domingo, 18 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 42 -

-MISTÉRIOS -
- 42 -
MISTÉRIOS -

Em outros dias, Marilu indagou a Lauro o que era o termo Cabala. Esse não soube definir com precisão. Lauro nem sequer era um Maçon. Para ele, Cabala tinha qualquer coisa com Maçon. Para dizer ao certo pediu licença para buscar dos alfarrábios que ele guardava em sua estante. E como isso se afastou um pouco no seu gabinete de trabalho e foi rever o tema. Ele meditou em cabalístico, uma coisa sombria que lhe dava arrepios. Negócio do outro mundo ou coisa assim. Enquanto procurava o Cabala decifrava que a moça tinha casos misteriosos que nem ele sabia o que era. E passou um tempo infindo. Já bastante exausto, Lauro voltou a sua incansável mesa de trabalho encantado por ter encontrado o significado. Marilu estava sentada em uma poltrona na sala de Lauro verificando livros que ainda não tinha visto. Afinal, Lauro falou.
Lauro
--- Bem. O termo “Cabala” você encontra aqui, nesse livro. Em estudei quando fiz Filosofia. Porém, por pura burrice, me passou um “branco” pela memória e eu não sabia definir ao certo. Mas, não há problema. Cabala quer dizer: “Receber”. É um método esotérico que se originou no Judaísmo. Aqui, o livro. Leia-o.
Com essa explanação, Marilu iniciou a sua leitura.
Marilu
--- Bom. Vou ler. Hoje à noite e devolvo amanhã logo cedo. - - recomendou
Lauro
--- Não há pressa. Fique à vontade. - - disse então.
Marilu, à noite, após o jantar, começou a ler o tal escrito, sempre aguçada e sem temer coisa alguma. Dizia o livro:
Livro
Cabala, por tradição, se define, literalmente “receber”. Também romanizada, é um método esotérico, disciplina e escola de pensamento que se originou no judaísmo. Um cabalista tradicional é chamado de “Mekubal”. Definições da CABALA variam de acordo com a tradição e objetivos daqueles que lhe seguem a partir de sua origem religiosa. A cabala cristã, Nova Era é uma das adaptações sincréticas do Ocultismo. A Cabala é um conjunto de ensinamentos esotéricos feitos para explicar a relação entre o imutável, eterno e misterioso (sem limites) e o Universo mortal e finito – a criação de Deus. Embora seja muito usado, não é uma denominação religiosa em si. Ele forma os fundamentos da interpretação religiosa mística.
Marilu
--- Profundo, esse estudo. - - comentou
Livro
A Cabala é o hermetismo ou o hermeticismo.  É o estudo e a prática da filosofia oculta e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, uma deidade sincrética que combina aspectos do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth. Os escritos mais importantes atribuídos a Hermes são a Tábua de Esmeralda e os textos do Corpus Hermeticum. Estas crenças tiveram influência na sabedoria oculta europeia. Os escritos herméticos são uma coleção de 18 obras Gregas.
Marilu
--- Eu já li sobre isso. - - comentou
O texto mais importante da Cabala é o Zohar (Esplendor). Elabora sobre boa parte do material encontrado no Sêfer Yetzirá. Obra cabalística, trata-se de um comentário esotérico e místico sobre o Torá (o Pentateuco do Antigo Testamento), escrito em aramaico. A Árvore da Vida é um sistema cabalístico hierárquico em forma de árvore, dividida em dez partes, que tanto pode ser interpretada como estágios do todo, quanto ser lida como estado de consciência.
Marilu
--- Tudo isso está na Bíblia judaica. Tem mais o que?  - - comentou
Livro
Morte! O grande mistério da humanidade. É o país desconhecido. A terra de onde ninguém volta. Todas as culturas do mundo estudam a morte. É um dos livros mais sagrados do mundo, a escritura essencial do Dalai Lama. Com a exata descrição da experiência dos que foram considerados clinicamente mortos. Escrito no século VIII antes de Cristo, o Livro Tibetano dos Mortos é um guia para quem morre. Um mapa da jornada que será feita após à vida. O Livro Tibetano dos Mortos é o primeiro manual do Mundo.
Marilu
--- Bom. Melhorou. Vamos à frente. - - sorriu.
Livro
Qualquer um que leia o livro aprenderá algo. Nele há uma sabedoria Universal. Se a antiga cultura tibetana estiver correta, o livro dos Mortos é a cave da vida após a morte e a resposta as mais velhas perguntas da humanidade. Em um canto remoto do mundo uma civilização afirma exatamente o que acontece após a morte. Durante séculos o livro foi mantido em segredo em uma terra tão isolada que era chamada de Reino Proibido. O Tibete guarda um texto profundamente espiritual e desafiador. O Livro Tibetano dos Mortos é uma descrição precisa de que cada indivíduo enfrentará no além.
Marilu
--- Estou sentindo frio. Será que vou morrer? - - perguntou a si mesma.
Livro
Qualquer um, quando morre, renascerá em outro lugar. O tempo de intervalo se chama de vida intermediária. Em tibetano chama-se Bardo. No budismo tibetano a maior ênfase está na morte. Surpreendentemente, as palavras do Livro Tibetano dos Mortos encaixam-se com as modernas descrições de quem morreu, clinicamente, na mesa de operação. A chamada “Experiencia Quase Morte”. Não raro, o morto observa uma luz ofuscante. O Livro Tibetano dos Mortos fala dessa luz branca. É muito clara, arrebatadora. O livro descreve a luz com impressionante precisão.
Marilu
--- Meu Deus do Céu! Eu verei essa luz também? - - quis saber
Livro
Quer em trepidantes modernas, quer em pacatas vilas tibetanas, a grande constante da humanidade é o mistério da morte. No Tibete, o ritual da morte continua o mesmo a mais de seiscentos anos. Quando alguém morre no Tibete, monges visitam a pessoa que desencarnou. Vê com ele a imagem aterradora da morte. No Bardo, eles podem ver várias luzes diferentes causando grande confusão. E o medo é muito forte. Apenas o Livro Tibetano dos Mortos pode guiar a alma rumo à nova vida.
Marilu
--- Que faço eu? Morro aqui ou no Tibete? - - assustada.
Livro
Os tibetanos praticam certa forma de budismo. Uma das grandes religiões da Ásia começou 500 anos antes de Cristo. O ensinamento de um santo homem indiano conhecido pelos adeptos como Buda ou “aquele que despertou” está na Índia há 2.500 anos. O pondo básico do budismo é uma simples e profunda verdade: “A vida está cheia de sofrimento”. De acordo com os budistas, o sofrimento é causado por desejos e ignorâncias. O budismo não é só uma religião. É uma filosofia. Um, é a compaixão. O outro, a sabedoria. Quando se adquire essas duas coisas, já é “iluminado”.
Marilu
--- É fácil e é difícil! - - comentou
Livro
Um conceito central em todas as formas de budismo é a reencarnação. A ideia de que após a morte, a pessoa renasce. Com esse conceito vem a ideia do “karma”, a crença de que o bem e o mal praticados serão compensados na vida seguinte. O objetivo do budismo é deixar a roda eterna do karma e libertar-se do sofrimento. Durante séculos o segredo do Livro Tibetano dos Mortos ficou guardado na vastidão do Himalaia. A forma tibetana de budismo é diferente dos outros estilos essa religião asiática
Marilu
--- Formas? - - perguntou
Livro
Uma das poucas atividades do budismo tibetano é a Mandala de Areia. Trata-se de uma idealização geométrica do Cosmo feita com areia colorida. Sua criação é uma forma de meditação. A estrutura física representa as qualidades do ‘Iluminado”. E no momento em que é terminada, seria como trazer a força da vida para a Mandala. A Mandala de Areia é o símbolo da vida. Tão logo essa trabalhosa obra de arte chega ao fim, é destruída. Trata-se de um símbolo profundo da própria vida e da certeza da morte.
Marilu
--- Curioso! -  - alegou

