, os dois meninos. Alguns convidados mandavam mesmo para o apartamento de Othon por um caso de dúvida.
Ao toque do clarim era iniciada a fuzarca. Não era bem um clarim. Porém um toque de animação. Bolos, doces, champanhe, vinhos, carnes de peru e muitas outras delícias para crianças e homens, alguns já maduros eram francos. Nas mesas ao lado, em todo o salão os petiscos não faltavam. E, por certo, eram mais de vinte mesas. Uma coisa enorme. Luzes clareavam o festivo ambiente. As crianças se se divertiam à vontade, a correr por entre as mesas. Alguns puxavam as tolhas a cobrir as bancas. E os homens e mulheres responsáveis vinham de pronto a arrumar tudo novamente.
Quando chegaram as seis horas, todas as famílias reunidas, apagaram-se as luzes e as crianças donas da festa, sopraram as velinas como mandava o figurino. E ao toque da música todos cantaram os parabéns. Alegria total no salão da festa. Os vivas, as taças de vinhos e champanhe, alguns quebravam suas taças. As crianças ficaram mais animadas querendo comer chocolates e suas guloseimas para o cada qual. Os pais dos demais meninos vibravam para cada gole que catavam e tomavam. Era uma festa e tanto para as crianças e os adultos. Num belo instante alguém soltou que no dia próximo ao domingo era feriado. Então a turma de idade avançada gritou.
Turma
--- Viva o feriado prolongado! - - gritaram
E todos os demais ovacionaram com seus vivas. E o tempo se esgotou quando alguém ainda perguntou se por ali alguém sabia se podia conseguir uma garrara da cana. O Metre da festa desenganou por completo. E nada mais se falou.
No dia seguinte, um domingo, era tarde quando a mulher, Norma, acordou. Ainda sonolenta ela procurou acender a luz do quarto para as horas. Então, ainda tonta por dormir tão tarde na noite passada ela resolveu ir ao banho. Contudo, a porta estava fechada pois alguém teria chegado primeiro. Ao sair, se encontro com Neta e voltou a indagar.
Norma
--- Que horas? - - perguntou
Neta
--- Faltam 10 para as 9 - - respondeu a auxiliar
Norma
--- E o povo? - - perguntou
Neta
--- Minha avó está lá dentro, Tiago saiu e seu Othon está no banho. - -
Norma
--- Ta botando fora? - -
Neta
--- Certamente. - - sorriu
Norma
--- Bom vou cuidar da vida. Os meninos inda dormem? - -
Neta
--- Brincando no quarto. - - falou sorrindo
Norma
--- Bom. Vou verter água. ....No teu banheiro! - - sorriu
Quando a mulher tomava banho, um negócio misterioso apareceu vindo da parede que estava antes do banheiro, atravessou o pequeno quarto e desapareceu nem falar sequer. Ele viu a cena e indagou.
Norma
---Neta, é você? - -
E nada ocorreu. A mulher se espantou, saiu de dentro de banheiro, se enrolou na toalha e gritou mundo afora como quem tinha visto visagem.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 20 -

ABDUÇÃO
- 20 -
ABDUÇÃO

Manhã, logo cedo, Othon estava em seu escritório de trabalho ouvindo um DVD de Nara Leão onde a intérprete entoava a canção “Manhã de Carnaval”, um pouco antiga para os novatos. Na cozinha estava as duas amigas – Norma e Neta -. A segunda era quem tomava conta da cozinha enquanto a primeira cuidava dos seus rebentos – Hervê, o menino e Racílva, a menina. Em mais alguns dias eles estariam fazendo o primeiro ano de vida. A mãe, Norma, cuidava dos arranjos enquanto Neta se preocupava com o fogão. Othon estava compenetrado nos seus estudos quando o seu celular tocou. Ele foi atender e quem falava era o Abade com convento. O homem ficou surpreso, mesmo assim do outro lado o Abade falou de modo urgente. A conversa era tensa e com certeza Othon levou avante. A questão é a visita do abade a seu apartamento.
Abade
--- Tenho uma coisa para contar ao senhor. Pode ser agora? - - quis saber.