sábado, 17 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 41 -

- MAÇONARIA -
- 41 -
MAÇONARIA -

Certo dia, Marilu saiu do Palácio do Governo e foi em busca da clínica de um médico para entrevista-lo sobre ocorrências de doenças venéreas, casos que estavam se alastrando na cidade. Caminhando, ela se deparou com um prédio bem antigo dito ser a Maçonaria. Tal Maçonaria ficava da rua que saía do Mercado da Cidade e continuava para além da Maçonaria, no cruzamento da rua Vigário Bartolomeu com a Rua João Pessoa, no centro da capital. Marilu estava em frente à casa, uma Loja, a Loja Maçônica “21 de Março”. Por instantes, vagou em seu pensar.
Marilu
--- Esta é a Loja, a Maçonaria! Eu sempre passei por aqui. Porém não sabia que era a dita.
Confrontando com a Loja estava uma casa residencial um tanto velha. Do lado direito tinha um Colégio. Sem noção do tempo, Marilu ficou a ver todo o prédio. Não dava entrada a ninguém. Tinha símbolos, um compasso e um esquadro, notadamente. Por demais curiosa, ela indagou a um homem. Ele não sabia se era a Maçonaria aquele prédio.
Marilu
--- Onde se guarda “bodes”? - - indagou em dúvidas
Vendedor
--- Bodes? Na feira! - - e sorriu
Ela então calculou.
Marilu
--- Por demais interessante. Por que não pensei nisso? - - lastimou-se
Depois do almoço, já tendo feito sua entrevista com o clínico, a moça saiu apressada para o Instituto Histórico a procura do diabólico bode. Depois de muito pesquisa, buscando livros e mais livros ela findou achando o que estava em busca. O Bode.
Marilu
--- Achei o miserável! - - sorriu
Bode, do grego Baphomet, era um andrógeno bode-cabra de Mendes. Segundo os cabalistas ocidentais, especialmente os franceses, os Templários foram acusados por adorar Baphomet. Jacques de Molay, o Grão-Mestre da Ordem do Templo, com todos os seus irmãos, morreram por causa disso. Porém, esotérica e filosoficamente falando, tal palavra nunca significou “bode” nem qualquer outra coisa tão objetiva como um ídolo. O termo em questão quer dizer “batismo” ou iniciação da sabedoria, das palavras gregas Baph e Metis, significando “Batismo da Sabedoria”. O Bode de Mendes foi um símbolo desenhado por Eliphas Levi, um deus dos Templários, representado e apoiado pela Maçonaria. Baphomet é um símbolo de iniciação a Maçonaria, descreve características, como inteligência, mãos humanas, representando a santidade do trabalho e o peito de mulher simbolizado a maternidade e o trabalho fecundo.
Marilu
--- Taí. O “bode” que deu; “Batismo da Sabedoria”. Que sabedoria é essa? De uma vez são os egípcios. De outra, os gregos. Outra, Roma. Só quero saber mesmo que foi o sábio.  - - irritada
Um homem de meia idade estava por perto e sentiu quando a moça ficou irada por desconhecer tantos assuntos de tempos remotos. E se aproximou, de vagar, para lhe falar talvez um assunto muito alheio aquela época.
Abel
--- Boa tarde, senhorita. Queira-me desculpar. Porém os antigos vieram de um povo mais além. Os Sumérios foram um deles, A senhorita já ouviu falar nesse povo? - - sorrindo
Marilu
--- Ahan? Boa tarde. Com quem eu falo? - - quis saber
Abel
--- Eu sou Abel. Desculpe-me por intrometer. Busque e veja os Sumérios, um povo da Mesopotâmia, a “terra dos reis civilizados”, ou “terra nativa”. Uma antiga civilização. - - sorriu
Marilu
--- Sumérios? Nunca ouvi falar! Quem foram eles? - - quis saber
Abel
--- Permita-me que te ajude. Os Sumérios foram um povo vindos do Espaço. Eles foram os primeiros homens aqui da Terra. Leia-os, por favor. - - sorriu
Marilu
--- Eu vou ler, tenha certeza. Sumérios. Aqui tem? - - perguntou
Abel
--- Creio que sim. É só procurar. - - disse-lhe
E Marilu buscou por Sumérios, um povo da Mesopotâmia. Depois de algum tempo, Marilu encontrou no termo de religião. E foi ali o seu início.
Marilu
--- Pronto! Encontrei. - - disse a moça
Ela procurou o homem Abel, porém esse não mais se encontrava naquele espaço. E a moça prosseguiu a estudar o termo dos sumérios, tendo início por sua religião. As crenças religiosas dos povos da antiga Suméria. Os sumérios acreditavam que o Universo era governado por um panteão formado por um grupo de seres vivos, de forma humana, porém imortais e possuidores de poderes sobre-humanos. Esses seres, segundo acreditavam, eram invisíveis aos olhos dos mortais e guiavam e controlavam o Cosmo de acordo com um plano pré-estabelecido e leis rigorosamente elaboradas.
Marilu
--- Seriam Deuses? -  - quis saber toda confusa.
Livro
Os sumérios tinham quatro divindades fundamentais, conhecidas como Deuses criadores. Estes Deuses eram: An, Deus do Céu; Ki, deusa da Terra; Enlil, deus do ar e Enki, deus da água. Céu, terra, ar e água eram considerados os quatro componentes mais importantes do Universo. Os deuses concebiam o “Me”, conjunto de regras e leis universais imutáveis que todos os seres eram obrigados a obedecer.
Marilu
--- Creio que estas regras são idênticas ao do Catolicismo de hoje. - - pensou a virgem
Livro
Próximas em importância às deidades criadoras estavam as três divindades celestiais: Nanna, deus da Lua; Utu, deus do Sol e Inanna, rainha dos céus. Inanna era também deusa do amor, da procriação e da guerra. Nanna era o pai de Utu e Inanna. Outro deus de grande importância era Ninurta, a divindade do violento e destrutivo vento sul.
Marilu
--- Tá! Eu não digo? Os mesmos deuses dos sumérios são de agora da Religião Católica. E também de outras religiões mais antigas. - - emburrada
Livro
Os Sumérios foram uma das primeiras civilizações de que se tem notícia, mas a sua importância histórica não pára aí. A eles são atribuídas duas grandes invenções: a da escrita e a da roda, ambas a cerca de 6000 anos atrás. A sua escrita era de uso particularmente da elite, principalmente dos sacerdotes e escribas. Ela era gravada em tabletes de argila com uma pinça em forma de cunha, e por isso recebeu o nome de escrita cuneiforme. Já a roda, outra grande invenção sumeriana, permitiu a eles desenvolverem carros de combate, que eram puxados por cavalos. Ainda sobre sua arte militar, eles usavam lanças, ou dardos de combates, além de armaduras feitas com o bronze extraído das montanas.
Marilu
--- Caramba! Eles foram os pioneiros! Coitado do Egito! - - disse então
Livro
Eles criaram diques e barragens que impediam enchentes e inundações nas cidades, e ainda escoavam a água através de canais para as lavouras afim de expandir mais suas cidades, que cresciam depressa. Sua arquitetura concentrava-se, principalmente, na construção de templos em forma de pirâmides chamados zigurates.
Marilu
--- Tai quem fez primeiro! - - armou-se com fé


SONHOS DE MARILU - 40 -

- CANDOMBLÉ - 
- 40 -
CANDOMBLÉ -
Em dia de sábado, à tarde, Marilu foi, como sua amiga, Janilce, a bodega de Floriano, no Carrasco, um arruado pequeno, dependência de um bairro maior, o Alecrim. Ela foram fazer visita e a procura de algum livro que elas não tinham e nem sabiam de algum aforisma em tal sentido. As virgens entraram na mercearia, como se pode designar a bodega, todas em amplas alegrias. Ao penetrar da bodega, as mocinhas notaram que uma mulher acabara de adquirir um amuleto. A mulher, de seus 50 anos, gorda por sinal, saiu depressa deixado a bodega. Floriano agradeceu a visita das moças e logo atendeu, por mera ansiedade, esfregando as mãos, uma na outra.
Floriano
--- Boa hora que vou ter a oportunidade de atendê-las! - - sorriu abertamente
Marilu
--- Obrigada. Nós estamos num dia de sábado aqui porque o Jornal fechou logo cedo, ao meio dia. É o seguinte. O senhor sabe o que é Candomblé, por favor? - - sorriu se prendendo de receio.
Floriano
--- Claro que sei. Quer algum livro? - - quis saber esfregando as mãos.
Marilu
--- Se possível! - - e logo buscou encontrar a sua amiga Janilce, que estava examinando na estante, ali próximo, demais livros
Sem ter pressa, Janilce chamou a amiga para mostrar outro livro sobre Macumba, instrumento de prática religiosa e divindade dos povos africanos. Marilu apreciou bem e declarou.
Marilu
--- Esse, eu vou levar. - - murmurou. Deu o toque no livro a deixar de mão.
Janilce
--- Que você encontrou dessa vez? - - sussurrou.
Marilu
--- Candomblé, - - declarou e se arrepiou toda
Janilce
--- Candomblé? O que é isso? - - murmurando, perguntou curiosa.
Marilu
--- É Candomblé, ora! - - dizendo do modo sorridente
Floriano já chegara com alguns livros. E declarou apenas os seus livros.
Floriano
--- Pronto. Candomblé! Tem esses três. Mas, todos são iguais. Um e outro! - - apontou com o dedo
Ela pediu para lê-lo um pouco e deixou o outro com sua amiga Janilce, pronunciando.
Marilu
--- Leia também, sua boba! - - delicadamente sorriu
O termo candomblé tem origem banta, tendo como raiz o quimbundo kiamdomb ou quicongo ndombe, ambos significando “negro”, tornaram-se sinônimos e referência genérica de diferentes expressões de religiosidade de matriz africana, exceção feita a Umbanda cuja origem intensamente sincrética a situa em outra categoria de estudo e observação. O candomblé é o culto aos orixás. As festas são realizadas em terreiros.
Janilce
--- Eu li. Mas, não compreendi! - - declarou sussurrando
Marilu
--- Eu também, quase nada. -- - Marilu sorriu.
Floriano
--- Vocês querem entender bem? Frequentem um Centro. - - declarou sorrindo
Janilce
--- Centro? Onde tem isso? - - quis saber.
Floriano
--- É fácil. Aqui, no bairro tem um Centro. Fica logo depois da linha do trem. Por aqui. Veja. - - foi mostrar a casa de candomblé.
Após a venda feita, Floriano agradeceu e voltou a informar o local da casa ditando que, de dia, não tinha sessão. Mas as moças seriam atendidas plenamente, por alguém, pois alguém estava à espera das duas.
Marilu
--- Como elas sabiam que nós estamos a caminho? - - pesquisou com receio
Floriano
--- Tudo se sabe nessa vida, senhorita! - - declarou sorrindo
Janilce
--- Vamos lá, agora?  - - quis saber a moça apontando com o dedo
Marilu
--- Se é para o bem da nação, eu digo: nós iremos lá, agora. - - disse e gargalhou
Ao chegarem a residencia, as moças foram recebidas por uma senhora de porte volumoso, chega de balagandans, roupa branca, os cabelos da cabeça, todos cobertos por um mando também branco. Afinal, a mulher estava toda de vestido branco. Enormes pulseiras, anéis como de prata em todos os dedos das mãos, pingentes a descer pelo pescoço entre rosas de lírios espalhados pela sala. Era uma mulher de cor morena, tinha um rosto simpático e bastante sorridente. Enfim, era uma mulher afável, com certeza. Abriu os braços para abraçar as duas moças que se mostravam inibidas nesse primeiro instante. Com seus braços amigáveis, a mulher perguntou.
Guia
--- Em que posso servi-las minhas filhas? - - falou assim após deixar um tamborete.
Marilu
--- Nós somos jornalistas. E gostaríamos de ver uma demonstração de um terreiro de Candomblé, quando estivesse em sessão. Pelo menos à noite. - - falou inibida.
Guia
--- Pode ser. A nossa Casa Branca é o mais antigo de Candombe da Capital. Nós chegamos como escravos. Os nossos primeiros Orixás chegaram em navios negreiros no século XVI. Eles eram escravos, vindos presos nos porões. Os donos da gente diziam que nós falávamos como feiticeiros. Por isso, nós éramos escravos. Depois da abolição da escravatura é que a coisa mudou. Mas, ainda hoje tem preconceito com a gente. Para os brancos, nós somos negros. E negro não vale nada, dizem os brancos. Os brancos não dão educação nenhuma aos negros. Somos a plebe. Veja a sua pele. Ela é negra. Parece branca. Mas não é. Você e negra e não, branca. - - e sorriu com alegria para as jornalistas
Marilu
--- Vejo que a senhora tem razão. Essa pigmentação é de negro! - - falou ressentida após passar a mão da sua pele
Guia
--- O que mais posso fazer por vocês, minhas primas? - - relatou a guia
Marilu
--- Nós queremos ver como é o Candomblé, por dento mesmo. Suas danças, seus casamentos, seus personagens. Por exemplo: Quem é Exu? - - quis saber
Guia
--- Exu? É quem gosta de cachaça. Oxalá é quem se veste de branco. Quem recebe oferendas em alguidares são orixás. O Candomblé, com seus batuques e danças, é uma festa. Iemanjá é a orixá, a deusa dos mares e dos oceanos. Onde tem terreiro, tem festa. - - sorriu fumando cachimbo
Marilu
--- Mas quando nós podemos ver uma festa de Candomblé? - - quis saber
Guia
--- Hoje mesmo. Quando chega a noite. Venham. Vocês serão conduzidas por um Iroko que é um antigo Orixá.   
As duas moças sorriram e prometeram voltar.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 39 -