Othon
--- Sim. Correto. O senhor vem aqui? - - perguntou assustado
Abade
--- Sim. Se o senhor não se importa! - - - declarou.
Othon
--- Pode vir. Não tenho nada a fazer! - - confirmou
Após alguns minutos, um auto parou na entrada do apartamento e o Abade logo entrou com a permissão dada pelo segurança. O elevador subiu e Othon o esperou um instante. Quando chegou, o Abade estava bem cansado sem nem poder falar. Levou-se um tempo, e o Frade, após pedir água, pôs-se a falar.
Abade
--- É o seguinte. O que o senhor descobriu e pura verdade. Eu tenho, agora, novas descobertas. Além do Cosmos têm casos que me surpreende. Depois de se descobrir esse tal Universo, existe muito mais universos! E nosso Universo não está sozinho. Outros Universos nascem em todos os tempos. - - explicou
Othon
--- O senhor descobriu essa questão? - - quis saber
Abade
--- E muito mais. Muito mais. Veja só! (Extasiado). Podemos estar vivendo em um crescente mar de universos! O Multiverso! Os estudos indicam que no Multiverso extem locais idênticos ao nosso. Existem locais com pessoas parecidas com outras, como já existe aqui mesmo! Eles falam em outro idioma. Mas são semelhantes ao outro. Isso tem aqui na Terra mesmo! - - e descansou
Othon
--- Disso eu já sabia! E estes seres nem precisam ser irmãos! Eles vivem muito distantes uns dos outros! - - falou coerente.
Abade
--- Muito bem! Existem serem que agem como outros seres! Isso é incrível! - - prosseguiu
Othon
--- A nossa galáxia é uma em centenas de bilhões de galáxias que compõe o nosso Universo. –
Abade
--- Tem um caso curioso! A Abdução! Ha muitos anos quatro amigas pessoas têm procurado uma resposta para um caso intrigante! Eles foram abduzidos por seres extraterrestres. Em outros casos, os extraterrestres mandaram uma moça se despir ele fez sem mais obrigação. - -
Othon
--- Isso pode ser o impensável São abduções alienígenas! - - relatou com firmeza.
Abade
--- Então! Pode isso ocorrer? - - perguntou inquieto
Othon
--- Não digo que sim. Mas as abduções ocorrem.
Abade
--- Deus do Céu? Isso não seria apenas visões? - - indagou
Othon
--- Para quem foi abduzido isso se tornou um pesadelo que se tornou verdade. - -
Abade
--- Eu não quero crer. - - discordou
Othon
--- O senhor não acredita, mas ocorre afinal. - - afirmou
Abade
--- A pessoa sabe que vai ser raptada e não sabe o que vai ocorrer. Eu não desejo isso para ninguém. - - lamentou
Othon
--- Não se deseja, mas ocorre. A abdução alienígena se tornou realidade!
Abade
--- Teve um caso de uma moça que ela ficou traumatizada o que fizeram com seu corpo. –
Othon
--- Isso eu sei. Ou seja. Eu a vi contar seu drama! O fenômeno das abduções não é novidade. - - afirmou
Abade
--- Qualquer um pode ser abduzido? - - diz saber com espanto
Othon
--- Sim. Qualquer um. Aqui temos um médico especialista em curar caso de abduções. - - explicou
Abade
--- Tem mesmo? Onde ele opera? - - perguntou com espanto
Othon
--- Em um hospital militar! - -
Com o espanto terrível o Abade quis saber os detalhes para ele visitar esse médico em qualquer hora do dia, por certo. Para o abade era uma questão por demais minuciosa. Podia até uma loucura. Ou seria uma doença. Othon ficou de verificar para depois informar com exatidão. O Abade continuou com sua pesquisa, mostrando assim, ao homem
Abade
--- E como são estes seres? - - quis saber
Othon
--- São seres estranhos ou seres sobrenaturais. Eles existem na espécie humana desde os primórdios. O folclore está cheio de casos de pessoas que são raptadas por vários desses seres e são levadas para ambientes parecido com o interior de um OVIN ou com outro mundo diferente. As pessoas perdem um período de tempo de acordo com que elas são submetidas!