- MONASTÉRIO -
- 39 -
MONASTÉRIOS -

À noite daquele dia Marilu já havia jantado e em seguida foi à cama onde agarrou o livro ainda pensando no que se deu pelo final da manhã quando dois valentões brigavam à fogo e a sangue sendo que ela nem sabia porque a inútil causa. Lembrou-se, apenas das facas nas mãos agigantadas a empunhar as armas. Duas peixeiras. Era morte certa para um ou para ambos se chegasse a Polícia para desapartar a contenda, na hora. E a briga terminou quando os dois brigões chegaram à chefatura. Um, para um lado e outro, para bem longe. Se não brigassem de novo, estava tudo bem. E, então pensado na guerra dos arruaceiros, ela, a mocinha suspirou. E agora era ler e pronto.
Livro:
Os Monastérios do Leste na fronteira com o mundo muçulmano haviam preservado textos antigos, dos gregos e dos ocultistas. Estudando-os por curiosidade, os Cruzados retornavam, levando um grande número desses documentos de volta a Europa. Esse conhecimento começou a vazar. Pequenas coisas, enfim, foram sendo encontradas nos Monastérios. Uma estrutura química isso ali. Então, circularam rumores de que tinha havido um aprendizado muito maior no passado.
Marilu
--- Olhe! Eu bem que suspeitei. - - murmurou.
Livro:
A redescoberta alimentou o renascimento cultural extraordinário. Esse é o ponto em que as pessoas começaram a perceber ter os antigos muita sabedoria. Então, surge uma nova reverencia pelas tradições egípcias, gregas, romanas e hebraicas. As pessoas querem entender os segredos dos antigos (povos). A renascença trouxe um novo espirito de aprendizado e informação, querendo entender os segredos dos antigos e academias se espalharam por toda a Europa. A mais proveitosa veio no século 15, fundada na Itália. Uma coleção de documentos de autoria creditada a um misterioso Mago egípcio chamado Hermes Trimegisto. Os livros, eram uma série de diálogos onde o Deus Hermes transmitia segredo do Universo.
Marilu
--- Eu já ouvi essa história, não sei aonde! - -
Livro:
Um dos documentos era uma pequena peça chamada Tabua Esmeralda que se tornou a Bíblia dos Ocultistas renascentistas. Nessa tábua estava escrito “Assim no Céu como na Terra” porque havia essa ideia de que o papel do Universo. Esse era o ensinamento das primeiras escolas de mistérios de que os seres humanos possuem uma natureza divina. O Hermético fascinou os acadêmicos renascentistas e resgatou o Ocultismo.
Marilu
--- Não entende muito bem! - - desconfiada.
Livro
A descoberta do Hermético durante a renascença criou por fim, uma nova geração de Ocultistas. Eles procuravam enfim, combinar religião, ciência e magia, uma perigosa empreitada numa sociedade regida pelo cristianismo. John Dee arriscaria sua vida para estudar tais lições. Ele, enfim, foi um gigante. John Dee foi a encarnação de um ideal de um ser iluminado. De um ser que teve a compreensão espiritual, de seu papel e de missão de vida. E era dotado de uma inteligência superior. Mas ele também era um Ocultista, um Feiticeiro, um Astrólogo chegando a ser um astrólogo pessoal da Corte da Rainha Elizabeth.
Marilu
--- Até assim eu sou! - - encolheu a boca.
Livro
Quando a Rainha Elizabeth assumiu o Trono da Inglaterra, em 1558, ela nomeou Dee astrólogo da Corte. Mas sua influência foi muito além dessa posição. O famoso mago da Inglaterra também era um espião da Rainha. Ele se envolvia em intrigas políticas. Ele era um aliado de confiança da Rainha. Mas também trabalhava nos bastidores em toda a Europa para ajudar a diminuir o poder da Igreja Católica e colocar o poder da Igreja Protestante em seu lugar.
Marilu
--- Jogo de interesses! - - torceu a boca.
Livro
Desse modo, a Rainha Elizabeth legitimou oficialmente a Ciência Oculta mais significativa na renascença: a alquimia. Os alquimistas tinham suas metas: curar doenças e transformar metais básicos em ouro. Eles acreditavam que obteriam sucesso ao encontrar a pedra filosofal, um agente místico que também levariam os alquimistas a elevado estado de consciência. Era uma abordagem para entender como o mundo físico trabalha. A prática da alquimia foi a precursora da Química Moderna.
Marilu
--- Interessante! Por que não me ensinaram? - - abusada
Livro
A alquimia já existia desde os antigos egípcios. Mas nas mãos dos cientistas renascentistas atingiu outros patamares. Tudo o que se faz, hoje, na ciência moderna, foi desenvolvido pelos alquimistas. Técnicas de laboratório eram parte da tradição alquímica. A observação de resultados e o método cientifico são filhos da alquimia. Os alquimistas estavam na vanguarda da ciência. Eles descobriram o fósforo, o zinco, a destilação do álcool, a natureza microscópica das doenças. Eles foram os primeiros a entender como o sangue circula no corpo. A Igreja via seus experimentos heterodoxos e avanços científicos com suspeitas crescentes.
Marilu
--- Eu vi um filme que mostrava esse negócio do sangue! - - comentou em silêncio.
Livro
A Igreja pregava que a pessoa não podia acelerar a criação de Deus sem recorrer aos Demônios. À parte do seu trabalho com Alquimia, a verdadeira paixão de Dee ao Ocultismo era a Adivinhação. Ele acreditava que podia aplicar métodos científicos para se comunicar com seres sobrenaturais. A obsessão de Dee por contatar anjos teria consequências desastrosas. A arte de manipular objetos como ossos, cartas de tarô eram do leste muçulmano século 14 e se tornaram o método popular de tradição.
Marilu
--- Isso não tem nada a ver com o Demônio? - - quis saber perguntando a si mesma.
Livro
Mas Dee costumava chamar o método de Cristalomancia. Confiava na Bola de Cristal para visualizar informações sobrenaturais. A Cristalomancia é uma técnica muito antiga. Usa-se Vidros, Espelhos, reflexo da Água. Tudo o que tem uma superfície refletora. Tenta-se ver não apenas as coisas materiais, mas as coisas espirituais, também. Um dia surgiu um jovem chamado Edward Kelley com talento para ver o mundo das sombras. Nesse ponto, Kelley mostrava capaz de ver através de um cristal de ametista, descrevendo o que podia vislumbrar. Kelley então, começou a receber mensagens dos Anjos que lhes falava numa linguagem chamada Oceânica. O livro bíblico perdido de Enochian. Essas transmissões são exemplo da prática mediúnica.
Marilu
--- Quero ver agora! - - apostou na causa.
Livro
John Dee e Kelley viajaram pela Europa para divulgar as suas descobertas bem quando a Inquisição tomava medidas séria - - a morte na fogueira, a roda dentada, mulheres nuas puxadas para cima por uma corda, a queira onde a mulher é amarrada pelos pés até morrer - -. O herege é todo aquele que não obedece a lei da Igreja. Bastava uma pequena mudança para que o Tribunal da Inquisição o considerasse demoníaco.
Marilu
--- Como é que pode uma coisa assim? - - bastante raiva.
Livro
Mas, ao voltar para Inglaterra, John Dee descobriu que uma turba havia destruído sua inigualável biblioteca e seus instrumentes científicos e de Ocultismo. Ele havia perdido sua posição da Corte. O homem que começara como cientista influente da renascença acabou sendo acusado por feitiçaria. A queda de John Dee foi o começo do fim para o Ocultismo. As suas práticas foram caçadas pela Igreja como obras de possessão demoníaca. Desde o século XIV ao XVI, mais de 40 mil pessoas foram executadas por bruxarias. As ideias ocultistas se enclausuraram nas Sociedades Secretas, como a Maçonaria e a Rosa Cruz.
Marilu
--- Quem é maçom, aqui? - - indagou virando a face de um lado para outro.
A Ordem Maçônica recomeçou a entrar em Irmandades Secretas por seu imenso poder dominante, principalmente a Igreja. Há inúmeros Segredos associados a esses temas. A Inglaterra e França foi o berço da Maçonaria que começou pelo Iluminismo, no século XVIII. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 38 -