Abada
--- Que horror! Isso é verdade mesmo? - - perguntou embarbascado
Othon
--- Eu tenho lido muito desde que eu adquiri aquela brochura do chamado anticristo. Tem casos quase que sobrenaturais. - - relatou
Abade
--- Eu acredito. Eu acredito! Conte mais, por favor! - - curioso
Othon
--- Não tenho a contar. Mas tem os Cinza e a clássica nave espacial na forma de “pires” aparecem através da história. As pessoas que contam essas aventuras não são apenas contadores de história. São pessoas de verdade que garantem que essas visitas aconteceram com elas.
Abade
--- Acredito! Sem dúvidas! - - disse o monge

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 19 -

- RAVENSBRUCK -
- 19 -
MABUS

Adolf Hitler aparece muitas vezes em todos os documentos a que se referem a ele. Ele matou ou mandou executar seis milhões de pessoas pobres e ricas, nos campos de Concentração de Auschwitz, Treblinka e Dachau, os notórios campos de extermínios do Terceiro Reich. Eram Judeus, prostitutas, ciganas e ativistas. Muitos outros campos são menos conhecidos. Apesar de ter sido um dos primeiros a serem abertos, pouco antes do início da Guerra, o Campo de Ravensbruck é, no final do extermínio o mais truculento e cruel dos Campos. Ravensbruck era exclusivamente para mulheres. No fim da Segunda Guerra, cerca de 130 mil haviam passado por suas portas. Cerca de 50 mil mulheres morreram de fome, de exaustão, de frio ou pelos tiros e pelo gás administrados pelos guardas nazistas.
Abade
--- Na verdade, o povo judeu, os que eram judeus mesmo além de outros não judeus, comeram o que o diabo amassou. - - declarou
Othon
--- Certamente. Certamente. Além disso, Magda Goebbels esposa de Joseph Goebbels, ele, Ministro da Propaganda, que se interessava por ocultismo leu essas coisas e achou ser verdade.
Abade
--- Não foi só ela. Outras tiveram a mesma reação. E teve mais a cruz suástica. Ela é um símbolo místico. Vem dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus. A suástica tem um valor especial por ser encontrada em muitas culturas. No Japão, a suástica é usada para representar templos e santuários. A imagem de cruz suástica é um dos amuletos mais antigos.
Othon
--- Disso eu não sabia! - - confuso
Abade
--- Hitler fazia parte de um mundo exotérico e oculto. Ele se identificada de ser o segundo anticristo. E ele deve ter sido o segundo anticristo mesmo. Até porque ele reverenciava Napoleão Bonaparte e visitava seu túmulo.
Othon
--- O que eu sei é o anticristo está dominando o mundo moderno! - - disse ele angustiado
Abade
--- Acalme-se! Acalme-se! Um novo anticristo pode aparecer em nosso tempo! Se é verdade, esse tal vem procurar fazer aqui um Armagedom. Ele, com certeza, pode emergir de um governo superpoderoso. E o mundo já está se preparando para ele entrar em cena.
Othon
--- Eu não posso acreditar. Não posso! Não posso! - - disse ele com lágrimas nos olhos
Abade
--- O jeito é se conformar! Hitler veio e se foi! Outros virão de hão de partir da mesma forma. –
Othon
--- Mas, Abade, o senhor acredita mesmo que ele está aqui? - -
Abade
--- Não sei dizer. Pode ser. Esse anticristo não cometerá os mesmos erros que os dois outros praticaram. O Mundo está, agora, muito mais extenso! Temos que ter cuidado! - - fomentou.
Othon
--- Cuidado! Cuidado! Como eu posso ter cuidado? - - indagou
Abade
--- Ele vai saber o que fazer. É o homem muito perigoso! Poderoso e perigoso! - - falou calmo
Othon
--- Isso é um terrorismo?  - - indagou surpreso
Abade
--- Ele viu que sete governantes assumiram o poder até ele formar a sua nação. Ele tem um grande exército, uma grande marinha é uma grande força aérea além de ter grandes recursos econômicos o que prediz esse grande anticristo. - - falou brando
Othon
--- Como pode uma coisa dessas? -  indagou
Abade
--- O ser do mau é vingativo! Bem mais que os antepassados! - - falou calmo
Othon
--- Quem seria esse ser? - - indagou por mais uma vez.