- NAVIOS 
- 38 -
NAVIOS

Logo após a conversa mantida com Janilce, a nova repórter do Jornal, por acaso Marilu deixou à vista o calhamaço o qual trazia consigo para lê-lo nas horas livres quando com certeza tivesse. À tarde, ela ocupava com novas matérias. Navios Ita, era um primor. Durante a semana, três navios dessa categoria aportavam na capital, apenas quando a maré estava cheia. E esperavam outra maré cheia para poder largar com destino ao Sul do Brasil, se fosse o caso. Passageiros tinham de ruma. Gente que ia a passeio ou mesmo a procura de trabalho, pois nessa terra havia somente espera. Antes e sair para fazer matérias, Marilu arrastou o livro, que era seu. Nesse ponto, Janilce observou quando Marilu retirou esse grande livro. E perguntou, afinal,
Janilce
--- Um livro? Você ainda estuda? - - quis saber apreensiva.
Marilu
--- Sim. Livro. Porém eu só o leio. Não escolar. – - respondeu sorrindo
Janilce
--- Mas trata do que? - - apreensiva
Marilu
--- Esse, trata de vários assuntos. Não tem nada com escolar. - - refletiu.
Janilce
--- Eu posse ver? - - curiosa
Marilu
--- Sim. Pois não. Com certeza. - - e entregou o Alfarrábio
E Janilce começou a pesquisar. Não entendia nada. Porém foi à frente no exame daquilo que foi deixado para trás. E leu tudo o que pode ler no caminho para o Cais do Porto da capital. Com avidez, Janilce verificou toda a obra, nem parte da metade de quem escrevera tudo o que estava a ler.
Janilce
--- Brilhante. Você tem somente esse volume? - - quis saber
Marilu
--- Eu? Tenho. Mas se o assunto pode ser do seu interessa, eu posso ver onde se vende e procuro saber se o homem tem alguns. - - respondeu educadamente
Janilce
--- Ótimo. Ótimo. Eu posso ir também? - - perguntou sem alarme
Marilu
--- Se possível, você pode ir também. - - destacou
O Cais do Porto estava fervilhando de gente. O auto virou a curva e seguiu em frente. Janilce ainda disse.
Janilce
--- Eu vou para o Palácio? - - e sorriu
Marilu sorriu de volta e ainda fez aceno com a mão como quem dava adeus ou até mais.
Muita gente mesmo. Os queriam embarcar no navio e os familiares dos que partiam. Choros para qualquer lado. Um homem subiu à rampa a procura de bebidas. Mas recebeu a negativa. Então, ele retornou de vez. Meninos e meninas a correr desenfreados pelos corredores do Ita. Os homens a tagarelar. Mulheres a chorar. Era tudo uma confusão. De fora do navio ouvia-se quem se despedia.
Pessoas
--- Volte logo! – - diziam as esposas ou namoradas.
Marilu conversava com quem partia ou mesmo quem não seguia viagem. Era um inferno de gente. Uns para um lado. Outros seguindo para os armazéns de carga. As conversas eram francas. De tudo se falava. Uma hora depois ouviu-se um barulho. As crianças, apavoradas, desceram com pressa por conta do roncar. Era a buzina do Ita a buzinar, como sempre fazia ao partir. Então, os que ficaram acenavam com seus lenços para os que seguiam. De ficava, não tinha nem receio em chorar. Todos estava ali para dar seu último adeus. Até Marilu, como se tivesse alguém a partir. Quem ficava, era um longo caminho de volta.
Na quarta-feira, Marilu com Janilce, estavam da feira-livre do Carrasco. Marilu, já conhecida do homem – Floriano, dono da mercearia – apresentou a novata, colega de Redação do Jornal do Estado e perguntou pelas novidades. De imediato, Floriano buscou um novo livro
Floriano
--- Tem esse aqui. Recebi essa semana. Um estudo da filosofia esotérica. – - mostrou
Marilu
--- Interessante. Mas vejamos o que prefere a jovem Janilce! Pode falar senhora! - - sorriu
Janilce
--- Eu estava procurado um livro que o senhor vendeu a ela na semana passada. Os Segredos dos Ocultismo. E esse mesmo? - - quis saber Janilce
Floriano
--- Sim. Ainda tenho! Quer o mesmo? - - sorriu o homem e foi buscar o livro
De repente começou uma guerra do lado de fora, na feira. Dois contendores, armados de facas entraram em luta. O povo todo correu. Uns, por debaixo das bancas. Outros, de rua a fora. Alguém guardava as panelas ferventes, com carne, galinha e bode. E os soldados da polícia chegaram, de imediato, para apartar a contenda. Os meliantes, cheios de ferimentos afetados pelas facas, quiseram correr. Mas, um soco da cara foi fatal. Os barraqueiros foram presos, de imediato. A guerra terminou em nada.
Janilce
--- Virgem! Que coisa? Dois homens se matando? - - disse a moça como o maior medo do mundo.
Floriano
--- É assim. Toda semana matam um! Espíritos maus! - - alegou
Marilu
--- Ainda estou lendo o Ocultismo. Depois eu venho aqui. - - relatou
Floriano
--- Se não me puder pagar agora, paga depois. A senhora tem crédito. –
Marilu
--- Eu sei. Mas vejamos que Janilce vai comprar! - - alegou
Janilce
--- Eu quero. Só embrulhar. - - relatou
Floriano
--- Tem outros mais. Não vai querer? - - perguntou
Janilce
--- Depois eu vejo. Só esse, agora. - -sorriu
Logo após as duas jornalistas seguiram a pé. Dessa vez, o carro não estava com elas. As moças conversaram sobre o bairro onde tudo parecia esquisito.
Marilu
--- De noite, aqui é um breu. - -
Janilce
--- Deve ter casa de macumba. - - arrepiada
Marilu
--- Aquele homem, ao que parece, é um macumbeiro de fama! - - discorreu
Janilce
--- Jura? E agora? Eu fui comprar um livro a um macumbeiro? - - assustada
Marilu
--- Faz mal não. A gente já é da turma! - - gargalhou
Janilce
--- Tem jura! Eu, heim? “Pé de pato mangalô três veis! - - e se arrepiou
Marilu gargalhou a beça.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 37 -