Abade
--- A profecia do terror descendo do Céu pode ser um código reverso. O terror que desse são os aviões sequestrados. Ele é muito esperado e jamais voltará à Europa. Interessante e saber que nós, humanos, adoramos ter um inimigo. - - com calma absoluta
Othon
--- E é possível ele vir da América do Sul? - -
Abade
--- Não julgues se não quereis ser julgados! - - declarou ainda calmo
Othon
--- Eu sei. Eu sei. Mas é tanta coisa! Nem sei se penso! - - relatou cabisbaixo
Abade
--- Se percursores de Cristo já vieram e já se foram, o que acontece agora? Hoje há quem veja sinais de destruição global por toda parte. - - falou serio
Othon
--- Isso confirma que o anticristo está entre nós! - - relatou
Abade
--- Pode ser! Se dependesses de nós, mudaríamos as coisas para não passar por elas. Nós não temos essa escolha. Segundo a profecia, o anticristo vai destruir a humanidade. Ele pode ser uma pessoa ou uma imagem religiosa simbólica. - -
Othon
--- São profecias e todas serão cumpridas à regra. - -
Abade
--- As profecias sugerem que o anticristo pode ter poderes maiores do que os outros dois! Napoleão e Hitler! Será poderoso em ferro, fogo, água, sangue e monstruosidade. - -
Othon
--- Essa pessoa muda a cada geração. Praticamente, a cada década! - - relatou
Abade
--- Mas tem um nome misterioso. Mabus. A favor dele, diz a profecia, que haverá destruição completa de gente e animais. Esse Mabus é o terceiro nome dado ao terceiro anticristo. Mas ele terá duração curta. Vinte e sete anos demora sua guerra sangrenta. - -
Othon
--- Mas não é curta essa guerra! - - falou sem questionar
Abade
--- Mas a profecia sugere que uma longa guerra global virá depois da morte do terceiro anticristo. Haverá uma série de cataclismo que virá após o terceiro anticristo. Haverá um grande terremoto, o sol ficará negro, a Lua ficará vermelha como sangue e as estrelas do Céu cairão sobre a Terra! - -  falou medonho
Othon
--- Essa não. Agora estou com medo! - - disse o homem, aterrorizado
Abade
--- As calamidades de água que sufocam a Terra, indicam que estamos num ponto crucial. Então estaremos na trilha do Amargedom para evitar tais eventos. - - falou de forma enigmática
Othon debruçou-se calado e se pôs a chorar  

sábado, 12 de novembro de 2016

A MORTE NA ESTAÇÃO - 18 -

- CONVENTO -
- 18 -
CONVENTO

Othon chegou trade da noite, naquele dia, em sua capital vindo da viagem ao sítio e ao Monte dos Carmelos, uma distância enorme para quem não tinha indo a lugares remotos como aquele. Uma estrada de barro, estreita por sinal, onde ele quase despenca por causa de um tropeiro em sua carroça de asno, na viagem de ida aos Carmelos, ficou ele chocado com casos como esse. Mas, saiu-se bem do angustiante descuido. No Convento, ele teve a oportunidade de conhecer a Igreja do Mosteiro, toda pintada de ouro em suas colunas, caso que o impressionou bastante. A tal Igreja deve ter sido construídas com recursos estrangeiros ou de fazendeiros locais. Ele lembrou da viagem de Padre Cícero Romão à Roma quando juntou seis milhões de cruzeiro, quantia vultosa para se conduzir em uma só mão. Foram castiçais, sacrários, relíquias em ouro, ostensórios em ouro, diamantes, rubis, esmeraldas e safiras do século XVIII. Um volume formidável doado por ricos fazendeiro vindos de Portugal naqueles idos tempos. Quando Othon regressou ficou um breve tempo no sítio de dona Rita e por lá ainda almoçou. Após um ligeiro descanso, ele viajou de volta à capital tendo enfrentado ainda um engarrafamento de transito até chegar ao seu apartamento com demais segurança.