- SENSITIVA -
- 37 -
A PRIMA -

Oito horas da manhã de uma quinta feira. O comércio do bairro da Ribeira já tomava fôlego. O Jorna do Estado já era disputado pelos ávidos leitores. Acidente de trem, carro bate em poste e a crença na cidade de bons costumes. Sapatos de puro solado, vestidos de seda cambiava com demais artigos de compra e venda. Nesse ponto, chegou a senhorita Janilce subindo a escada em uma correria louca. Ela era a nova repórter do Jornal e estava à procura de Marilu, por ser mais experiente nos assuntos do dia. Cansada, na subida da escada, Janilce, no seu passinho miúdo, vestindo um traje de seda e bem perfumada, como gostava de parecer, a moça foi de imediato até o birô onde estava Marilu, indo direto ao assunto.
Janilce
--- Tenho uma coisa p’ra te contar! Por favor, me escute! E depressa! - - falou bastante cansada com a subida da escadaria.
Marilu
--- Descanse, menina, para poder falar! - - recomendou, por outro lado.
E Janilce fez uma pausa. Porém se notava que a moça estava alarmada. Seja o que fosse, era algo de anormal. Passado um minuto, Janilce começou.
Janilce
--- Mas, e urgente! Quando eu soube, sai correndo. É o seguinte, tem uma mulher, bem moça ainda e ela é sensitiva. Entendeu? Sensitiva! - - falou Janilce, a repórter.
Marilu
--- Sei o que é. Continue, por favor. - - prosseguiu com calma.
Janilce
--- Pois bem! Ô calor! Deixa eu beber água! - - e se levantou para pegar um copo
Logo após Janilce estava de volta. E indagou:
Janilce
--- Onde é que eu estava? - - indagou parecendo ter esquecido do assunto
Marilu
--- A mulher sensitiva! Continue! - - sorriu
Janilce
--- A mulher sensitiva? Ah, sim. Pois é. Como começo? - - quis saber
Marilu
--- Pela a mulher sensitiva! - - sorriu
Janilce
--- Mas, como? A já sei! Esse negócio de espírito, e tal. Já presenciou muita coisa sinistra. Mas, o mais interessante foi isso que aconteceu. Essa mulher, ainda jovem, 18 anos, parece, estava dormindo quando sentiu alguém sentar do lado dela, na cama. Ouviu bem? - - quis saber
Marilu
--- Ouvi, sim. Pode continuar, se não tiver cansada. - - sorriu
Janilce
--- Pois bem. Sentar na cama! Como é que eu digo? Então, ela sentiu o colchão abaixar. E quando a moça abriu o olho, viu ali, sereno, tranquilo a sua irmã falecida. Então a irmã dela, já falecida há algum tempo relatou, com um semblante sereno e calmo, afirmando a outra, a viva! “ Não precisa se preocupar, minha irmã: Eu vi a sua filha. Ela é muito linda e tem o cabelo todo encaracolado. E você não vai morrer de parto”. A irmã já morta deu um beijo na testa da irmã viva, e se foi. E a moça, viva, disse que tem certeza que aquilo não foi um sonho. Aquilo foi muito real.  Ela contou à família, e todos ficaram sem reação! Imagine! - - e a moça concluiu o relato
Marilu
--- E o que você acha? - - perguntou Marilu
Janilce
--- Eu? Se lá! Eu vim contar a você para ouvir a sua opinião! - - relatou angustiada
Marilu
--- Você conhece a moça? A que está viva? - - perguntou
Janilce
--- Conheço. Eu conheci até a morta! O pessoal mora vizinho parede e meia comigo! E agora? - - perguntou ao desespero
Marilu
--- Não é raro os casos onde um parente vem fazer uma visita, até uma palavra de conforto a alguém está precisando. Eu tenho um exemplo de uma moça que morreu aos 18 anos. E quem me contou sofreu de mais com essa perda, pois ambas se queriam muito, por serem parentes. A sua prima que desencarnou deixou uma lacuna incrível por sua ausência da sua parenta. - - falou
Janilce
--- E a prima morta não mais ligou por sua falta? - - quis saber
Marilu
--- Muito. Muito. Sempre sentia presença da sua prima desencarnada, no seu quarto. Porém, nunca chegou a vê-la. Porém, recentemente, algo estranho aconteceu. Ela foi dormir e sentiu o seu corpo paralisar. Em seguida, ela ouviu vozes falando vozes falando com ela e alguém mexendo em seus cabelos. Quando, finalmente ela conseguiu de mexer, ela correu para acender a luz. Mas a luz não ficava acesa. Ela acendia e a luz apagava, isso por várias vezes. - -
Janilce
Janilce
--- Cristo! Por que isso? - - alarmada.
Marilu
--- Ela começou a ficar com medo. E, então, ela correu para chamar a sua irmã. Nesse momento, ela reparou que ela – - vamos dizer: Noêmia - - estava deitada na cama. Noêmia viu o seu corpo deitado. Então Noêmia pressentiu que estava fora do seu próprio seu corpo. Por mais que conseguisse voltar, Noêmia não obtinha resultado. Ela notou, então, que a sua casa estava muito escura. Todas as lâmpadas estavam desligadas. –
Janilce
--- E então. Faltou energia? - - de boca aberta
Marilu
--- Ela pensou! ”. Tudo errado! Vou para o inferno”!. Ela pensou que tinha morrido. Quando Noêmia estava voltando ao seu quarto, um pouco antes, ela viu dois homens vestidos de branco parados, ali na sala, conversando. Noêmia não sabia o que os dois conversavam. Apenas sabia que falavam ao seu respeito. Ela deu um grito e saiu da casa, assustada! - -
Janilce
--- Minha Nossa! E então? - - tremendo de medo
Marilu
--- Só que Noêmia atravessou as paredes e na hora que ela saiu da sua casa e viu onde estava: No cemitério da cidade, justo no cemitério onde a sua prima foi enterrada. Então, ali no campo sento, ela viu muitas almas abatidas. Almas tristes em volta dos seus túmulos. Noêmia sentiu uma tristeza imensa com causa de desespero. Foi quando Noêmia voltou a correr e se deparou com um outro homem a lhe confortar! “Fique calma! Nada de ruim vai te acontecer”. E Noêmia fez a enlutada questão ao senhor! Por que aquelas estão ali, vendo seu tumulo. E recebeu a resposta de quando a pessoa morre fica por algum tempo rodando o seu corpo! - -
Janilce
--- Nossa Mãe! Credo! Se eu morrer vou ficar circulando o meu túmulo? - - desespero
Marilu
--- Quem sabe? Só você pode saber. Então, Noêmia ficou só, pois o homem sumiu. Foi aí que ela ouviu uma voz chamando por seu nome. Ela se voltou e viu a prima que já havia morrido há vários meses. Noêmia a olhou e encontrou sua prima com um sorriso radiante, linda até. Foi quando a prima se acercou e disse que era preciso voltar a casa.
Eliete
--- Todos os dias eu estou com você. Um dia nós iremos nos encontrar. - -
Marilu
--- Foi o que a moça, já morta, falou. - - respirou fundo