Norma
--- Agora? - - indagou preocupada
Othon
--- Trânsito e chuva! Aqui choveu? - - indagou
Norma
--- Um pouco. Mas ande eu fui, choveu bastante. Ainda deve está chovendo, por certo! - -
Othon
--- Mas no sitio não choveu. Nem neblinou. Eu, quando nós fomos ao Monte, levei também uma moça, neta de dona Rita. Ela foi ser Monja! - - sorriu
Norma
--- Monja? Quem foi essa? - - indagou preocupada
Neta
---Onilda! Ela estava para ir há algum tempo! - - lembrou Neta
Norma
---Onilda? E eu conheço? - - indagou pensativa
Neta
--- Deve conhece-la! Ela vivia por dentro de casa! Mas a senhora conhece! - - relatou
Othon
--- É neta em banda de lata! - - sorriu
Norma
--- Coitada! Lá não tem televisão! - - gargalhou.
Após certo instante, Othon foi até o banheiro tomar uma ducha para melhor se agasalhar. As crianças estavam dormindo, pois ele as observou muito bem nos seus berços cobertos com lençol e mosqueteiro. Após o banho, veio o jantar leve. Uma sopa, panetone e café com leite. Tudo simples, para depois dormir. Quando os dois estavam na cama, a mulher preveniu para o aniversário de um ano das crianças. O homem sorriu e se voltou preocupado
Othon
--- Um ano! O tempo voa! - - alertou
Norma
--- Nem pensar! - - lembrou ao marido fazer sexo.
O Convento, na cidade, tinha um onde os Frades Capuchinhos se abrigavam. Havia notícias de chicotadas que eram o “martírio” dos Frades. Independente disso, o senhor Othon, certo dia, foi até ao Santuário de Santo Antônio, onde havia apenas os Capuchinos. Ele não estava satisfeito com a leitura feita pelo Padre Francisco com relação a vinda do anticristo à Terra. Anticristo vem a significar um “contra Cristo”, o Jesus. O que o homem tinha, era um opúsculo não muito longo a tecer a vinda de um certo anticristo. O Rei do Diabo! Ele trará o fim dos tempos! O Armagedom! O anticristo é um homem que recebe o poder de Satanás! E o anticristo já está na Terra! A palavra “anticristo” tem origem na religião e vem do Grego, Anti: em vez de, no lugar de, com Cristo! Ou Christus! O Ungido! Isso se refere à época do início da Igreja quando vários grupos começaram a se separar. Cada um interpretava o ensinamento de Cristo a seu modo. Outros grupos eram os heréticos!
Ao chegar ao Convento, Othon bateu palmas e esperou para ser atendido. Em poucos instantes, um Monge chegou para atendê-lo. Poucas palavras. Othon queria falar com o Abade. Momento depois a portinhola foi aberta e o Monge permitiu entrar. Ele acompanhou com pressa o Monge pelo corredor até chegar ao escritório central do Convento. Em um escritório bem arrumado, Othon deu conta de ver o Abade da instituição. Ao contrário do que supunha, o homem ainda era moço e tinha um corpo franzino. O Abade se levantou da poltrona e veio feliz cumprimentar o jovem homem.
Abade
--- Boa tarde, sem maior delonga, sente-se. - - sorriu amplo
Othon
--- Obrigado senhor Abade. Muito obrigado mesmo. O que me traz aqui é uma publicação que eu encontrei em um sebo. Bancas de livros usados! Eu nem se esse foi usado. Mas, por via das dúvidas, venho trazendo o rascunho para mostrar ao senhor. A história é antiga. Fazem anos ou séculos. Mas o fato de preocupa. Está aqui. Pode olhar, por favor! - - relatou compenetrado
O Abade folheou o opúsculo observando com atenção quando se tocou contra o anticristo. Notou ser o livro algo de novo para alguns estudiosos. Nesse ponto começou a ler com maior cuidado. E assim o fez. Ao final o Abade observou a brochura.
Abade
--- Esse livro é algo que tem o demônio! Onde você o adquiriu? - -
Othon
--- Numa banca de rua! É perigoso? - - indagou de olhos bem apertos
Abade
--- Eu não digo tanto. Mas a questão ser o anticristo. Segundo a história, Napoleão foi o primeiro anticristo. Seu exército foi fulminado. Napoleão foi responsável pela morte de três milhões e meio de pessoas, mais do que ser humano até sua época - -
Othon
--- Por isso ele cabe na descrição do primeiro anticristo! - - afirmou
Abade
--- O Armagedom. Hitler é o segundo anticristo! Quem seria o terceiro? - - indagou
Othon
---Essa é a questão! - - falou inquieto
Abade
--- Terror e destruição é o que se clama! Com Hitler a liberdade na seria recuperada! Seis milhões de vidas. Um homem soberbo e de alma negra, abominável e injusto. - - cientificou
Othon
--- Hitler ficou famoso por seus discursos hipnotizantes e carismáticos. - - lembrou
Abade
---Isso! Isso! Ele começou uma Guerra Mundial sem qualquer impunidade. E convenceu os alemães a varrer os judeus da Europa. - - confirmou
Othon
--- Assim como Napoleão, Hitler teve consciência do seu destino de anticristo. - - adiantou
Abade
--- A Gaiola de Ferro foi onde Hitler se refugiou no fim do seu reino. Foi ali que ele cometeu o suicídio matando também a sua mulher, Eva Braun. - - fez questão de lembrar.
Othon
--- Agora, um novo anticristo aparece em nosso tempo. E será bem pior do que já foram os dois primeiros. - - arguiu
Abade
--- Contra este, nós vamos tirar a forra! Seja quem for! Fale o que fale! Mesmo assim ele será o mau que nos observa


A MORTE NA ESTAÇÃO - 17 -

- MONGE -
- 17 -
CATACLISMO

Após longo tempo, o Monge Grassetti, o mais antigo do Monges naquele Convento se pôs a falar muito baixo como se fosse para ninguém ouvir, certamente. Pouco trêmulo, suas mãos longas, cor pálida, não se notava cabelos em sua cabeça, pois o Monge tinha a cabeça coberta pelo fardo do tempo, ou seja, um capuz onde apenas se deixava ver os seus olhos, o nariz e a boca. De resto, as mãos como Othon notara uma vez: bem compridas. O Monge atendou ao homem de lhe disse que aquele era mesmo o temido anticristo para vir anunciar o fim dos tempos. O filho de Satanás.
Monge
--- Ele é o misterioso filho de Satã. - - declarou temendo
Othon
--- Mas o senhor tem certeza? - - indagou cheio de temor.
Monge
--- Um virá do Céu um sinal. E com ele todos sucumbirão! Esse é o filho de Satanás, meu filho! Filho de Satanás! - - declarou a afirmação
E se levantou do assento de madeira, caminhado aos poucos, tremendo como uma vara de bambu, a procura do seu Superior, o Dom Francisco. Ele entrou no escritório, caminhando vagaroso e entregou ao Padre aquele malévolo conteúdo. Disse apenas.
Monge
--- Tome seu documento. Deus me livro. É a terceira morte de todos os tempos! - - e se voltou muito lento – Um holocausto nuclear. Jesus tenha piedade de nós! - - e saiu do escritório
O Padre, Dom Francisco, voltou a observar o conteúdo desse cataclismo além do nosso sistema solar. Um evento iminente. Hieróglifos tirados de um texto do chamado o Livro dos Mortos provém que o Mundo está no fim. Vem aí, com certeza, um holocausto nuclear. As vozes da antiguidade estão falando com os terráqueos e de forma desesperada para se ficar atentos aos sinais do Arauto.
Padre
--- Uma das alegações mais extraordinárias em relação do antigo Egito diz que a grande pirâmide previu os eventos: o 11 de Setembro nos Estados Unidos. Os antigos egípcios tinham sabedoria muito além dos nossos. – - falou o sacerdote
Othon
--- Teriam os construtores das Pirâmides ter previsto o 11 de Setembro, no nosso século? - - espantado.
Padre
--- O interior dessa Pirâmide também guarda surpresas. Ela possui duas passagens emergindo em uma grande galeria. Além dessa galeria tem a Câmara do Rei. Mas até hoje nenhuma Múmia foi descoberta no seu interior. No entanto ela foi construída com a tumba de Reis. Mesmo assim, a sua função é mais sinistra. Ela carrega uma mensagem profética expressa em sua arquitetura. Já que o Mundo consistia de grades tribos diferentes, só existia um meio para se transmitir informações. Era através da matemática e da astronomia!