terça-feira, 13 de junho de 2017

SONHOS DE MARILU - 36 -

- AS CRUZADAS -
- 36 -
MISTÉRIOS -

Ainda na noite do mesmo dia, uma quarta-feira, dia de movimento, no Carrasco, com o movimento de vendas à preços módicos na feira-livre, Marilu, chegando à noite em casa, após trabalhar no Jornal do Estado, batendo à máquina o que havia apurado nas suas andanças corriqueiras, e feito o jantar, ela foi à cama para ler a matéria de seu novo livro comprado na bodega de Floriano, o negociante umbandista, pelo que já havia notado a virgem. O novo livro não era tão imenso assim. Marilu deu uma olhadela antes de iniciar. Em dias passados a moça terminara de ler o seu primeiro livro adquirido na mesma banca: “O Verdadeiro Livro de São Cipriano, o Capa de Aço. Um calhamaço pleno de enigmas e mistérios. Dessa feita, ela desejava ver o conteúdo desse novo volume. E então, começou.
A princípio o livro trazia o segredo do ocultismo. Algo para Marilu, desnecessário.  Em seguida veio a leitura sobre os segredos sobrenaturais capazes de predizer o futuro e influenciar os corpos. Muitos médiuns, astrólogos e tarólogos acreditam nisso. Homens capazes de curvar a mente a qualquer pessoa à sua vontade. A história lendária em círculos ligada ao chamado de ocultismo e tomada como prova de um conceito convocado de “Ação à Distância”.
Livro
--- Ocultista, em geral, acreditam que podem afetar as coisas de longe, influindo à distância! - - explicou o guia.
A magia, tanto é uma arte como uma ciência. Certas coisas causam os efeitos práticos. Ao mesmo tempo elas têm que ser feitas com certas visões e até com o talento para funcionar. No Egito, antigos ocultistas que acreditavam que feitiços poderiam curar doenças e fazê-las desaparecer. O Culto significa “secreto” ou “escondido” e seus primeiros mestres eram vistos como verdadeiros magos. Suas descobertas nas artes ocultas da astrologia e alquimia foram o berço das disciplinas modernas. Muitos veem o Oculto com suspeita. Mas, e fato e notório que a ciência moderna vem trabalhando à beira do sobrenatural, tentando investigar os mistérios que instigaram os primeiros magos.
Marilu
--- Quer dizer: ciência e macumba não existem? - - indagou a si mesma alertando os olhos.
A Física está considerando a viagem no tempo, os Universos paralelos e entender as onze dimensões da teoria das cordas. Foram os grandes mestres ocultistas os guardiões de segredo do que se transformou na ciência moderna. Há cinco mil anos, tinha Thoth, no Egito. Ele era o Deus da magia. As lendas dizem que o mito da magia escrito por Thoth continha segredos dos Deuses. Os seus segredos estavam ligados no plano astral. Thoth é apontado como uma das ocorrências de mediunidade onde se podia atingir o estado especial da mente.
Marilu
--- Caramba! Esse livro é por demais importante! Cinco mil anos? - - exaltada
Livro
--- As páginas do livro de Thoth revelam que as Pirâmides, a Esfinge revela que tudo aquilo contém o que Thoth revelou. Portanto, todas as medidas, todas as palavras, todos os conceitos são partes do livro de Thoth. - - declarou
Marilu
--- Incrível! Por que não me disseram isso antes? - - quis saber.
A virgem ficou exaltada.
Os arqueólogos modernos acabaram descobrindo que muito dos conhecimentos dos egípcios creditados a Thoth foi criado pelos babilônios. E quatro mil anos antes de Cristo, foram eles que calcularam o movimento planetário, inventaram mapa, o primeiro sistema de sequência numérica e as primeiras formas de astrologia e astronomia. Essa informação se espalhou pelo Egito e ajudou a desenvolver uma das maiores culturas da história. Os babilônios usaram uma das artes ocultistas para entender seu mundo: o acesso ao sobrenatural. –
Marilu
--- Quer dizer que o que sei hoje, os babilônios, há quatro mil anos antes de Cristo já sabiam? Não é possível! - - em êxtase
Livro