Othon
---Mas, no caso dos meus achados o que há de concreto? - - perguntou
Padre
--- Nos seus achados! Bem. Há casos intrigantes. Casos de guerras, mortes e demônios. Esse é caso! A Terceira Guerra Mundial. A mote virá de uma mulher. Do seu ventre haverá sangue e morte! É o que impressiona! - - falou com uma voz grossa!
Othon
--- Nossa! Isso é indescritível! Seria a Besta o Armagedom? - - argumento temeroso
Padre
--- Seria mais do que isso! Um falso proveta virar entre nós a promover a Guerra! O sangue a enlamear todo o Universo.
Othon estremeceu a supor quem era o responsável pelo aniquilamento da raça humana!
Othon
--- Como posso saber quem será esse terceiro anticristo? - - quis saber
Padre
--- Esse terceiro virá com o sague dos inocentes. Pode vir até mesmo de um país desconhecido da América do Sul. Um país a ostentar a miséria. Das profundezas de um país desconhecido surgira aquele nascido ainda pobre, cuja língua seduzirá grandes multidões! - - relatou afirmativo
Othon
--- Só penso em uma nação de gente humilde! Pobre de fazer medo! - - adiantou tremulo
Padre
--- A Profecia registra de uma pessoa nascida no século passado. Uma criança, na verdade, muito pobre. A Profecia de um ente, será mesmo realizada, brotando sangue e temores. No silencia da noite, ele já veio como a Besta. Ele é chamado pela lei dos Três no tempo histórico. Quando Ele anunciar o fim do mundo você verá cataclismo irreparável e ele se proclama como “O Salvador” das eras. - - sustentou o sacerdote.
Othon
--- Mas isso é suposição! - - reclamou
Padre
--- Não é suposição. E só tem um Deus sobre nós! - - afirmou contundente.
Othon
--- E agora? Que é que faço! - - lamentou seu pecado.
Padre
--- As Centúrias dizem que logo a vingança virá de centenas de lugares. Sede, fome! Temos hoje a prova que o anticristo está aqui. São batalhões ensandecidos apontando para a Guerra na nossa própria cidade. Aldeias pobres em áreas desertas. Um vidente proclamou há pouco tempo que Satanás surgiu em sua bacia como um terror e logo brotou como um esplendor divino. E dele saiu mais fogo do que sangue. Era ele um falso Messias. Um Salvador de todos. - -
Othon
--- Deus do Céu. E como pode ver esse vidente? - - perguntou confuso
Padre
--- Quem o segue cria o mau! Seduzir a população inteira é característica de anticristo. Quem vomita sangue são os aniquiladores do              Império. Quem duvidar, há de ver! Em uma cidade pequena há de surgir a morte. - - proclamou
Othon
--- Tudo isso o senhor viu nesse rascunho? - -
O Padre sorriu com a boca fechada para afirma.
Padre
--- Nunca duvides dos cegos pois eles veem mais do que os abutres que voam àquelas alturas.
Othon
--- Isso é uma verdade! - - foi o que disse
Padre
--- Cuidado! O anticristo é mais um príncipe do que um carniceiro. - - fez vez
E a sessão terminou nesse exato momento com Rita e Othon partindo para a sua casa. Lá fora, estava deitado em um banco, dormindo e sonhando como nada na vida, o senhor Romeu mais conhecido por Sousa! A sua mulher o acordou e o homem, meio sonolento, ainda perguntou as horas por estar chovendo como nunca. Sousa, de mãos atadas olhou para o Céu e viu mesmo que chovia a cântaros.
Othon
--- Vamos depressa. Se não a chuva nos pega! - - e se cobriu com um jornal
O padre Francisco estava no portão dando-lhe adeus. Os Monges corriam apressado pelo o salão no interior do claustro enquanto os demais monges entoavam o hino da Ave Maria. A chuva engrossou e o homem desceu com bastante cuidado com o lamaçal existente.
Othon
--- E chuva grossa! - - disse ele a olhar dona Rita.