--- Algumas pessoas que ganhavam reputação entre os antigos, de terem a experiencia mística tornavam-se os representantes religiosos do planeta. Essas pessoas teriam se comunicado através da imaginação, algo como um diálogo com os Deuses., um diálogo com os espíritos ou teriam afetado com um acontecimento.
Marilu
--- Na verdade, é o que hoje se faz! - - fomentou
No Egito, a adivinhação se desenvolveu em um sofisticado sistema de rituais e cerimônias concebido para contatar os Deuses e governar o nosso mundo. O próprio Faraó era um líder religioso. Então era ele provável mestre praticante, tanto da religião quanto da magia. Muito do que era chamado de magia cerimonial, como preparo de feitiços e uso de palavras mágicas e de encantamento veio do Egito.
Marilu
--- E o Candomblé? Não veio da Nigéria? - - especulou
Quando esse povo passou pelo Mediterrâneo, a magia se disseminou. Eles conjurar palavras sagradas entre outras esferas, como a astronomia. Com o surgimento da Grécia, no século seis, antes de Cristo, com a ajuda de uma das mais pródigas mentes da história: Pitágoras.  O nosso alfabeto, as construções que nos cercam e mesmo a música que ouvimos tem uma dívida com esse brilhante filósofo.
Marilu
--- Pitágoras! Agora, vai! Vejamos! - - aquietou-se
Livro
--- Ele acreditava que Matemática, Filosofia e uma compreensão do Divino eram inseparáveis. Pitágoras identificou os números como os elementos fundamentais da criação. Os números que descrevem o mundo são adequados. Em 518 antes de Cristo abriu uma escola na região de Proteoma, ao sul da Itália. Ali foram formados os primeiros matemáticos. Pitágoras transformou os números numa ciência sagrada.
Marilu
--- Eles pensavam que os números eram com um Deus! - - gargalhou
Por isso, a numerologia, a cabala. Então, conversar com esses números era como conversar com Deus. Ele fez uma obra enorme explicando o mistério dos números, mostrado como o 1 se divide e ver 2. O 2 encontra o seu número e vira 3 e assim por diante. Essa era a linguagem dos Deuses. Pitadora acreditava ter solucionado o mistério do Universo. Surge então a exclusividade para a Escola de Pitágoras que em 508 antes de Cristo foi incendiada. Chegou ao ponto em que as duas escolas foram tacadas e destruída. Seus seguidores foram mortos. Pitágoras teve que fugir para o campo e morreu. Alguns acham que ele cometeu suicídio.
Marilu
--- Nossa! Ele se suicidou? - - perguntou ao livro
Livro
É um mistério. Ninguém tem certeza. A Sociedade foi perseguida até sua extinção. Gerações posteriores de Gregos se pautaram na filosofia de Pitágoras e Aristóteles a transformou em Ciência. Mas então veio o Cristianismo e nos anos seguintes a religião cobriu de sombras a Ciência e o Ocultismo. Durante os primeiros quinze séculos o cristianismo ficou relegado a clandestinidade.
Marilu
--- Coitado. Como se faz uma coisa dessas? - - quis saber
Livro
Quando a consolidação judaico-cristã da espiritualidade ocidental se tornou um modelo obrigatório, a magia passou para a marginalidade e se tornou um assunto proibido e maldito. Os padres eram os intermediários entre as pessoas e o Divino. O cristianismo também exerceu uma Ciência política sem paralelos. A Igreja havia desenvolvido uma hierarquia assim como a ideia de que Deus falava através do Papa. Que transmitia seus desejos para os demais. A Igreja também se firmou através de alguns monarcas. A Igreja insistia no acesso exclusivo a autoridade divina. Como em qualquer situação, todo mundo pode fazer por meio especial. Por século, o Areópago ocidental viveu sob o controle da Igreja.
Marilu
--- Isso não é possível! - - confabulou
Livro
Na idade média, a magia se formou um ato de rebeldia perpetrado como um ato anti-cristianismo contra a autoridade da Igreja. Enfim, a Igreja perseguiu o Ocultismo, condenando o indevido poderia acreditar ter acesso direto a Deus. Mas, no século 14 o Ocultismo se soergue. Ironicamente, parte da responsabilidade disso foi a Guerra Santa da Igreja, as Cruzadas.